Universidade do Futebol

Entrevistas

11/01/2008

Paulo Zogaib, novo fisiologista do Corinthians

O Corinthians vive um ano decisivo em sua história. Após a queda para Série B do Campeonato Brasileiro em 2007, a atual temporada pode ser marcada como a “redenção” ou a “tragédia” corintiana.
 
Para que 2008 seja lembrado como o ano em que o Corinthians “deu a volta por cima”, a diretoria reformulou parte da comissão técnica e do elenco de jogadores.
 
Muitos atletas que participaram da péssima campanha do Brasileiro de 2007 já deixaram o elenco. O técnico Mano Menezes, que teve uma excelente passagem pelo Grêmio, será o comandante alvinegro na temporada.
 
Além do treinador, outros integrantes da comissão técnica também chegaram em 2008. Esse é o caso do fisiologista Paulo Zogaib, que trabalha há mais de 25 anos no clube Pinheiros e teve uma passagem pelo Palmeiras.
 
Zogaib iniciou seus trabalhos recentemente, na reapresentação do elenco corintiano, no início de janeiro, mas já tem metas bem definidas para a seqüência da temporada.
 
Com exclusividade, o profissional conversou com a equipe de reportagem da Cidade do Futebol e falou sobre os planos e os trabalhos que deverão ser executados na temporada 2008.
 
Cidade do Futebol – Como surgiu o convite para trabalhar no Corinthians?
Paulo Zogaib – Foi tudo muito natural. O Luxemburgo chegou no Palmeiras e quis que sua equipe o acompanhasse. O [Renato] Lotufo já tinha saído do Corinthians e entraram em contato comigo. Acertamos tudo e aqui estou.
 
Cidade do Futebol – Quais os primeiros trabalhos realizados no Corinthians?
Paulo Zogaib – De um modo geral podemos falar que os mesmos realizados nas outras equipes. Nessa primeira etapa, de pré-temporada, não existe muito segredo dentro do trabalho da fisiologia. Precisamos aplicar testes e avaliações para determinar as condições dos atletas. Esses resultados servem como base para o trabalho de preparação. No decorrer dos treinos vamos avançando com os testes, medindo os índices de estresse, realizando um acompanhamento de perto para que os jogadores possam sempre desempenhar seu máximo dentro de campo.
 
Cidade do Futebol – Como chegaram os atletas corintianos após as férias? Quais as mudanças físicas mais contundentes?
Paulo Zogaib – De um modo geral, os atletas que já estavam no Corinthians chegaram muito bem. Esse é um grupo muito responsável, que com certeza tem noção das responsabilidades que terão pela frente em 2008.   
 
Cidade do Futebol – Como é a relação com os outros profissionais da comissão técnica?
Paulo Zogaib – Ainda estou conhecendo alguns, mas o Trevisan [preparador físico], por exemplo, eu já conhecia e sei que ele dá muita importância para o trabalho da fisiologia. Estou sempre acompanhando os treinos físicos, onde a gente aproveita para monitorar os atletas com GPS, medir dosagens sanguíneas, índices de lactato, quantificar o esforço e a condição física que eles se encontram.
 
Cidade do Futebol – Em conjunto com o trabalho de vocês será realizado algum acompanhamento psicológico, principalmente por conta da queda para a série B?
Paulo Zogaib – Evidentemente que existe essa pressão psicológica, mas grande parte do grupo foi reformulada. Os jogadores que chegam estão com um ótimo astral e isso contagia os demais atletas.
 
É óbvio que teremos que realizar um trabalho motivacional constante, mas a pressão pela queda para a série B, do ponto de vista fisiológico, só poderá ser avaliada no decorrer da temporada. O Corinthians pode começar muito bem o ano e isso não pesar para os atletas, assim como também trabalhamos com a hipótese contrária.
 
Lembro que um jornalista me perguntou se eu considero um desafio trabalhar no Corinthians. Trabalhar em qualquer equipe é sempre um desafio. Os objetivos podem ser diferentes, mas o trabalho tem que ser sempre sério e focado em resultados, independente se eles são a conquista de uma Copa do Mundo, da Copa do Brasil ou da série B. O importante é que o trabalho tem que fluir de uma maneira natural.
 
Cidade do Futebol – O Flávio Trevisan e o Mano Menezes têm falado constantemente que a comissão técnica quer ter um time mais forte em 2008. Qual a metodologia que vai ser usada para isso e existe uma programação especial da fisiologia?
Paulo Zogaib – Essa característica de força ganhou muita importância no futebol ao longo dos tempos. Mesmo nos outros esportes isso fica evidente. As equipes estão muito parelhas porque todos têm acesso as inovações existentes e as diversas metodologias de trabalho. Detalhes podem decidir uma partida e evidentemente que a força está inclusa nisso.
 
Como eu disse, ainda estamos na fase inicial dos trabalhos, definindo as programações. Mas sem dúvida, nesse começo, temos trabalhado muito a questão do aumento da potência muscular, velocidade e arrancada. Tenho certeza que esse será um dos enfoques principais do trabalho até pelo Mano ter suas raízes no Sul do país, onde eles valorizam muita a força dos atletas.
 
Cidade do Futebol – Em uma entrevista, o Mano Menezes também afirmou que os garotos como Lulinha e Dentinho ainda não estão fisicamente prontos. Existirá um trabalho especial para eles?
Paulo Zogaib – Sim, sem dúvida. Nossos primeiros testes revelaram essa situação. Mas não são apenas os dois que ainda não estão prontos e receberão uma atenção especial. As primeiras avaliações são muito importantes porque apresentam as potencialidades e as deficiências individuais de cada atleta. Após a coleta dos resultados realizamos um trabalho para corrigir essas deficiências.
 
No caso especifico dos atletas mais jovens, apesar de já serem homens, do ponto de visto fisiológico eles continuarão evoluindo até os 25 anos, em média. Um exemplo clássico disso é o Kaká. Hoje ele é o atleta que é por conta de todo o trabalho de evolução e fortalecimento que foi feito com ele.
 
No início da carreira o atleta é mais instável e suscetível a pressões externas. Tem que ir com um pouco mais de cuidado. Identificar as características e aprimorá-las. Mas pelo que senti nos meus primeiros dias de Corinthians esse trabalho é feito desde a base, o que é muito importante. Ainda não tivemos tempo de conversar muito, mas em breve pretendo me aproximar bastante dos profissionais da base.
 
Cidade do Futebol – O Corinthians tem um banco de dados com as informações dos jogadores?
Paulo Zogaib – Sim. Temos isso tanto na versão impressa como também digitalizado. Aliás, o Corinthians possui um setor de informática muito bem estruturado, fácil de acessar.
 
Cidade do Futebol – Durante a época do Leão, o Lotufo afirmou que participava pouco do dia-a-dia dos treinos do Corinthians. Como será com você?
Paulo Zogaib – Acabei de chegar, mas já participei bastante dos treinos. O Flávio Trevisan gosta do apoio do fisiologista em seus treinos, então sempre que a ênfase da atividade do dia é o físico eu estou presente.
 
Cidade do Futebol – Como conciliar a atividade acadêmica e os trabalhos no Corinthians, com essa maior exigência de sua presença física?

Paulo Zogaib – Não é fácil, mas são trabalhos complementares. Na faculdade [Paulo Zogaib é coordenador do laboratório e professor da Escola Paulista de Medicina] a gente trabalha muito mais com a parte de pesquisas e ensino. No futebol você tem a chance de colocar em prática os estudos. É corrido, porém muito satisfatório.

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