Universidade do Futebol

Geraldo Campestrini

26/08/2015

Pela porta da frente

Por seguir Barcelona, Messi e Neymar no Instagram, minha manhã de segunda começou inundada de fotos do atacante Pedro, recém-contratado pelo Chelsea e que, inclusive, marcou gol na estreia pelo novo clube no Campeonato Inglês. Foi a despedida do atacante espanhol do clube catalão, realizada na própria segunda-feira, um dia após a sua estreia no clube londrino.

O que foi feito pelo Barcelona em relação a Pedro é uma forma comum de os clubes europeus tratarem seus ídolos, ou ex-ídolos. É para ser vista, pensada e aprendida pelos clubes brasileiros. Por aqui, tem-se um hábito muito ruim de tratar mal aqueles que trocam de clube ou que deixam o clube por ter acabado um ciclo esportivo. Pensa-se em “trairagem” ao invés de encarar com a naturalidade cíclica que um nível competitivo tão alto exige.

Em determinados momentos, o casamento entre interesses individuais já não combinam mais com os coletivos por uma série de circunstâncias, o que leva a um processo natural de ruptura. Nem por isso essa ruptura precisa virar “novela mexicana”. Ela pode terminar com algo bom para todos, mostrando que tudo faz parte de um processo – e realmente faz!

Foi o que o Barcelona fez com Pedro. Não foi o que o Palmeiras, recentemente, fez com Valdivia, por mais que não se possa comparar o comportamento dentro e fora de campo de ambos jogadores. Apenas para ficamos em dois exemplos com atitudes diametralmente opostas dos respectivos clubes.

Um tratamento elegante desmoraliza qualquer atitude de enfrentamento, choque ou oposição ao término de um ciclo, em que se poderia contar tão somente as coisas boas da relação. Perde-se a oportunidade de falar bem e escolhe-se a opção pelo ruim, o fracasso ou o que não deu certo.

O processo como o de Pedro+Barcelona acaba sendo bom para todos: (1) para as marcas do clube e do atleta, que são vistas sob o holofote de notícias positivas e não no caderno de fofocas, que poderia denegrir a imagem de todos os participantes; (2) para o clube, que passa uma mensagem positiva para os jogadores que estão no elenco naquele momento, de que poderão receber um tratamento respeitoso em eventual desejo de saída. Isso tranquiliza qualquer ambiente de trabalho e impacta sim na performance da equipe; e (3) para o jogador, que mantém as portas abertas e a admiração dos torcedores, sem a necessidade de se criar tumulto em eventual duelo futuro.

Este é só um exemplo de muitos que tem ocorrido de maneira similar em clubes europeus. Como disse no início, eis um trabalho que precisamos aprender, absorver e aplicar efetivamente aqui em nosso mercado, de modo a contribuir com a construção de um mercado mais sólido. A construção de ídolos/mitos é uma peça importantíssima neste processo! 

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