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24/08/2011

Pênalti: considerações para uma abordagem científica dos gestos técnicos

“Se formos para os pênaltis nessa Copa América, nós estamos f…”. A frase dita pelo goleiro Júlio César, eventualmente em tom de brincadeira, compõe um contexto: a eliminação do Brasil para o Paraguai nas quartas de final da Copa América de 2011, vencida pelo Uruguai. O titular do gol da seleção de Mano Menezes, em um dos treinamentos realizados em Campana, na Argentina, “previu” a dificuldade de êxito da equipe diante do rival sul-americano, que acabou ficando com o vice-campeonato da competição, caso o duelo não fosse decidido no tempo normal. O fato se confirmou.

Após igualdade sem gols ao término dos 90 minutos regulamentares, mais a prorrogação de meia hora, os torcedores verde-amarelos lamentaram demais os erros crassos de Elano, André Santos e Fred, especialmente, além do chute impreciso de Thiago Silva. Desta forma, errando quatro penalidades máximas, o Brasil deu adeus por antecipação e perdeu a oportunidade de conquista do tricampeonato – ganhara as duas últimas edições do torneio.

“As cobranças de penalidade máxima foram algo à parte, que merece cuidados e interferências. Os jogadores escolhidos tiveram bom desempenho nos treinamentos e ao longo de suas carreiras tiveram referências em momentos importantes. Não entendo que tenha faltado controle emocional”, argumentou Mano Menezes.

Fato é que Elano e Fred, de Santos e Fluminense, respectivamente, costumam ser os cobradores oficiais de faltas desse tipo em seus clubes. Thiago Silva, apesar de atuar especialmente no sistema defensivo, é uma das referências técnicas do Milan e do próprio processo de renovação do grupo principal brasileiro. Já André Santos se notabilizou no Corinthians e no Fenerbahçe por seus chutes fortes, de média distância, e é um dos atletas que mais recebeu chamado para defender o Brasil sob o comando de Mano.

Fundamentados, acostumados ao momento e tendo a confiança da comissão técnica, o que teria prejudicado a trajetória positiva dos batedores e resultado em falha naquele ato? O estado do gramado foi colocado em xeque…

“Não é preciso fazer uma análise das quatro penalidades perdidas, a não ser ressaltar algo que era bem visível que era uma dificuldade na marca penal. Dois atletas nossos tiveram problemas com o pé de apoio. Eu já tinha reclamado no jogo anterior na primeira fase. Não sei se na outra área estava melhor, mas, quando você erra quatro penalidades, é bom olhar para dentro dos seus erros e esperar que os outros corrijam os seus”, sinalizou o técnico gaúcho.


Empresa responsável pelo campo apresenta justificativa

Com efeito, os gramados da Copa América, em sua maioria, não possuíam o elevado padrão de qualidade que era desejável. Vários são os motivos, mas falando especificamente do gramado de La Plata, em que atuaram Brasil e Paraguai no jogo em questão, o sistema de contrução foi o da Greentech, que tem representantes no Brasil.

De acordo com Bruno Rodrigues, diretor da empresa no país, o sistema de gramado utilizado no estádio foi contratado pelo governo da cidade de La Plata com o objetivo principal de transformar o estádio num equipamento destinado à realização de eventos esportivos e de shows, alavancando, assim, a capacidade de receita deste equipamento.

A Greentech é uma empresa americana que mantém na cidade de East Lansing, em Michigan (EUA), convênio de desenvolvimento de tecnologia com o Centro de Pesquisas da MSU-Michigan State University. A tecnologia utilizada, de acordo com o executivo, é comprovadamente bem sucedida em projetos realizados nos principais estádios que sediaram os maiores eventos esportivos da história recente e compreende além do fornecimento dos módulos que permitem a transformação do estádio em equipamento multiarena, os seguintes serviços: consultoria para implantação do sistema, pesquisa das condições locais de clima, análise do solo existente na região, análise do melhor tipo de grama para o local; capacitação de mão de obra especializada necessária a implantação do sistema, projeto e execução dos sistemas de drenagem e irrigação e implantação do sistema de grama propriamente dito.

Todo o apoio técnico é realizado por Professores Doutores do Centro de Pesquisas da MSU, que participam em conjunto com a equipe de agrônomos local, de todas as fases do empreendimento. Um dos principais centros de pesquisa da área, este é instalado em um espaço de 64 hectares, destinado exclusivamente ao desenvolvimento e pesquisa de todos os tipos de “Turf Grass”.

“É importante ressaltar que quando o sistema é executado corretamente, obedecendo todas as recomendações técnicas e os prazos de plantio, o sistema e o gramado apresentam qualidade inquestionável. Ora, por que então presenciamos o gramado naquelas condições? Acontece que os representantes da cidade de La Plata, ignoraram as recomendações técnicas fornecidas pela Greentech, se limitando a comprar somente os módulos e a construir o gramado de forma inadequada”, disse Rodrigues.

Segundo ele, o processo de escolha e preparação do substrato e o plantio foram realizados de forma totalmente equivocada e a grama foi plantada sem a utilização dos procedimentos técnicos recomendados a obtenção de um gramado de qualidade. O plantio ocorreu com antecedência de apenas 70 dias do primeiro evento realizado no estádio, impossibilitando assim o enraizamento correto do gramado. Numa tentativa de correção dos problemas usaram areia em excesso em topdress. Por conta disso, a cada passe ou chute realizado, bastante quantidade de areia subia à superfície e um pó era levantado.

“O resultado não poderia ser diferente. Aliás, o que vimos, aconteceria em qualquer tipo de gramado executado desta forma, inclusive aqueles plantados em sistemas convencionais”, acrescentou Rodrigues.

Independentemente da má condição do gramado, ambas as equipes atuaram no mesmo ambiente, sob as mesmas adversidades. Um atleta paraguaio também falhou em uma das cobranças. O primeiro deles, aliás. Os subsequentes procuraram um posicionamento mais firme do pé de apoio e uma batida segura, próxima do centro da meta. E esse fator também merece uma avaliação detalhada.
 

 

Aspectos ergonômicos

Ciência que estuda a adaptação dos seres humanos ao ambiente do trabalho: essa é basicamente a definição da ergonomia, cujos fundamentos podem ser aplicados à estrutura do futebol, cuja intensa exigência física e emocional dos atletas requer uma análise e um suporte. A abertura a profissionais do ramo, apesar do rico espaço para o desenvolvimento de estudos nessa área, entretanto, ainda é extremamente reduzida.

O trabalho da ergonomia no esporte é basicamente preventivo, com levantamentos científicos que indicam possíveis correções de postura para atletas. O problema é que essa postura ainda destoa da mentalidade vigente na modalidade, que é contrária à antecipação.

“As lesões por movimentos inadequados são bastante comuns no futebol, principalmente nos membros inferiores. A ergonomia é necessária para entender toda a biomecânica dos jogadores e buscar maneiras de prevenir problemas com eles, que são parte fundamental para o esporte”, explicou Marcos Mônico Neto, fisioterapeuta formado pela Universidade de Ribeirão Preto.

Mas é possível ir um pouco além do sentido preventivo de lesões. Sendo esta modalidade de alta precisão e praticada principalmente com os pés e a cabeça, com uma bola, com determinadas características, que podem apresentar algumas variações, e em um campo com dimensões variadas e outras tantas variáveis no que diz respeito a aderência, compactação, grau de umidade, etc., é fundamental que os seus praticantes, no nível de alta competitividade, tenham a possibilidade de conhecer a influência de todas as variantes comportamentais e relacionados ao desempenho.

A avaliação de José Luiz Fonseca da Silva Filho, professor de Ergonomia do Centro de Ciências da Administração da Universidade do Estado de Santa Catarina e no Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção daquela instituição, é que o futebolista deva ter todas as condições do campo de jogo simuladas em suas redes neuronais. E, ao iniciarem a disputa efetiva, já as tenham dominadas. Em um sentido similar, é a escolha da trava alta para um tipo de piso, ou trava baixa para outro.

“Entendo que a apresentação dos conceitos ergonômicos aos trabalhadores (os jogadores de futebol neste contexto) lhes proporcionará uma condição de reflexão sobre a forma de organizar o seu trabalho. Eles terão a condição permanentemente de buscar o jeito, a forma de melhor fazer para o melhor resultado deste trabalho e para o seu corpo, criando o hábito da reflexão sobre o modo”, explicou José Luiz.

De acordo com ele, a aplicação da ergonomia nos ambientes de trabalho vem com a “distribuição” dos conceitos ergonômicos aos trabalhadores e a consequente utilização destes conceitos no cotidiano de suas vidas no trabalho. Na questão dos pênaltis, Elano, Thiago Silva, André Santos e Fred, no caso, deveriam entender todo o ambiente que cercava aquele momento – desde verificar se suas chuteiras estavam com os cadarços adequadamente ajustados até conhecer as imediações do local onde a bola seria colocada – até porque costuma ser um local irregular.

“De forma simples podemos perguntar: quem coloca com vontade o seu pé de apoio num local que não sabe sobre suas condições?”, comparou o ergonomista. “Penso que os nossos atletas deveriam verificar as condições em que cobrariam aqueles pênaltis, conhecer o ambiente, etc. Agora , isso seria natural se estas preocupações estivessem em suas cabeças…”.

Pode-se dizer que a ergonomia tem capacidade para atuar em todas as fases do futebol. Desde o desenvolvimento dos equipamentos utilizados em sua prática, no estudo dos movimentos e posturas assumidos e na definição de aspectos externos, como a iluminação dos estádios (intensidade e posicionamento), projetos de gramados (onde, por exemplo, a dureza do solo deve ser compatível com a estrutura muscular dos atletas) e tamanho da jornada e duração das pausas. O próximo passo é sua relação com a biomecânica.
 

 

Precisão do chute está relacionada ao efeito do estresse 
 

 


Como a biomecânica age no futebol?

No futebol, a biomecânica deveria ser uma ferramenta de suporte para o trabalho da comissão técnica, com atuação na periodização e na programação dos treinos físicos individuais e coletivos. Trata-se de uma disciplina que pode auxiliar na compreensão global sobre o rendimento de cada atleta e fornecer dados para a formatação de exercícios na preparação para um jogo, por exemplo.

Esta ciência que se ocupa do movimento, fundamento básico para a realização de qualquer exercício ou atividade física, e estuda detalhadamente o movimento e a técnica empenhada para que ele aconteça, pode fornecer dados à comissão técnica sobre a movimentação do time ou de cada atleta em campo. Além disso, pode funcionar para corrigir erros funcionais dos jogadores, melhorando o rendimento e diminuindo o risco de lesões.

“Antigamente, a base para a formação de um profissional para o futebol era empírica. De uns anos para cá, isso tem mudado e o nível tem melhorado. Esse conhecimento técnico e essa aproximação das universidades foram fundamentais para a evolução da preparação física e para uma penetração maior de conceitos como o da biomecânica”, relatou Jefferson Loss, doutor em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O especialista em melhora de rendimento é um profissional que dá suporte direto a treinadores ou gestores de equipe. Ele analisa o movimento dos funcionários em cada uma de suas ocupações para pensar em maneiras de isso ser realizado de uma forma que gere mais rendimentos. É ele que fornece suporte, por exemplo, para o trabalho das comissões técnicas em equipes esportivas. A partir de estudos detalhados sobre as ações de cada atleta, ele mostra o que pode ser alterado para aumentar a força, a velocidade ou qualquer outra valência determinada.

Uma das áreas de estudo da biomecânica é a cinemetria, cujo método tem contribuição especial às questões do futebol. Ela trata das variáveis da cinemática, como orientação, posição, velocidade e aceleração, mas sem se preocupar com as causas destes fenômenos, focalizando apenas o movimento no espaço e não como foi executado.

Várias pesquisas têm tratado o movimento do chute no futebol como um objeto a ser estudado e entendido, no que diz respeito à sua técnica, talvez por este o movimento ser o mais importante do jogo, aquele que leva, na maioria das vezes, ao objetivo maior: o gol.

Uma das características inerentes ao perfil dos atletas, a perna que bate na bola foi base de um estudo realizado por Fabrício Augusto Barbieri em sua tese de mestrado na Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). Com base em análises dos movimentos dos jogadores de futebol, ele tentou identificar as diferenças entre destros e canhotos no processo de treinamento.

“A diferença é muito maior no membro de suporte do que no membro dominante. Existem mudanças importantes na constituição, mas o principal é o movimento. Destros e canhotos têm posicionamentos diferentes para o membro de suporte”, contou Barbieri.

O pesquisador explicou que a diferença ocasionada pela escolha do membro dominante vai muito além das características das pernas: “O quadril e o tornozelo também são afetados. Todas essas informações são determinantes para o processo de treinamento e não podem ser desprezadas”.

A tese de mestrado de Barbieri, que ele defendeu na Unesp em 2008, é mais focada nas diferenças que a escolha do membro dominante pode causar nos atletas durante as partidas. No entanto, a abrangência desse tema é muito maior.

“Inicialmente, todos tinham uma visão que a diferença de destros e canhotos era uma coisa de nascimento. Mas ocorre um processo padrão de criação dessas diferenças. A importância do membro de suporte, por exemplo, deve fazer os treinadores criarem atividades voltadas a essa perna e não apenas ao bater na bola”, explica Barbieri. Talvez a explicação do insucesso brasileiro na última Copa América passe também pelos primeiros chutes na bola dos cobradores de penalidades – e pela orientação de seus treinadores no período de formação.

 

Psicologia do esporte e o prejuízo ocasionado pelo estresse

Não restam dúvidas: o estresse interfere diretamente no desempenho dos jogadores de futebol. Esse conjunto de reações fisiológicas que, se exageradas em intensidade ou duração, podem levar a um desequilíbrio no organismo, sustentou pesquisa realizada Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

Segundo o levantamento, responder a essa situação é uma atitude biológica necessária para a adaptação à situações novas. E mais: em ocasiões como cobrança de penalidade máxima, o estresse afeta consideravelmente a resposta motora.

Nelson Toshiyiki Miyamoto, em sua tese de doutorado defendido no ICB, pediu para voluntários executarem uma tarefa que simulava em computador alguns aspectos das cobranças de pênalti do futebol. Voluntários sozinhos e sob pressão de torcida foram as duas situações nas quais os testes se separaram.

Nesta última condição, os selecionados não ultrapassaram 80% de aproveitamento, mesmo com o goleiro em questão fornecendo dicas de que iria pular para um dos lados e o cobrador tendo tempo para escolher em que local direcionaria seu tiro.

Para o pesquisador, nesse tipo de situação, com desgaste psicológico, o rendimento decai por conta da concentração e também da reposta do corpo para o momento decisivo.

“Na situação com estresse, o jogador acaba pensando nas consequências de um erro. Inconscientemente, faz uma programação motora inadequada. Na hora de executar, acaba chutando de uma forma errada”, disse Miyamoto ao site da USP.

É comum o cobrador inverter o lado que inicialmente havia escolhido no momento em que se aproxima do contato com a bola. Isso só é possível, porém, antes de atingir o chamado “ponto de não retorno”.

“O ponto de não retorno é o momento a partir do qual o cobrador do pênalti não consegue mais modificar a programação motora. O cérebro disparou a programação que vai executar e o jogador não consegue mais mudar a direção do chute”, explicou o pesquisador, destacando que o resultado final dos testes coincidiu com a média de erros em cobrança de pênalti de campeonatos oficiais ao redor do mundo – algo em torno de 25 e 30%.

Realizados em computador, os testes em computador tiveram como foco simular principalmente os efeitos do estresse no controle motor. Os 21 voluntários passaram por uma bateria de testes com o simulador, em que a pessoa mirava um gol, um ponto representando o goleiro, no centro um ponto que representava a bola e abaixo um terceiro ponto que se deslocava em direção a bola e representava o cobrador do pênalti.
 


 

Cada um dos participantes deveria inclinar uma alavanca para direita ou para esquerda no exato momento da sobreposição do jogador e a bola. Durante esse intervalo, o goleiro, que era controlado pela máquina, poderia se mover para esquerda, para direita ou ainda ficar parado antes de a finalização se concretizar: esperava-se, claro, que o voluntário movimentasse a alavanca para o lado oposto ao goleiro.

O defensor da meta, no caso, se movia em nove momentos aleatoriamente escolhidos pelo computador. Estes tempos variavam de 51 a 459 milissegundos (ms).
 


 

Em determinado tempo, os cobradores-participantes passavam pelos testes em laboratório, sem qualquer tipo de influência externa. Posteriormente, os escolhidos realizavam os mesmos testes, mas com a pressão de mais de 70 alunos dos cursos de Educação Física e Esporte da USP, os quais se comportavam como torcedores em uma arquibancada durante um grande jogo.

Os resultados despertam a atenção. Enquanto no laboratório os voluntários alcançavam quase 100% de aproveitamento nos momentos mais próximos de 459 ms, o rendimento caía para no máximo 80% quando havia gritos estimulados dos “fãs”.

“O ideal? Seria o jogador treinar para não pensar na hora de executar a cobrança, fazendo-a automaticamente. Ele não deveria mudar aquilo que está treinando ou o que ele programou para fazer. Porque, se ele tentar mudar em cima da hora, provavelmente as chance dele errar é maior”, apontou Miyamoto.

Ele crê que o resultado final de mais treinamento de cobranças de pênalti seria um melhor aproveitamento. Porém, não observa tal “cuidado” no ambiente de preparação dos clubes de futebol.

“Infelizmente, ainda há muitos técnicos e atletas que acham que pênalti é loteria. Então, qual que é a teoria? Se é sorte não adianta treinar”, finalizou.

Considerações sobre o pênalti a partir de diversos ângulos

1) Administrativo – Em uma equipe de trabalho altamente profissionalizada deve existir especialistas para cuidar de questões relacionadas ao piso do campo, grama, gramado, condições meteorológicas, segurança, etc. Estes devem estar atentos às condições em que os jogos de futebol são realizados.

2) Físico-fisiológico – A cobrança de penalidades máximas tem características diferentes se realizadas no início ou no fim de jogo (ou após a prorrogação), conforme o desgaste metabólico do atleta que irá fazer a cobrança.

3) Técnico – A forma com é feita a cobrança tem influência decisiva na sua eficiência e eficácia. Aspectos biomecânicos e ergonômicos levam em consideração posição do corpo, alinhamento, posição do pé de apoio, velocidade da corrida, distância da bola, olhar do atleta, etc. Não se pode desprezar também a evolução na performance dos goleiros que tornam possível neutralizar até as boas cobranças; ou seja, pênalti bem cobrado tecnicamente, porém defendido.

4) Tático-estratégico – A decisão de quem vai cobrar o pênalti é também uma intervenção importante, embora se estude muito pouco esse assunto devido a sua complexidade e subjetividade. Vale considerar neste aspecto estratégico o fato (muitas vezes praticado) do goleiro não respeitar a regra (sair do gol de forma ilegal) e neutralizando a ação do cobrador, mesmo que a cobrança seja bem feita.

5) Psicológico – Tem importância decisiva, embora não é como muitos pensam e afirmam o único aspecto a ser considerado. É apenas um dos muitos aspectos relevantes.

Além disso tudo, deve-se consider a metodologia do treinamento. É comum observar considerações que restringem a eficiência e eficácia na cobrança da penalidade ao maior ou menor número de treino desse tipo de finalização.

A simples repetição mecânica dos gestos técnicos não é suficiente para que haja uma melhoria considerável neste fundamento. A repetição ganha muitíssimo em qualidade se acrescida daquilo que alguns pedagogos do esporte e outros pesquisadores contemporâneos chamam de “treinamento profundo”, ou seja, repetição acrescida de foco, concentração, motivação intrínseca, desafio, simulação das circunstâncias reais de jogo, etc. Será que a maioria dos treinadores aplica tal princípio moderno?

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