Porque defendo e gosto tanto de Tite

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A avaliação de qualquer trabalho, seja positiva ou negativa, não pode ser rasa e imediata. A cruel rapidez com que se espera resultados no futebol brasileiro vai na contramão disso, eu sei. Porém sempre busco o maior número de elementos para adjetivar jogadores, técnicos, dirigentes e etc. E – resumidamente – é pelo histórico, pela cronologia e pelos pontos fortes e fracos que classifico não só personagens, como também times, clubes e seleções.

Por todo esse conjunto da obra, Tite é o melhor técnico brasileiro. Disparado. E o segundo pelotão aparece muito distante dele. Tite é perfeito? Não, longe disso. Sei que para ele faltam algumas competências para trabalhar na primeira divisão do futebol mundial, que é o cenário europeu. Entretanto nenhum outro treinador nascido em solo nacional reúne tantas habilidades como o atual comandante da nossa seleção.

Para facilitar o entendimento, divido as competências de um técnico em duas partes: a primeira é a de campo. Conhecimentos de jogo, sistemas, táticas, metodologia de treino, intervenção durante uma partida, etc. A segunda se refere a gestão do ambiente: comunicação, liderança, relacionamentos, etc. E quando coloco Tite como o melhor que temos nessas duas esferas, gosto de salientar o esforço pessoal dele em aprimorar todas as competências necessárias para aumentar a probabilidade de sucesso.  Acompanho a carreira de Tite desde 2001, quando chegou com o Grêmio ao título da Copa do Brasil. E é nítido que há quase vinte anos atrás ele não dominava tantos princípios e subprincípios ofensivos como agora. E que a comunicação dele, um pouco professoral à época, não causava os efeitos positivos na maioria dos atletas como agora.  

O cargo de técnico da seleção tem uma exposição acima do normal. Os extremos, principalmente os negativos, aparecem muito – basta um jogo ruim ou uma convocação discutível, para aparecer uma avalanche de críticas. Mas com toda a frieza que uma análise como essa requer, ratifico: Tite é o profissional mais completo que temos. E o que é legal, ele não nasceu assim. Se esforçou para evoluir. E hoje merece estar onde está. 

*As opiniões dos nossos autores parceiros não refletem, necessariamente, a visão da Universidade do Futebol

Marcel Capretz é jornalista com experiência em grandes emissoras de rádio e TV. Busca entender e explicar o jogo através do conhecimento.

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