Universidade do Futebol

Ciefut

07/11/2010

Pressionando alto em três diferentes plataformas táticas

Desenvolver conteúdos durante o processo de treino mostra-se primordial não somente por parecer “pedagogicamente correto” aos olhos de todos, mas por estar fortemente ligado à qualidade do trabalho e aos resultados obtidos. Compreender essa ideia derruba o antigo paradigma de que se deve dar ênfase à boa formação para jovens atletas em detrimento à conquista de títulos nas categorias de base. Para equipes profissionais, o desenvolvimento de conteúdos dará sustentação ao trabalho e continuará a formação dos atletas (que não termina quando ele finaliza seu ciclo nas categorias de base), agregando valor ao clube que terá permanentemente seus jogadores evoluindo.

Pode-se ter como exemplo o conceito da estruturação do espaço em função da posição da bola (marcação zonal), de fechar os espaços como equipe (Amieiro, 2005) e as possibilidades de interações posicionais que surgem a partir daí, criando variações no desenho do meio-campo e da linha de ataque que permitirão à equipe (ao treinador) mudar de acordo com a necessidade que o jogo exige.

A proposta de pressionar na linha 1 (pressionar alto) apresentada nas três figuras a seguir, com cinco linhas de marcação (pressionando em profundidade) pode ser utilizada, por exemplo, sempre que for necessário recuperar rápido a posse da bola, dando pouco tempo ao adversário para tomar decisões. Os ajustes estruturais que acontecem de uma plataforma para outra geram mudanças nas interações, porque estrutura e padrão estão sempre intimamente relacionados.

A partir das figuras, poderá surgir a discussão sobre pressão e pressing. Como os conceitos sobre essa discussão não estarão presentes, o termo pressão foi utilizado.

Na figura 1, a equipe que ataca no sentido da seta ao lado do campo está estruturada em um 1-3-4-1-2 com dois volantes, dois alas e um meia ofensivo no meio-campo. Seguem abaixo as dinâmicas de cada setor da equipe.

– Goleiro (vermelho): fora da grande área
– Linha defensiva (azul): próxima ao meio-campo, com os três zagueiros realizando uma flutuação para o lado da bola
– Meio-campo (azul escuro): o ala do lado da bola fecha a paralela, o ala do lado oposto a virada de jogo (caso a bola chegue no lateral que está aberto este ala temporiza a jogada) e o meia ofensivo ocupa o espaço entre os dois atacantes
– Atacantes (azul claro): o atacante do lado da bola pressiona a mesma e o do lado contrário tira a opção de passe curto para trás

Figura 1 – Pressão na linha 1 jogando no 1-3-4-1-2

Na figura 2, a equipe que ataca no sentido da seta ao lado do campo está estruturada em um 1-3-4-2-1 com dois volantes, dois alas e dois meias ofensivos no meio-campo. Seguem abaixo as dinâmicas de cada setor da equipe.

– Goleiro (vermelho): fora da grande área
– Linha defensiva (azul): próxima ao meio-campo, com os três zagueiros realizando uma flutuação para o lado da bola
– Meio-campo (azul escuro): o ala do lado da bola fecha a paralela, o ala do lado oposto a virada de jogo (caso a bola chegue no lateral que está aberto este ala temporiza a jogada), o meia ofensivo do lado da bola pressiona a mesma e o meia ofensivo do lado oposto ocupa o espaço entre o meia que pressiona e o atacante
– Atacante (azul claro): tira a opção de passe curto para trás

Figura 2 – Pressão na linha 1 jogando no 1-3-4-2-1

Na figura 3, a equipe que ataca no sentido da seta ao lado do campo está estruturada em um 1-4-3-2-1 com um volante, dois alas e dois meias no meio-campo. Seguem abaixo as dinâmicas de cada setor da equipe.

– Goleiro (vermelho): fora da grande área
– Linha defensiva (azul): próxima ao meio-campo, com o lateral contrário ao lado da bola um pouco mais distante do zagueiro do seu lado do que as distâncias mantidas entre os outros três jogadores da linha (linha elástica) para manter um bom equilíbrio horizontal (caso a bola chegue no lateral adversário que está aberto – este lateral temporiza a jogada)
– Meio-campo (azul escuro): mantendo a estrutura proposta (um volante + dois alas + dois meias), o ala do lado da bola fecha a paralela. Em relação aos meias que jogam por dentro, o do lado da bola pressiona a bola, enquanto o outro tira as opções de passe para as regiões centrais à frente do volante e do ala oposto
– Atacante (azul claro): tira a opção de passe curto para trás no zagueiro

Figura 3 – Pressão na linha 1 jogando no 1-4-3-2-1

Todas as dinâmicas apresentadas são consequência do processo de treinamento que levou os atletas a resolverem coletivamente o problema da ocupação do espaço aplicando as soluções que mais se aproximavam das suas possibilidades e características. A variação das plataformas dará ao treinador a possibilidade de ter a pressão alta como conteúdo de seu Modelo de Jogo, estando com um, dois ou três atacantes em campo. O princípio é o conceito da pressão alta, não a plataforma tática.

Referência Bibliográfica

Amieiro, N. (2005) Defesa à Zona no Futebol: Um pretexto para refletir sobre o jogar … bem, ganhando! Edição do Autor.

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