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Vamos inverter de propósito os termos da nossa análise, já apontando para a conclusão de que a Primeira Liga nasceu sob a égide do pecado original, que ‘transgenizou’ uma Copa de Nordeste que tinha um bom apelo de público e legitimidade histórica, e que era tida como um case de sucesso, mas que não se prestava para ser plagiada ipsis litteris.

À época da criação da Primeira Liga, já advertíamos que a Copa do Nordeste já enfrentava problemas, que a média de público declinava, e que mesmo as médias anteriores eram respaldadas e infladas por jogos finais com boa presença de público. Porém, também tínhamos jogos esvaziados, face às ausências de algumas das mais tradicionais equipes nordestinas, e que alguns clubes já começavam a reclamar das baixas cotas.

Como se não bastasse, o restabelecimento do critério geográfico, com as inclusões dos estados do Piauí e do Maranhão, em nada contribuiu para a manutenção da média de público. Ao contrário, fizeram-no decair.

Diante dessa realidade que os criadores da Primeira Liga pareciam desconhecer, eis que surge uma competição sem o devido planejamento, sem um estudo de viabilidade de público, sem uma conexão sistêmica com um calendário que já se mostrava de difícil execução e de pouco atrativo para um público cada vez mais globalizado e exigente.

Ademais, as competições não devem ser pensadas a partir de um viés predominante político. A motivação deve ser mais diversificada e os ideais que a orientam devem basear-se em racionalidade e alguma inovação.

Também creio que deve haver coerência no eixo geográfico que a inspire, a fim de que sua logística se opere com menos dificuldade e que sua rivalidade se legitime com mais facilidade.

As bases geográficas da Primeira Liga não foram trabalhadas nem do ponto de vista histórico nem suficientemente do prisma político. Ela já nasceu deficiente, amputada, enfraquecida e está para morrer por inanição. É mais uma competição que só se presta para mostrar a fragilidade de uma gestão compartilhada pelos clubes, evidenciando ainda os porquês da CBF ainda controlar sem oposição séria e consistente o futebol brasileiro.

A nosso juízo, a Primeira Liga tem conseguido frustrar rotundamente a já malfadada experiência do Clube dos Treze, que indubitavelmente foi bem ‘menos pior’ que essa experiência e do que o ‘Kalilismo’.

Sem livres pensadores e sem executivos independentes, dificilmente teremos algo verdadeiramente novo e inovador em nosso futebol.

Aliás, continuamos a ser um futebol em que os gestores não sabem primeiro dividir para depois multiplicar. Tanto que a Primeira Liga cometeu o velho equívoco de continuar dando aos ricos de modo a os deixar mais ricos.

Benê LimaCronista Esportivo, Rosacruz, Humanista, Membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará.

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Dionísio Alencar
Dionísio Alencar
3 anos atrás

Parabé na pelo texto.

Benê Lima
3 anos atrás

Grato pelo estímulo.

Tereza Lima
Tereza Lima
3 anos atrás

Aplausos para esse texto. Parabéns!!!!!

Benê Lima
3 anos atrás
Reply to  Tereza Lima

Tão somente um mote para reflexão. Obrigado.

Didi Vieira
Didi Vieira
3 anos atrás

Parabéns, Bené.

Benê Lima
3 anos atrás
Reply to  Didi Vieira

Grato, mix de atleta e comentarista.

Ionêda Ellery
Ionêda Ellery
2 anos atrás

Bom texto!
Sem querer sem excludente, acredito que a copa do Nordeste além ausência das maiores forças, incluíram outras sem nenhum qualidade. Enquanto a primeira liga excluiu demais e a análise foi feliz quando falou da posição geográfica dos participantes com formas de disputa “dando aos ricos de modo a os deixar mais ricos”.

Benê Lima
2 anos atrás
Reply to  Ionêda Ellery

Grato por seu comentário. Abraço.

Rian
Rian
2 anos atrás

Primeira Liga nasceu morta! Bela reflexão

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