CEFOR-UFJF

25/07/2016

Princípios relacionados ao modelo de jogo – sugestão de reformulação dos constructos técnicos, baseando-se em quatro princípios

O futebol é um esporte de natureza complexa, onde a diversidade e singularidade dos acontecimentos surgem a partir do confronto de dois sistemas concorrentes. O sistema é caracterizado pelo conjunto de agentes em interação, que cooperam, com objetivos e comportamentos comuns, buscando criar uma ordem e estabilidade nesse contexto caótico de desordem e instabilidade permanente (JOSÉ GUILHERME, 2014).

Na tentativa de diminuir a imprevisibilidade dos acontecimentos durante o jogo, as equipes procuram atender leis e princípios do jogo que norteiam as ações coletivas e individuais, buscando uma melhor gestão espacial do jogo, aqui entendido como tática.

Os princípios táticos são definidos como conjunto de normas comportamentais sobre o jogo que proporcionam aos jogadores a possibilidade de atingirem rapidamente soluções táticas para os problemas advindos da situação que defrontam (GARGANTA, PINTO, 1994).

Na literatura especializada diversas conceituações e terminologias são utilizadas, e todas convergem para uma ideia similar com três constructos teóricos: princípios gerais, operacionais e fundamentais.

Os princípios gerais, (i) não permitir a inferioridade numérica, (ii) evitar a igualdade numérica e (iii) procurar criar a superioridade numérica, se pautam nas relações espaciais e numéricas entre os jogadores da equipe e os adversários, nas zonas de disputa pela bola (QUEIROZ, 1983; GARGANTA; PINTO, 1994).

Os princípios operacionais são relacionados a conceitos atitudinais para as duas fases do jogo, sendo defensivos: (i) anular as situações de finalização, (ii) recuperar a bola, (iii) impedir a progressão do adversário, (iv) proteger a baliza e (v) reduzir o espaço de jogo adversário; e ofensivos: (i) conservar a bola, (ii) construir ações ofensivas, (iii) progredir pelo campo de jogo adversário, (iv) criar situações de finalização e (v) finalizar à baliza adversária (BAYER, 1994, p.145).

Por sua vez, os princípios fundamentais representam um conjunto de regras que orientam as ações individuais e coletivas a fim de desequilibrar a organização da equipe adversária e estabilizar a própria organização, em função ao que está ocorrendo no epicentro de jogo (local onde a bola se encontra num determinado instante “T” do jogo) e no centro de jogo (delimitado por um raio de 9,15 a partir do epicentro) naquele momento (COSTA et al., 2010). Na defesa os princípios são: (i) contenção, (ii) cobertura defensiva, (iii) equilíbrio, (iv) concentração e (v) unidade; e no ataque: (i) penetração, (ii) da mobilidade, (iii) da cobertura ofensiva, (iv) espaço e (v) unidade. (WORTHINGTON, 1974; HAINAUT; BENOIT, 1979; QUEIROZ, 1983; GARGANTA; PINTO, 1994; CASTELO, 1999; COSTA et al., 2010).

Temos também os princípios relacionados ao modelo de jogo, conceito utilizado por diversos autores, ainda que com nomenclaturas diferentes, e que se caracteriza como padrões de ação tática, de intencionalidades e regularidades, que a equipe e os jogadores devem manifestar nas diferentes escalas, durante os diferentes momentos de jogo de acordo com as ideias de jogo do treinador (GARGANTA, 2012; QUEIROZ, 1983; CASARIN et al., 2011). Essa operacionalização dos princípios ocorre em todos os níveis do jogo, individual, grupal, setorial, intersetorial e coletivo.

Desta forma, acreditamos na existência de 4 constructos teóricos, mantendo-se os supracitados princípios gerais, operacionais e fundamentais, e considerando os princípios relacionados ao modelo de jogo como um quarto constructo, como podemos observar na tabela abaixo.

Baseado nos referidos estudos, o Centro de Formação de Jovens Futebolistas da Universidade Federal de Juiz de Fora (CEFOR-UFJF), acredita na eficiência e eficácia de se criar uma sequência progressiva e pedagógica do modelo de jogo das suas equipes de formação, e, consequentemente, dos princípios relacionados aos mesmos. Este material está em fase final de produção e será apresentado em detalhes nas próximas postagens.

PRINCIPIOS RELACIONADOS AO MODELO DE JOGOO

A operacionalização dos princípios supracitados refletem o modelo de jogo da equipe, e que devem ser disseminados no ambiente de treino e de competição ao longo do processo de formação do futebolista. É necessário distribuir os conteúdos do jogo de maneira sistematizada ao longo do tempo, respeitando as características de crescimento, desenvolvimento e maturação biológica dos jogadores (BALYI et al., 2013; WEIN, 2004).

Uma vez que o cumprimento dos princípios de jogo pode se diferenciar durante os anos de formação, se faz necessária a adaptação da sua presença, ou seja, do modelo de jogo de forma condizente a zona de desenvolvimento em que os atletas se encontram (TAMARIT, 2007; GOMES, 2008).

Comentários

  1. Olá, a iniciativa do texto é muito pertinente, pois é fundamental uma consonância dos termos utilizados por nós, aqui no Brasil, até para facilitar e potencializar o processo de formação.

    Porém, na leitura do texto me surgiram algumas dúvidas, por exemplo: os conceitos utilizados nos Princípios Fundamentais, aparecem novamente no quadro dos princípios relacionados ao modelo de jogo. São a mesma coisa? Se sim, por que aparecem em dois momentos distintos? E se não, por que utilizar a mesma palavra?

    Obrigado.

    • ALex Nascif disse:

      São sim Vinicius. Mas, é importante saber em quais momentos do jogo cada principio fundamental aparece. Exemplo: Sera que o principio de penetracao so aparece na organização ofensiva, ou como dizem, fase ofensiva? Entendeu a ideia? Abss

  2. Bebeto Stival disse:

    Vejo uma complexidade de nomes que poucos irão entender o seu real significado. O futebol poderia ser construído com menos dizeres, tão difícil as vezes de entende-los. De todos os conceitos mencionados acima no quadro, que tal resumirmos boa parte e tornar o futebol mais fácil de ser jogado e conduzido. Deu para notar que sou um amante a moda antiga, tenho 59 anos, e tive a oportunidade de ver coisas fantásticas, que vocês que escrevem de forma tão complexa, não tiveram a oportunidade de ver como realmente se joga futebol. O futebol precisa apenas de jogadores pensantes, habilidosos e essencialmente técnicos para cobrir todos os dizeres acima descritos. Hoje vejo uma fábrica de máquinas corredoras, fortes e aplicadas, que tentam conduzir uma bola induzidos por formulas laboratoriais de jogar futebol. Vejo hoje um futebol robotizado por formulas pouco compatíveis com esse esporte, que é um espaço que deveria ser ocupado por verdadeiros artistas, malabaristas da bola. O futebol já foi um teatro a céu aberto,,,,uma pena!!!!

    • Márcio disse:

      Parabéns pelo comentário. disse tudo o que tinha pra ser dito com extrema elegância nas palavras. O futebol está realmente uma M…… atletas cada vez mais fortes e burros, só sabem fazer o que lhe é programado a fazer. Zagueiros Brutamontes, Meias sem criatividade e atacantes Trombadores é o que restou.

    • ALex Nascif disse:

      Meu caro, o futebol evoluiu. Voce diz que precisamos de jogadores inteligentes. Concordo com voce. Como se produz um jogador inteligente? O bebe ja nasce inteligente?? Pois bem, os principios sao os norteadores do processo de formação do jovem futebolista. Sao atraves desses principios que criamos treinos embasados, gerando um desafio ao atleta e consequentemente uma evolucao cognitiva, que no palavriado esdrúxulo é a inteligência. Hoje em dia, virou moda o mini jogo, porem um mini jogo sem embasamento em principios, é apenas uma pelada organizada. Grande abraço amigo

    • ALex Nascif disse:

      evoluiu. Voce diz que precisamos de jogadores inteligentes. Concordo com voce. Como se produz um jogador inteligente? O bebe ja nasce inteligente?? Pois bem, os principios sao os norteadores do processo de formação do jovem futebolista. Sao atraves desses principios que criamos treinos embasados, gerando um desafio ao atleta e consequentemente uma evolucao cognitiva, que no palavriado esdrúxulo é a inteligência. Hoje em dia, virou moda o mini jogo, porem um mini jogo sem embasamento em principios, é apenas uma pelada organizada. Grande abraço amigo

  3. Elver disse:

    Olá, gosto muito deste estudo do (Garganta, Bayer e Pinto, 1994), sou utilitário deste processo/conceito e apenas pra contribuição percebi a falta de uma unidade “ímpar” chamada APOIO que é um princípio específico (momento do jogo) que trabalho muito em meus projetos e acho um entre os dois principais princípios para o ensino do futebol, att.

  4. lucas delmiro da silva lima disse:

    jogo muito 14 anos so atacate chuto cou as duas

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