Universidade do Futebol

AAREFut

08/06/2014

Princípios defensivos no futebol – “Bloco Alto”

Hoje mostrarei alguns detalhes sobre como funciona a minha defesa quando os jogadores estão pressionando o adversário no campo de ataque, a chamada “pressão alta”, com a bola e a ocupação dos espaços como referência de marcação, no 1-4-3-3.

Como escrito no artigo anterior sobre PRINCÍPIOS DEFENSIVOS, para defender bem, a equipe deve estar compacta, pressionar intensamente a bola e especialmente no caso da pressão no campo do adversário é imprescindível uma excelente cobertura defensiva por parte do goleiro. Veja o exemplo no vídeo abaixo:

A minha ideia de defesa é direcionar a bola para os lados do campo e lá realizar a pressão no adversário. Para que isto seja possível, os 11 jogadores devem estar atentos às suas funções táticas de acordo com a posição da bola, que varia o tempo todo.

BOLA NO MEIO

No exemplo acima (equipe amarela), com a bola centralizada utilizamos um 1-4-2-3-1, onde há o goleiro, a linha dos quatro defensores, a linha dos meias centrais, a linha do meia ofensivo com os atacantes laterais e mais a frente, a linha do atacante central. Como a bola está centralizada, há uma intensa ocupação espacial no corredor central de jogo.

BOLA NOS CORREDORES LATERAIS

Quando a bola está em um dos lados do campo, a equipe “desfaz” a LINHA DE QUATRO DEFENSORES, adiantando o LATERAL DO LADO DA BOLA para ele ocupar o espaço nas costas do ATACANTE LATERAL DO LADO DA BOLA, com este posicionamento, o MEIA CENTRAL DO LADO DA BOLA pode ocupar a área central do campo junto com o outro MEIA CENTRAL DO LADO OPOSTO e o MEIA OFENSIVO, criando uma ocupação espacial interessante no setor.

No caso da figura acima, no lado direito da defesa é iniciada a pressão agressiva na bola, cumprindo simultaneamente as funções abaixo:

1- ATACANTE CENTRAL (AC), é quem “dá o sinal” para a equipe se adiantar. Após direcionar a bola para uma das laterais, não pode permitir que a bola volte para o meio.

2- ATACANTE DO LADO DA BOLA (AE), pressiona agressivamente a bola e não pode permitir que a bola passe no seu corredor (bola paralela).

3- MEIA OFENSIVO (MO), não pode permitir que a bola entre em progressão na diagonal.

4- MEIAS CENTRAIS (MCD E MCE), formam a base de uma espécie de triângulo que “aponta” para a bola com o MEIA OFENSIVO (MO) e assim como ele, também não podem permitir que a bola entre em diagonal “para dentro”.

5- O LATERAL DO LADO DA BOLA (LD), se adianta e cobre o espaço nas costas do ATACANTE DO LADO DA BOLA (AE), sendo o primeiro a intervir caso haja algum problema (drible ou passe na paralela) com seu companheiro mais adiantado.

6- Os DEFENSORES CENTRAIS (ZE E ZD) fazem o balanço para o lado da jogada e ocupam o espaço central nas costas do LATERAL DO LADO DA BOLA (LD).

7- O ATACANTE DO LADO OPOSTO DA BOLA (AD) e o LATERAL DO LADO OPOSTO BOLA (LE) fazem o balanço para o centro do campo e, no caso de uma virada de bola, são os primeiros a intervir, tirando o tempo e espaço do adversário, enquanto seus companheiros reajustam seus novos posicionamentos.

8- O GOLEIRO também faz o balanço para o lado da bola e ocupa o espaço deixado pela linha defensiva que se adiantou, fazendo a cobertura defensiva.

No caso desta figura, a pressão agressiva na bola agora é iniciada do lado esquerdo, com os jogadores “fora de posição” (AD na posição do AE, MCE na posição do AC, MCD na posição do MO, MO na posição doMCE, AC na posição do MCD e AE na posição do AD), mas cumprindo todas as funções necessárias.

É fundamental que os jogadores saibam o que os outros jogadores têm que fazer, que saibam o que o seu papel tem a ver com a unidade defensiva da equipe. Quando os jogadores sabem claramente o seu papel, todos sabem onde está o erro e todos trabalharão em conjunto para consertá-lo. Não interessa aqui achar culpados, mas corrigir rapidamente o erro (ou os erros) para que estes não se tornem gols do adversário.

A cada drible, a cada passe, a cada desequilíbrio causado pelo adversário, de acordo com a nova posição da bola, a equipe tem que se reorganizar no menor tempo possível de forma compacta para novamente pressionar a bola e tentar roubá-la. Quando todos sabem o que a equipe tem que cumprir quando a bola está em determinado local, todos devem ser polivalentes. Não estou me referindo à polivalência do jogador jogar um jogo como lateral e outro como volante, mas sim à polivalência momentânea que o jogo exige lance a lance.

Os “desenhos táticos” em teoria são belíssimos, na prática também podem ser, mas tem que se treinar muito… e treinar bem! Nesta relação entre defender bola na lateral, defender bola no meio, roubar a bola, ficar com a bola e transformar esta posse de bola em gols, o determinante é como estes posicionamentos se articulam dentro do jogar da equipe e o tempo que estes levam para serem cumpridos dentro da exigência imediata do jogo. Quanto mais “parecidas” (forma de atacar, defender, contra-atacar, defender contra-ataque…), mais passíveis de execução em velocidade e sem dúvida com maiores chances de sucesso.

Para concluir, deixo abaixo algumas passagens retiradas do trabalho final do português Nuno Amieiro, sobre DEFESA À ZONA, da Universidade do Porto…

“Todos os treinadores falam de movimento, de correr muito. Eu digo não corram tanto. O futebol é um jogo que se joga com o cérebro. Tens de estar no local certo no momento certo, nem antes nem depois.”
Johan Cruyff

“Quando pressionamos alto não temos que descer a equipa toda, isto é, evitamos que os jogadores façam cinquenta metros para trás, para depois fazerem cinquenta metros para a frente, e assim sucessivamente durante o jogo todo, talvez só façamos dez a quinze metros, ou vinte a trinta metros, e esta diferença de distâncias a percorrer permanentemente durante o jogo é muito significativa. Ainda que o grau de dificuldade de fazer pressão alta à zona seja muito grande, o desgaste energético por ela provocado não é tão grande quanto as pessoas pensam. Fazê-lo com qualidade é difícil e demora-se bastante tempo a consegui-lo, agora, a partir do momento em que se consegue fazê-lo, o desgaste energético é muito menor do que andar para trás e para a frente, para trás e para a frente…”
José Guilherme de Oliveira

Concordo plenamente com Cruyff e o José Guilherme Oliveira…

 

*Alberto Tenan é mestrando em Treino Desportivo (ULHT – Lisboa)
 

Comentários

  1. anderson disse:

    no caso dessa pressão alta uma saída para o adversário é fazer com que os zagueiros fiquem bem abertos e fazendo com que o volante entre na área , formando uma linha de 4 atrás daquele que esta sendo pressionado sendo o lateral de alguns dos lados . porque assim terá 2 apoios próximos um zagueiro e o volante dentro da área , também fazendo assim com quem um dos meias entre no espaço do volante que entro na área como apoio fazendo com que a que esta sendo pressionada consiga sair dessa pressão alto lógico desde que a equipe tenha qualidade dos jogadores no passe .. assim como fez Audax de Fernando Diniz

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