Universidade do Futebol

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09/06/2018

Processo de Desenvolvimento de Jogadores de Futebol: a formação sócio-moral e os ambientes de interação

O clube pode ser transformador de pessoas, ao poder criar uma microsociedade dentro dele

Nos últimos dois textos, levantei a discussão sobre dois aspectos do processo de desenvolvimento de jogadores de futebol que julgo importantes: a formação atlética e a formação educacional. Hoje encerro com algumas considerações a respeito da formação sócio-moral e incluo uma figura que pode resumir parcialmente as minhas ideias de clube de futebol, sob a ótica do desenvolvimento de jogadores de futebol.

 

Para compreender a figura, delimitei alguns ambientes de interação nos quais os jogadores convivem dentro de um clube. Para retomar ao primeiro texto, sobre a formação atlética, reitero que entendo o atleta como uma maneira singular de viver, que não se encaixa nem em uma profissão e nem em uma categoria. Para mim ser/formar-se atleta está mais relacionado a um estilo de vida, ou melhor, a uma filosofia, que implica em adquirir comportamentos referentes ao treino, ao sono, a alimentação, a consciência corporal e a saúde holística. Temos poucos atletas de futebol de forma integral, porquanto a necessidade de uma formação atlética no desenvolvimento do jogador de futebol.

A esse nível de atuação, denominei na figura de ambiente de treino. Tudo que está envolto ao ambiente de treino e está relacionado a formação do jogador-atleta, tendo em vista a cultura de jogo e a cultura de atleta do clube.

No segundo texto, o foco foi a formação educacional. E não teve como discutir a formação educacional – que de fato não existe de forma excelente nos clubes – se não fosse pelo viés de apresentar barreiras que ainda temos que ultrapassar para que ela aconteça.

Um segundo nível mais amplo envolve as demais camadas, o qual chamei de ambiente de aprendizagem: que é todo o tratamento oferecido pelo clube, da saúde dos jogadores, passando pelos conceitos de jogos, formação atlética e educacional, que lhes permitem cultivar ensinamentos do mundo dentro e fora do futebol. É tudo que, intencionalmente, é voltado à educação dos jogadores e estuda os problemas relacionados com o seu desenvolvimento como um todo, como jogador-atleta-serEducado.

Continuando hoje com a discussão, aponto um ambiente abstrato no clube, que tem a ver muito com o ambiente relacional, que denota características dos valores morais e éticos, portanto, da filosofia, de um constructo histórico das direções antepassadas e que atingem um terceiro nível de formação dos jogadores de futebol, a formação sócio-moral. Neste nível, é objetivo do clube que o ambiente de aprendizagem transcenda as barreiras do jogo para trabalhar os conceitos e valores intrínsecos ao esporte: a cooperação, o respeito mútuo, a solidariedade, a inclusão social, o exercício da cidadania; para garantir e aprimorar o desenvolvimento humano.

Os jogadores e qualquer outro funcionário do clube devem estar envoltos por esse ambiente maior, chamado de ambiente de convívio. É notável ver a forma que um jogador chega em um clube e a forma como ele sai, já com sua formação moral construída a partir das ideias de “pessoa sócio-moral” que o clube entende ser a mais adequada. Esses ensinamentos refletem-se nos demais setores sociais que o jogador interage, formando o jogador-atleta-serEducado-serConsciente. Inclusive, esse ambiente proporciona o mesmo a todos os demais funcionários que ali convivem, sinalizando para o fato de como o clube pode ser transformador de pessoas, ao poder criar uma microsociedade dentro dele, ao pensar intencionalmente no ambiente de convívio que oferece e ao formar pessoas para a vida.

Os profissionais responsáveis engajados no processo de ensino-vivência-aprendizagem-treinamento de jogadores, têm a oportunidade de tornar-se um modificador positivo da vida dos jovens e impactar de diferentes maneiras suas vidas. O desenvolvimento psicossocial e o aflorar de traços de caráter, tais como: trabalho em equipe, disciplina, liderança, auto-controle, auto-eficácia, espírito esportivo e cidadania, são valores sócio-morais importantes; devem ser norteadores da formação que o clube proporciona ao jogador.

Por fim, o processo de desenvolvimento de jogadores passa pela concretização de um ambiente de treino, relacionado a formação dos conteúdos do jogo e da formação atlética e guiado pela lógica do jogo, pela resolução de problemas e conflitos dos jogadores, pela autonomia e liberdade para criar, portanto, pelo aprender jogando, errando, refletindo, tentando, assimilando os erros e acertos. Quando aliados a formação educacional, cria-se um ambiente de aprendizagem. E mais do que isso, o clube pode oferecer ao jogador em processo de iniciação e desenvolvimento um ambiente de convívio, um espaço-tempo em que goste de estar e conviver, no qual possa aprender mais do que os aspectos derivados do jogo e de toda a sua lógica tática-técnica-física-psicológica.

O assunto rende muitos textos, mas em suma, essa é minha visão sobre o processo de desenvolvimento de jogadores de futebol. Se você concorda, discorda ou quer acrescentar algo, fique à vontade para interagir.

Até a próxima…

 

Comentários

  1. muito bom o seu assunto bruno,principalmente no mundo que vivemos,e muito importante sabermos a conviver com o proximo,porque a mente humana e dificil de entender….

  2. Antonio Rodrigues Leao Barbosa disse:

    Excelente todos assuntos comentados,parabens

  3. Marconi de Moura Júnior disse:

    Parabéns pelo artigo desenvolvido,visando um cidadão ético para o futuro.

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