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08/08/2007

Protetor bucal também pode ser usado por jogadores de futebol

A prevenção e o tratamento das lesões no esporte são fundamentais para a saúde dos atletas, impedindo conseqüências catastróficas provenientes de lesões mais graves e facilitando um breve retorno às atividades ligadas ao futebol.

Assim, visando a proteção dos jogadores, é importante que sejam adotados alguns métodos preventivos, através de projetos de equipamentos protetores ideais para cada modalidade e a conscientização de técnicos, juizes, professores de educação física e profissionais de saúde, que podem ajudar a minimizar eventuais lesões comprometedoras.

Os traumatismos dentários são os acidentes mais comuns entre os que ocorrem na face, durante as competições de contato, sendo que em sua maioria eles envolvem os dentes anteriores superiores, chegando a provocar, além de problemas de fraturas, até a perda do elemento dental.

Em estudo epidemiológico realizado no Brasil sobre esportes de contato, membros da Apod (Associação Paulista de Odontologia Desportiva) entrevistaram atletas de várias modalidades esportivas – boxe, handebol, basquete, kung fu, jiu-jítsu, kickboxing, caratê e futebol. Concluíram que 73% sofreram lesões orofaciais, sendo que 60% em tecidos moles, 16% correspondendo a traumatismos dentários, 9% a fraturas maxilares e mandibulares e 15% a lesões combinadas.

Ao mesmo tempo em que se estuda as várias incidências e ocorrências das lesões esportivas, principalmente as orofaciais, também há uma preocupação com as pesquisas com relação ao melhor tipo de protetor.

Tempos medievais

Data dos tempos medievais a idéia de proteção corporal, por meio das chamadas armaduras que, confeccionadas de latão e utilizadas por cavaleiros em conflitos da época, tinham o intuito de prevenir injúrias, anseio que se perpetua até a era moderna, já que em certas modalidades de esportes o equipamento de proteção faz parte do uniforme do atleta.

A proteção dos tecidos orais durante os esportes de contato foi registrada pela primeira vez em 1913, por um boxeador inglês, Ted “Kid” Lewis, que utilizou um aparato feito de guta-percha. Desde aquela época, a utilização de protetores bucais e, em alguns países, de capacetes, tornou-se obrigatória no boxe.

Na década de 20, passaram a ser idealizados os primeiros protetores intra-orais, que foram confeccionados de borracha (tipo I) cortada no formato básico do arco superior e que eram mantidos no local pela oclusão individual do esportista, sendo os pugilistas os primeiros a utilizá-los em 1942.

Os mais utilizados no Brasil

Esse tipo de aparato é hoje representado pelo chamado protetor de estoque, que pode ser adquirido em casas especializadas. Cabe aqui mencionar outros tipos de protetor, os termos-ajustáveis (Tipo II), que necessitam aquecimento em água para que o material se plastifique, adaptando-se à cavidade oral sob a orientação de um cirurgião-dentista, sendo o mais utilizado no Brasil pela facilidade de aquisição e custo.

Finalmente, chegamos aos chamados de última geração ou pré-individualizados (Tipo III e Tipo IV), que são protetores confeccionados individualmente por um cirurgião-dentista e de aquisição limitada em conseqüência de seu custo e a baixa conscientização dos usuários em potencial.

Os protetores bucais feitos sob medida ou encomenda são confeccionados após a obtenção geralmente do modelo da maxila do paciente, em aparelhos a vácuo ou injeção de materiais a alta temperatura , com placas de vários materiais e cores.

Os mais usados são os materiais de vinil termoplástico que estão disponíveis em espessuras de 3 a6 milímetros. Muitos estudos mostraram que esse tipo de equipamento é mais confortável que outros, pois se adaptam melhor, têm melhor retenção e distribuem melhor as forças de impacto, dando maior segurança ao usuário.

Estudos também concluíram que os diversos protetores existentes, os individualmente confeccionados (Tipos III e IV), apresentam uma enorme superioridade em relação aos de estoque (Tipo I) e aos termos-ajustáveis (Tipo II), graças ao seu maior conforto, à melhor adaptação e à baixa deformidade. Os autores concluíram que os protetores devem ser de fácil confecção, não podem influir no desempenho do atleta como a respiração e devem, principalmente, possuir uma extensão de proteção às estruturas da mandíbula.

Hoje é possível adquirir protetores bucais individuais muito superiores aos de estoque ou esquenta e morde, que são utilizados pela maioria dos atletas, mas como diz o ditado “um homem prevenido vale por dois”. Portanto, o importante é usar o protetor, seja ele qual for.

Bibliografia

BARBERINI A. F.; AUN C.E.; CALDEIRA C. L. Incidência de injúrias orofaciais e utilização de protetores bucais em diversos esportes de contato. Revista de Odontologia – Unicid, v. 14, n° 1, jan/abr, 2002.
CANTO, G. L.; OLIVEIRA, J.; HAYASAKI, S. M.; CARDOSO, M. Protetores bucais: uma necessidade dos novos tempos. Revista Dental Press. Ortodontia e OrtopediaFacial, v. 4, n° 6, p. 20-26, nov/dez, 1999.

Comentários

  1. Angelica disse:

    Matéria muito importante. Segurança e fundamental. Capacetes protetores bucais. W outros, parabéns Dr Barberini.

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