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18/07/2015

Psicologia da performance – o quarto fator

No desenvolvimento do futebol como ao longo da história, a excelência em três fatores foi sempre determinante para o sucesso de qualquer atleta e equipe. Os fatores Físico, Técnico e Tático sempre estiveram em evidência e por muito tempo acreditou-se serem os únicos responsáveis entre o sucesso e o fracasso dentro de campo.

O fator Psicológico ainda recebe alguma resistência dentro do futebol, entretanto vem ganhando importância nos últimos anos devido a resultados expressivos de atletas em outros esportes, e de performances coletivas brilhantes de equipes e seleções em torneios de máxima importância.

No caso do futebol Brasileiro, além da resistência por parte de alguns profissionais, a utilização da Psicologia do Esporte no futebol Brasileiro atualmente ocorre de uma maneira imediatista e despreparada, considerada apenas em casos extremos onde todos os outros três fatores não surtiram efeito desejado.

Como exemplo prático, apenas em 2014 observamos publicamente a Seleção Brasileira, a SE Palmeiras e a Portuguesa de Desportos utilizarem profissionais da área da Psicologia visando melhoria de performance. Ambos utilizando a mesma pratica que, além de não obter o resultado esperado, ainda evidenciou questões atípicas de completo descontrole emocional como excesso de choro em campo, cartões desnecessários, falta de foco e confiança dentro de campo.

Isso porque assim como na Psicologia convencional, a Psicologia do Esporte não possui efeito positivo se aplicada apenas quando a necessidade esta aparente, em outras palavras, psicólogo desportivo não possui a mesma eficácia que um bombeiro possui para “apagar o fogo”. O trabalho do Psicólogo Desportivo obtém resultados positivos quando for continuo, como parte integrante das comissões técnicas do clube e atuando com os atletas dentro de sua zona de conforto em todos os momentos necessários.

Parte do sucesso esta em estabelecer um laço de confiança entre psicólogo e atleta, e para isso são necessários alguns detalhes como; convivência frequente com os atletas, atuação não apenas em palestras motivacionais esporádicas, mas também dentro de campo em dias de jogos e treinos, e confidencialidade e confiança mutua. A correta introdução da Psicologia do Esporte num determinado ambiente é responsabilidade do “Manager” de Futebol, que deve ser capaz de identificar um profissional compatível com as características do staff técnico e grupo de atletas.

Uma das maiores dificuldades da psicologia desportiva mal introduzida recai sobre os atletas, a maioria dificilmente reconhece que possuem alguma fraqueza psicológica que pode afetar seu rendimento e ao invés de buscar um auxilio para melhorar a performance, preferem esconder seus problemas durante a carreira para depois lidar com eles na já sofrida aposentadoria. No meio do futebol “psicólogo” ainda é visto com desconfiança pela maioria dos atletas pois acreditarem que treinador nenhum confia em jogador “louco” ou com “problemas psicológicos”.

Ha também a relação entre treinadores e psicólogos, que geralmente não é a mesma que com os outros membros da comissão técnica, limitando a ação do psicólogo desportivo dentro da zona de conforto do atleta, onde os resultados seriam mais eficazes.

A interação entre treinador e psicólogo é fundamental para o sucesso, o treinador tem uma personalidade que geralmente transparece de forma idêntica para todos os atletas, entretanto cada treinador tem em media 35 atletas com 35 personalidades diferentes, logo um grito que funciona para motivar um atleta, pode destruir psicologicamente outro. Nestes momentos a percepção de um psicólogo desportivo se torna fundamental dentro de campo, ele sabe perfeitamente como cada atleta responde as cobranças e pode orientar treinador e atletas a extraírem o máximo tanto de si como dos outros.

Por ser considerada apenas o quarto fator numa escala que constitui o preparo ideal de atletas e equipes de sucesso, a Psicologia do Esporte ainda é tratada como novidade para maioria dos profissionais do futebol. Mas não ha segredo; quando aplicada corretamente, continuamente e com confiança dos profissionais envolvidos, é capaz de melhorar a performance de atletas e equipes, acarretar títulos e ajudar a formar craques.

* Treinador formado pela Uefa, CBF e Fifa, pós-graduado em Psicologia do Esporte nos EUA e MBA em Gestão Desportiva na Universidade Anhembi-Morumbi.

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