Psicologia do esporte e crenças no futebol

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade
Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade

O futebol é uma das modalidades que mais sofre interferências das superstições, crendices, rituais, religiões, ou formas de sugestionamentos, através das aquisições comportamentais do meio cultural. O atleta se vincula a esse tipo de comportamento buscando elevar seu rendimento, pois se acredita que essa prática irá ajudá-lo no alcance de suas metas.

Nas sociedades tradicionais, as práticas corporais, assim como todas as atividades sociais, estiveram fortemente marcadas pela influência da religião. A religião constituía-se no primeiro discurso, no centro, que totaliza o sentido das práticas sociais e culturais e as dota de significação (WEIS, 1979 apud BRACHT, 1999).

Para SINGER (1982), o comportamento supersticioso é considerado como uma rotina de rituais desempenhada em situações específicas. Para o praticante desses rituais, espera-se que ele aumente a probabilidade de ganhar, de se salvar, de estar seguro, ou de obter o melhor dos resultados possíveis. Pode-se perceber o estabelecimento dessa rotina ritualística por estar associada ao sucesso, ou seja, o individuo só terá sucesso em suas atividades se ele praticar, de forma particular, o ritual ou os rituais.

Esses comportamentos são reforçados à medida que os resultados desejados se confirmem. A partir disso, existe uma tendência dos comportamentos supersticiosos a se repetirem em outras situações futuras que lhe pareçam similares.

As crenças atuam de diferentes maneiras, interferindo no estado emocional dos jogadores de futebol. O futebol é uma modalidade que sofre muitas interferências com a cultuação destas manifestações, sendo utilizadas pelos atletas para estimulá-los na busca de coragem para superar a insegurança e a instabilidade emocional durante as atuações esportivas. Fatores emocionais como medo do fracasso, adversário, torcida, derrota e até da vitória colocam os atletas em situação de estresse físico e emocional. Superar estas instabilidades, apoiando-se em crenças, ocorre pela necessidade de adquirir segurança para enfrentar a pressão psicológica da competição.

Segundo RETONDAR, 1997 não há nenhuma existência humana que não traga consigo qualquer tipo de influencia religiosa e que não se manifeste em seu comportamento. Um exemplo no esporte, nesse caso no futebol, é o comportamento de fazer um sinal ao entrar no local de competição, esse pode indicar a sacralização do local.

Para Jung (1983), sobre alguns dos significados da santíssima trindade, ele ressalta que uma grande parcela das pessoas que fazem o sinal da cruz não pensam muito sobre seu significado – o sinal é feito muitas vezes por costume ou por acreditar que ele traz sorte e até inconscientemente.

Portanto, é importante a análise sobre a influência da conduta supersticiosa e dos rituais na vida do atleta de futebol. Tal busca justifica-se diante a necessidade do conhecimento que o treinador e demais membros da comissão técnica têm, através da Psicologia do Esporte, em estabelecer relações com o atleta, aplicando seus fundamentos sobre o assunto.

As observações sobre o comportamento gestual e transcrições de depoimentos, no treinamento e na competição, nos possibilita acreditar que o atleta de futebol realiza esses gestos de rituais e comportamentos supersticiosos fundamentalmente sem reflexão dos seus significados. Provavelmente, em conseqüência da falta de conhecimento, já que se trata de uma crença irracional, que tal atitude influencia no aumento de seu rendimento, ou, pelo menos, no resultado final favorável, seja em sua participação individual e/ou coletiva.

A amplitude de conteúdo pertinente ao tema é enorme. Que existe uma sobreposição entre Psicologia do Esporte e outras áreas é evidente e inevitável. Mas o principal resultado dessa efervescência intelectual foi o reconhecimento da ciência do comportamento humano como um substituto parcial para práticas até então baseadas no senso comum, instinto, tradição, crenças populares e meias-verdades (SINGER, 1982).

De qualquer forma, as crenças podem favorecer o atleta, dando-lhe a possibilidade de direcionar sua atenção concentrando-se em seus objetivos, motivando-o para a competição e colaborando para a redução da tensão e ansiedade. Porém, tal prática proporciona a fixação da idéia que os resultados dependem de influências que fogem do seu controle e conhecimento. Assim como na diminuição da confiança, pois o alcance de sua meta não depende de seus méritos e esforços.

Também, observa-se familiarização maior com o uso desses recursos para superar as alterações dos estados emocionais, que propriamente valorizar um programa de preparação psicológica, demonstrando, assim, desinformação sobre o assunto e uma porcentagem significativa de condutas preconceituosas. Associado e reforçado pelo sucesso, os comportamentos supersticiosos tendem a aumentar a possibilidade de rotinas incomuns, de maneiras a se tornarem contínuas e religiosamente seguidas, como citado anteriormente. No entanto, em alguns casos, quando não reforçados pelo sucesso, eles são abandonados ou substituídos por outros em situações onde se espere uma melhora e em situações de desespero.

“O jogador acredita que pode se comunicar com os deuses” (RETONDAR, 1997). Ou melhor, segundo ele mesmo, o jogador, para entrar no jogo, necessita construir um mundo ficcional. Alguns atletas constroem a crença de que estão em contato com os deuses e de que eles fornecem pistas seguras para o seu sucesso. E essa crença é tão forte que os jogadores vêem no fracasso, não o fracasso dos deuses em ajudá-los, mas a sua própria incompetência em associar devidamente os sinais recebidos e, assim, sua fé fica inabalada.

Referências bibliográficas

BRACHT, V. Educação Física e Ciência – cenas de um casamento (in)feliz. Editora Unijuí, Ijuí. 1999. 160p.

JUNG, C.G. Psicologia da religião ocidental e oriental. Petrópolis. 2a edição. Ed. Vozes, 1983.

RETONDAR, J.J.M. Jogo: Diálogo do homem com o invisível. Revista Motrivivência, ano IX, n.10, p.215-223,1997.

SINGER, R. N. Psicologia dos esportes: mitos e verdades. 2a.edição. tradução: Marina T.B. Porto Vieira. São Paulo: Harper & Row do Brasil, 1982.

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email
Share on pinterest

Deixe o seu comentário

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Mais conteúdo valioso