Universidade do Futebol

Gustavo D’Avila

20/02/2014

Racismo no futebol, discriminação racial ou social?

Nesta semana, minha coluna não falará sobre coaching, gestão ou desenvolvimento humano especificamente. Um dia quando Martin Luter King Jr discursou em Washington, disse a celebre frase “Eu tenho um sonho”, que acabou tornando-se um marco na luta contra o racismo no mundo.

Infelizmente, apesar da distância do ano de 1963, ano do citado discurso acima, presenciamos diversas manifestações de racismo no mundo, tanto no ano passado como recentemente ocorrido com o atleta profissional Tinga.

É vergonhoso nos depararmos com seres humanos que ainda demonstram tal atitude preconceituosa e desrespeitosa para com outro ser humano apenas pela cor de sua pele.

Mas amigo leitor, quero aproveitar o momento deste fato triste para falar de Brasil e do futebol, me permitindo ir um pouco mais além da questão racial.

Somos um país de culturas e raças misturadas, numa fórmula mágica que por sua essência nos daria uma base humana diferenciada para melhor, pois não somos humanos formados exclusivamente pela genética indígena, ou asiática, ou africana, ou americana, ou europeia, somos formados por todas elas juntas e muito bem entrelaçadas. Então, com estes episódios de racismo uma questão vem à minha mente: em nosso país e no esporte mais popular que temos há uma ponta de discriminação racial ou na verdade sofremos uma grande discriminação social?

Penso que esta questão no mínimo nos traz uma reflexão, como o futebol e as demais modalidades esportivas praticadas no Brasil poderiam ser uma forma de proporcionar mais igualdade social aos que aqui nascem e vivem?

Se não possuímos políticas públicas adequadas para o desenvolvimento social do nosso país, desenvolvimento verdadeiro eu digo aquele que se sustenta a longo prazo, talvez caiba ao esporte tentar algo mais em benefício dos socialmente excluídos.

No meu ponto de vista, o esporte como política de inclusão social, promoção da saúde e qualidade de vida deveria ser alvo de mais fomento e seriedade no seu trato. Não podemos pensar apenas em desenvolver atletas para Copas do Mundo e Olimpíadas, mas sim para desenvolver pessoas de bem na sociedade, igualmente capazes de tornarem-se produtivas economicamente e ativas socialmente, tornando-se partes de uma engrenagem na qual pudéssemos contribuir para que o Brasil fosse uma nação de respeito humano, livre de corrupção e impunidade.

Então, amigo leitor, e que também acredito ser apaixonado pelo futebol e o esporte de maneira geral, eu digo: Eu também tenho um sonho! O sonho de ver o esporte no Brasil como alavanca para o surgimento de uma nova nação, consciente e socialmente respeitosa pelo direito alheio e pela igualdade de direitos, independente de nossa cor, raça ou credo.

E você, também gostaria de sonhar?

Até a próxima e #FechadoComOTinga.

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