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07/10/2014

Reflexões sobre a Copa do Mundo de 2014 e o futuro do futebol brasileiro – parte I

Depois do estrondoso Alemanha 7 x 1 Brasil, o “modelo alemão”, para muitos virou, a solução para todos os problemas do futebol brasileiro.

As recentes medidas adotadas pela CBF, como a substituição do treinador e do coordenador técnico, mostram que os anseios de mudança ainda não foram atendidos. Mas o desempenho da seleção brasileira e a forma como encerramos a Copa do Mundo na nossa própria casa enseja uma reflexão importante sobre o futuro, não só da Seleção, mas do futebol nacional como um todo.

Precisamos verificar melhores práticas globais e adaptá-las à nossa realidade. Adaptar não significa copiar, mas sim usar o que existe de melhor dentro da lógica e do processo de evolução do próprio futebol brasileiro.

No Brasil, assim como na maioria dos países, a base do futebol são os clubes. A partir deles que o sucesso do futebol brasileiro foi construído. E antes que se atirem pedras, vamos refletir sobre quais instituições do nosso país ou do mundo afora chegaram vivas aos 100 anos? Pois os clubes de futebol brasileiros estão vivos. Enfrentam crises e a atual não é irrelevante, mas seguem obtendo resultados esportivos importantes.

Nas últimas 10 edições da maior competição sul-americana de clubes, a Taça Libertadores da América, foram seis títulos. No Mundial Interclubes, das últimas onze edições quatro clubes brasileiros sagraram-se campeões mundiais. Apenas um clube alemão ganhou o mundial nesse período. Essas marcas não podem ser esquecidas, especialmente se compararmos as disparidades de orçamentos dos clubes brasileiros com os europeus.

O aumento das receitas dos clubes brasileiros, bem como dos valores das suas marcas é crescente. Atestando que, mesmo com muitas coisas a melhorar, o desempenho fora de campo não pode ser desprezado. De 2003 a 2013, os 20 maiores clubes do Brasil atingiram um crescimento de 375% de suas receitas*.

Estudo recente da BDO RCS Auditores Independentes (7° Estudo das Marcas dos Clubes Brasileiros) revela que o valor da marca dos 30 maiores clubes brasileiros passou de R$ 4,19 bilhões em 2010 para R$ 7,39 bilhões em 2014.

Temos muito a evoluir em termos de gestão, em sólidas e novas fontes de financiamento e, claro, em técnicas contemporâneas dentro de campo, como uso de novas tecnologias e abordando o aspecto emocional como central para o desempenho dos atletas, mas fazer terra arrasada com instituições que obtêm conquistas internacionais relevantes e de forma consistente certamente não é a melhor opção.

A fim de contribuir no debate atualmente travado, com foco no futebol nacional, acreditamos que existam três pontos centrais e interligados nesse processo de rediscussão: solidez econômica dos clubes; calendário racional; e criação da liga de futebol.

Nos próximos três artigos abordaremos cada um dos pontos.

*Somoggi, Amir. Finanças dos Clubes Brasileiros em 2013.

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