Reflexões sobre a Copa do Mundo de 2014 e o futuro do futebol brasileiro – parte IV

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Nos artigos anteriores, abordamos duas questões essenciais para a melhoria do futebol brasileiro, a solidez econômica dos clubes de futebol e as mudanças no calendário de competições como elemento de alavancagem do nosso esporte. Neste capítulo analisaremos o terceiro ponto central: a criação de uma Liga de Clubes no Brasil.

A criação dessa Liga pode ser o elemento catalisador dos pontos abordados anteriormente, buscando uma fase de maior solidez econômica, alicerçada num calendário mais racional.

Como já vimos, não resta dúvida que o fortalecimento dos clubes é a base de uma reformulação do futebol nacional. É preciso que entidades representantes de clubes e atletas consigam formular sínteses sobre o calendário, da necessidade de pré-temporada adequada, de valorização do espetáculo, etc.

Após o fim do Clube dos 13, a maior novidade em termos de atores no futebol é o Bom Senso FC. Existem interesses conflitantes? Claro que sim, mas existem interesses comuns, como a valorização do espetáculo futebol e a gestão mais profissionalizada do esporte.

A experiência do Clube dos 13, com avanços e contramarchas teve um saldo positivo. Destacam-se como avanços: a negociação de direitos televisivos, a racionalização do calendário do futebol, e a repetição da fórmula de disputa da principal competição nacional. Parece evidente que o fim dessa união dos clubes foi ruim ao futebol brasileiro.

Isoladamente os clubes buscam na CBF seus interesses específicos. Cada um brigará pelo seu quinhão, independente dos demais. Mas é preciso ver que as pautas comuns dos clubes são mais relevantes que os interesses pontuais. Só a união dos clubes é que fará com que preponderem os interesses globais do esporte em detrimento do interesse específico. Especialmente com relação à alteração da legislação priorizando a formação de atletas, o estabelecimento e gestão de um calendário racional, e soluções que valorizem o produto futebol.

Soluções como padronização do campo de jogo, gramado com dimensões iguais e padrões mínimos de qualidade; melhor gestão de estádios, priorizando a segurança e o conforto; venda de ingressos online; intercâmbio técnico e metodológico, inclusive internacional, nas áreas técnicas e nas áreas de gestão e logística; prospecção de novos mercados consumidores (os Estados Unidos têm apresentado interesse crescente pelo futebol).

Uma associação moderna que busque experiências contemporâneas no mundo cada vez mais globalizado do futebol. Uma associação que dialogue com os demais setores, especialmente dos atletas. Uma associação que faça preponderar os interesses dos clubes frente à CBF.
Caberá à CBF a fundamental atribuição de gerenciar a nossa Seleção, bem como o futebol não profissional ligado à base, inclusive nos seus aspectos social e educacional.

Mas devemos ter clareza que a base do futebol no Brasil são os clubes. Então, toda reflexão que se faça para melhorar o futebol brasileiro deve partir do fortalecimento dos clubes, base da formação do futebol no Brasil e no mundo.


Considerações finais

Tentando fazer uma síntese propositiva devemos sempre destacar que nenhum país participou de mais de Copas do Mundo do que o Brasil. Somos o único país que conquistou cinco vezes a Copa do Mundo. Vencemos os mundiais Sub-20 em 2003 e 2011 (vencemos cinco mundiais, apenas um a menos que o maior vencedor, a Argentina). Nas competições de clubes, mesmo com realidades econômicas totalmente adversas, temos resultados expressivos em competições internacionais. Enfim, somos um futebol vitorioso.

A recente participação na Copa do Mundo no Brasil gerou uma série de reflexões. Diferente da expectativa gerada, fomos muito melhor fora do que dentro de campo. Estamos diante de uma importante oportunidade de melhoria. Mostramos recentemente como nação que recebemos muito bem um evento planetário e complexo como a Copa do Mundo.

Ao mesmo tempo em que sabemos que mudanças são absolutamente necessárias, devemos respeitar a história e o processo que redundou em tantas conquistas da seleção e dos clubes brasileiros. Somos um celeiro de craques! Mesmo que hoje estejamos em crise e que a produção de talentos seja menos abundante que em outras épocas. É preciso entender que os jovens que antes jogavam futebol, hoje possuem menos espaços, que o futebol compete com outros esportes, compete com a violência que deixa jovens em casa ao invés das praças e dos parques, dos campos de várzea.

Três pontos se destacam nesse sentido: busca pela maior solidez econômica dos clubes, alterações no calendário de competições nacionais valorizando o espetáculo futebol como negócio e criação de uma Liga de Cubes.

Esperamos ter contribuído minimamente com um debate tão relevante. Evidentemente não pretendemos esgotar o tema, pretendemos apenas “levantar algumas bolas”. Precisamos ter capacidade de diálogo. Ter orgulho das conquistas e humildade para saber reconhecer necessidades de melhoria. Para que os 7 x 1 sofridos seja uma bola fora que serviu para aquilo que só o futebol, enquanto metáfora da vida é capaz, dar a volta por cima de forma tão rápida.

Leia mais:
Reflexões sobre a Copa do Mundo de 2014 e o futuro do futebol brasileiro – parte I
Reflexões sobre a Copa do Mundo de 2014 e o futuro do futebol brasileiro – parte II
Reflexões sobre a Copa do Mundo de 2014 e o futuro do futebol brasileiro – parte III

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