Regiane Ferreira, que é assistente social

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade
Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade

Um atleta de futebol profissional começa a ser formado logo nos seus primeiros 15 anos de vida. A preparação física, tática, técnica e psicológica de um jovem que pretende seguir carreira na modalidade tem as suas raízes quando ele ainda é uma criança. Por isso, é essencial que se atente à maneira como lidar com quem vê no futebol, o futuro.

No entanto, no Brasil, são milhares os meninos que buscam nesse esporte uma forma de mudar de condição sócio-econômica, o que, na maioria das vezes não é possível, ou por falta de habilidade com a bola nos pés, ou porque falta disciplina e educação, ou por outras razões que vão para além das quatro linhas. Por conta disso, em muitos clubes, existem os assistentes sociais, que procuram minimizar os problemas extra-campo e, mais ainda, tentam formar não só bons atletas como também cidadãos responsáveis.

“Nós tentamos orientá-los para que estudem, e conversamos com a família também. Isso é um trabalho bastante individual, pois temos que lidar com diferentes perfis e pretendemos debater assuntos que os criem como seres humanos e não só como jogadores de futebol”, contou a assistente social do Corinthians, Regiane Cristina Ferreira, em entrevista exclusiva à Universidade do Futebol.

Regiane Ferreira é graduada pela Faculdade Paulista de Serviço Social, em São Caetano do Sul, e possui pós-graduação em Administração e Planejamento de Projetos Sociais pela Universidade Grande Rio. No futebol, atua no Corinthians desde 2006 e, antes, trabalhou no Juventus, de 2000 até 2002.

Universidade do Futebol – Qual é o principal problema que você identifica nos jovens atletas que chegam aos clubes de futebol?

Regiane Ferreira – São diversos. Temos que levar em consideração que não são todos os jogadores que chegam com algum tipo de problema, mas identificamos mais situações ruins nos atletas que vem de outras cidades ou de outros estados, e têm que ficar nos alojamentos do clube, principalmente por conta da carência em relação à família. Aqui no Corinthians, eles ficam em Itaquera e, nos finais de semana, muitos não voltam para as suas casas. Por isso, lidamos muito com a questão da saudade.

Tanto os que estão alojados como os que não ficam no clube, em alguns casos, têm problemas familiares, ou mesmo em relação à escola. Muitos não querem estudar, porque estão desmotivados, principalmente os mais velhos que não estão no ano certo do estudo.

Universidade do Futebol – Existe algum trabalho desenvolvido com os atletas das categorias de base, visando a orientação para princípios como cidadania, comportamento, educação, saúde etc?

Regiane Ferreira – Em Itaquera, onde ficam os atletas das categorias infantil, juvenil e juniores, além da minha presença como assistente social, existe a parte médica e de fisioterapia. Há pouco, contávamos com a presença de um psicólogo, mas ele está afastado, no momento.

O processo que realizamos com os jovens jogadores é conversar com eles e encaminhá-los para o departamento mais competente, dependendo do problema que apresentarem.

A questão educacional, principalmente, é bastante debatida. Mais do que as minhas orientações, existe uma parceria com uma universidade e alguns professores vão ao local para dar maior suporte pedagógico aos atletas.

Portanto, nós tentamos orientá-los para que estudem e conversamos com a família também. Isso é um trabalho bastante individual, pois temos que lidar com diferentes perfis e pretendemos debater assuntos que os criem como seres humanos e não só como jogadores de futebol.

Outro aspecto importante é o contato que temos com os pais. No Parque São Jorge, nós trabalhamos a pré-base, isto é, as categorias sub-11, sub-12 e sub-13, as quais não têm atleta alojado, por conta da determinação do Ministério Público, mas interagimos constantemente com os pais. O supervisor conversa bastante com eles, eu venho todas as terças e quintas-feiras e vamos começar a trabalhar com um estagiário de serviço social para ter o contato diário com esses jovens e garantir a orientação sobre a qual conversamos.

Universidade do Futebol – Como você analisa a atuação dos profissionais da sua área que trabalham com o futebol? Como os demais personagens envolvidos com a modalidade encaram esse trabalho?

Regiane Ferreira – Não são todos os clubes que possuem profissionais nessa área, até mesmo em São Paulo, não são todas as agremiações de destaque que têm assistentes sociais trabalhando constantemente com os seus atletas.

Quando eu estava na faculdade, o meu trabalho de conclusão de curso foi sobre a atuação dos profissionais do serviço social nos clubes de futebol. Eu fiz junto com uma amiga minha que já trabalhou aqui no Corinthians e no Juventus também, assim como eu.

Às vezes eu converso com colegas de profissão e muitos não sabem que existe esse tipo de trabalho dentro das agremiações de futebol. No entanto, esse campo não é tão novo quanto possa parecer. Nos estados do sul do país, os clubes desenvolvem atividades como essa há muitos anos. O mesmo acontece no Rio de Janeiro.

Em São Paulo, pode-se dizer que a atuação do assistente social nos times de futebol é algo um pouco mais novo. Eu me formei em 2000, e eu já trabalh
ava com clubes da modalidade nessa época.

Em relação aos demais profissionais que trabalham no futebol, a maioria encara o que é feito pelo assistente social como algo importante. Infelizmente, existem alguns que são conservadores, mas eles aceitam. Tanto no Corinthians como no Juventus, sempre fui muito respeitada nas minhas funções.

O que acontece é que existe certa confusão do trabalho que é desenvolvido pelo assistente social com aquilo que é feito pelo psicólogo. Por exemplo, se um atleta está triste, logo pensam que é um problema psicológico, o que, às vezes, pode realmente ser verdade.

Contudo, em muitas ocasiões o que gera a queda no rendimento de um jogador pode ser algo relacionado ao seu núcleo familiar, ou a problemas financeiros, brigas de pai e mãe etc. Por isso, não é só o trabalho do psicólogo que vai funcionar em alguns casos, pois esses profissionais trabalham com questões mais relacionadas à ansiedade e aspectos do gênero. Nós trabalhamos mais a área social.

Universidade do Futebol – O Brasil é um país de dimensões continentais com inúmeros clubes de futebol, por meio do qual muitos jovens tentam mudar as suas condições sócio-econômicas. No entanto nem todas essas agremiações possuem a estrutura básica para abrigar e garantir que esses jovens tornem-se jogadores profissionais e/ou cidadãos. Como você encara essa realidade?

Regiane Ferreira – Isso é uma questão cultural do brasileiro. Acredita-se que sendo jogador de futebol ou cantor, por exemplo, conquiste-se fama e seja uma forma de ganhar dinheiro fácil.

No entanto, é complicado, porque, mesmo no Corinthians, que é um clube grande, com estrutura, todos os atletas que passam por aqui, desde o sub-11 até o sub-18 são poucos os que deslancham na carreira como profissionais. Ou seja, até no Corinthians que é um dos clubes que mais revela jogadores, vide o time profissional, não são todos que conseguem ser aproveitados.

Os garotos brasileiros têm esse sonho de ser um jogador de futebol profissional, o que, em muitos casos, é uma ilusão. A própria família instiga isso e, às vezes, deposita no atleta, no adolescente, toda a esperança de sair daquela situação sócio-econômica ruim.

Em muitos clubes, o jovem atleta é tratado meramente como uma questão comercial, o que é ruim. Isso caberia ao Ministério Público realizar uma investigação para proteger essas crianças e adolescentes, porque, não que algumas agremiações enganem, mas é muito fácil, por meio desse sonho de enriquecer com o futebol, tirar a criança da família.

Essa é uma situação bastante precária e triste, pois o jovem abandona a escola e a família e perde a adolescência, um período importantíssimo na sua formação como cidadão, pois nem todos os clubes tem a esse tipo de preocupação.

Universidade do Futebol – O Grupo Pão de Açúcar é um exemplo de ação de empresa relacionada com o futebol para trabalhar com atletas e revelar novos talentos na modalidade. Como você analisa essa ligação entre empresas e clubes de futebol como uma ação social e como uma via a mais para que sejam revelados bons jogadores?

Regiane Ferreira – Desde que haja preocupação com o ser humano, com o adolescente como pessoa, eu acredito que esse tipo de iniciativa é importante. A questão é o jovem atleta não ser visto meramente como uma mercadoria.

Aqui no Corinthians, com os atletas que chegam e que vão para outros clubes, sempre procuramos tratá-los não só como jogadores de futebol, como uma mercadoria. Na realidade, todos esses garotos que chegarem ao profissional acabam tornando-se uma mercadoria, pois eles transitam pelos times de acordo com o valor de mercado que têm. No entanto, eu acho válida a iniciativa de empresas, uma vez que se cria mais uma oportunidade.

No Brasil, existem clubes que são de empresários que montaram a agremiação para revelar jogadores. Nesses casos, eu penso que deveria haver maior fiscalização para saber se eles realmente seguem padrões de formação, sem esquecer do adolescente.

O problema é que o próprio futebol acaba por se tornar um negócio, o que hoje pode ser flagrado sem muito esforço. Se observarmos, o marketing e a questão do dinheiro estão sempre muito presentes na modalidade.

Universidade do Futebol – Quais são as diferenças entre o que é realizado no Brasil, na questão social dos clubes de futebol e aquilo que se observa em clubes referência da Europa, como o Barcelona, por exemplo?

Regiane Ferreira – No Brasil, trabalha-se muito a questão social, o que é uma situação mais precária no país, do que na Europa. Por lá, os países são menores e as condições sociais não são tão relevantes.

Acredito que na Europa os profissionais do serviço social consigam trabalhar, nem tanto com o social em si, mas com a formação do atleta para que ele se torne um jogador profissional. Por lá, eu presumo que os atletas não abandonam a escola para poderem dedicar-se ao futebol.

Apesar de no Brasil, para poder jogar pelas federações e ligas, os atletas precisarem estar matriculados em instituições de ensino, existe um maior desinteresse pelas questões educacionais por parte dos próprios jogadores. As realidades, brasileira e européia são bem diferentes.

Outro ponto interessante de colocarmos é a família, a qual não pode ser
culpada por, às vezes, por depositar no garoto toda a expectativa de mudar a sua condição sócio-econômica. Existem casos de pais que deixam de trabalhar para ficar incentivando o filho a tornar-se um jogador de futebol profissional. Por isso, a gente sempre tenta conversar com a família para orientá-los de que nem sempre os jovens conseguem despontar profissionalmente.

Universidade do Futebol – Pegando um caso europeu, o Barcelona, depois de 108 anos de história, estampou pela primeira vez um patrocínio na sua camisa, o da Unicef. Recentemente, o Corinthians realizou uma ação parecida, ainda que só por um jogo, estampando o logo da AACD no seu uniforme. Isso é prova de que, no Brasil, está se chegando ao que é esperado do futebol como esporte que inclui as pessoas na sociedade e que estimula torcedores e demais personagens sociais a atuarem em favor dos demais?

Regiane Ferreira – Nesse ponto, eu acredito que haja a questão da responsabilidade social, pois o torcedor, a partir do momento em que vê que o Corinthians colocou o logo da AACD, compra mais camisas, pois enxerga que o clube está preocupado e por isso, justifica-se o maior retorno em vendas de uniformes.

Isso dialoga com o que as empresas comuns fazem, quando realizam ações de responsabilidade social, o que gera maior confiança no consumidor e ele compra mais produtos da referida empresa.

Além disso, esse tipo de iniciativa dentro do futebol é um incentivo, porque, se o clube para o qual eu torço age socialmente, eu acabo por me identificar mais com esse aspecto e a atuar da mesma forma.

Portanto, existem esses dois aspectos. Ao mesmo tempo que gera a sensibilização maior do torcedor em relação a ações socialmente responsáveis, também garante maior venda de produtos licenciados.

Universidade do Futebol – Qual é o papel do treinador e dos demais membros da comissão técnica no serviço social, tanto nas categorias de base como em nível profissional?

Regiane Ferreira – A comissão técnica é importante para o trabalho que nós realizamos, porque, por estar em contato direto com os atletas, esses profissionais percebem com maior facilidade as quedas de rendimento e as mudanças de perfil. A partir daí, eles nos passam a situação e nós conversamos com o jogador.

Nós também acompanhamos alguns treinos e jogos para podermos analisar a performance dos atletas e, por vezes, percebemos alterações importantes, o que é discutido com a comissão técnica e com o departamento médico, para podermos blindar o jogador. Isso porque, na escola, por exemplo, o atleta é alvo de um status de estrela muito antes de já viver essa realidade plenamente.

Por isso, a idéia é conversar e blindar os jovens nesse aspecto, sem podá-los, pois, enquanto seres humanos, eles têm que ter experiências, boas ou más, uma vez que é nessa relação de acertos e erros que se amadurece.

Não só no ponto de vista de jogador, mas também como pessoa, temos que sempre prestar atenção nesses atletas, pois eles ainda são crianças ou adolescentes em formação. Por exemplo, o Corinthians foi campeão da Copa São Paulo de Juniores deste ano, mas não tem como todos os jogadores subirem para o profissional. Por isso, a gente conversa com eles para que saibam lidar com a frustração.

Universidade do Futebol – As questões extra-campo podem interferir bastante no desempenho dos atletas dentro das quatro linhas. Como você trabalha essa realidade para que o que acontece fora do clube não aja prejudicialmente na performance do jogador, e para que ele também não se prive como ser humano de nenhuma experiência?

Regiane Ferreira – Nós entregamos para os atletas um questionário social e realizamos uma entrevista com cada um deles e, havendo a necessidade, fazemos uma visita domiciliar. Na entrevista, percebemos as principais necessidades e se é preciso encaminhar o jogador para algum outro especialista de uma área mais específica.

O processo é o seguinte: em primeiro lugar, analisamos o questionário social dos atletas para conhecer qual é a sua realidade. Depois, realizamos a entrevista por meio da qual conhecemos mais a fundo o modo como eles vivem. Geralmente, esse procedimento é realizado duas vezes ao ano, no início do primeiro e do segundo semestres, exceto em casos que identificamos a necessidade de uma conversa mais freqüente com o jogador.

Principalmente com as categorias mais novas, a cada 15 dias, reunimos todos os atletas e fazemos um trabalho de dinâmica de grupo para que tenham proximidade maior entre eles e conosco.

Universidade do Futebol – Como é trabalhado o aspecto da reflexão dos atletas, deles pensarem nas suas realidades, naquilo pelo que estão passando, sobre a importância do futebol no Brasil? Como é tratada a questão da necessidade de crescimento em conjunto dentro da modalidade, apesar de muitos ainda enxergarem as categorias de base como o local para o surgimento de craques que atuem independentemente do grupo?

Regiane Ferreira – Principalmente por meio das dinâmicas de grupo, conseguimos perceber o perfil de cada um dos atletas. Nesse trabalho, notamos aqueles que são mais sociáveis, os que são excessivamente tímidos ou que são agressivos. Para isso, contamos bastante com a parceria com o psicólogo.

Diversos at
letas vêm na minha sala para conversar e trazem a experiência de outros jogadores nos quais eles se espelham. Os próprios técnicos conversam com a gente para falar de meninos que eram grandes promessas, mas que caíram muito de rendimento.

É interessante debater com esses jovens, porque eles estão na adolescência, que é uma fase de acertos e erros, de mudanças, de aprender a aceitar as regras.

Universidade do Futebol – Abordando a questão da disciplina, como se deve trabalhar com os jogadores indisciplinados, que têm talento para o esporte, mas que não conseguem conviver em harmonia com o grupo ou com os adversários?

Regiane Ferreira – Essa é uma relação muito complicada dentro de um clube de futebol, porque, às vezes, o atleta não quer estudar, apesar de nós frisarmos a importância disso, mas ele é um craque em potencial. Nesses casos, tentamos trabalhar para que ele entenda a relevância da educação.

Porém, isso é uma questão da personalidade de cada jogador. Procuramos sempre conversar, mas se até uma determinada idade, não houve evolução no sentido disciplinar, por melhor que seja o atleta, ele será descartado.

Priorizamos a questão da educação e da disciplina ao potencial que um jovem tenha de tornar-se um grande atleta. É claro que são dadas algumas chances para esse jogador, mas se ele não se esforça para melhorar, não podemos aceitar. Mesmo porque, se abrirmos brecha para que ele não seja disciplinado, os demais vão achar-se no direito de atuar da mesma maneira.

Trabalhamos a questão social, mas não podemos tratar o fato como assistencialismo. E isso pode até fazer com que ele tenha chances em outros clubes, onde o seu comportamento seja aceito ou onde ele passe a se portar de outra maneira.

Universidade do Futebol – Como e por que você decidiu trabalhar com o futebol, em especial, com a modalidade amadora?

Regiane Ferreira – Meu pai sempre gostou muito de futebol. Ele assiste qualquer tipo de jogo, de qualquer divisão. Por conta disso, primeiro, por meio do rádio e, depois, da televisão, eu sempre acompanhei a modalidade.

Na Copa do Mundo de 1998, eu estava no segundo ano da faculdade de Serviço Social. Na final, houve o caso em que o Ronaldo teve uma crise convulsiva. Eu lembro que estava ouvido pelo rádio e o repórter comentou que havia uma pessoa acompanhando a delegação brasileira para trabalhar a questão da motivação. Só que, no momento em que o atacante brasileiro teve o seu problema, a pessoa responsável por conversar com os atletas estava assistindo a definição dos terceiro e quarto lugares da competição.

Naquele instante, pensei que um profissional interessante para a seleção seria um assistente social. No entanto, não conhecia nada de futebol, somente pela televisão, assim como a maioria da população.

Na faculdade, comentei sobre o acontecido com uma amiga minha e com um professor. Aos poucos fomos amadurecendo a idéia, e concluímos que uma via interessante de se atuar seria a sócio-educativa. Foi nesse momento em que eu comecei a conhecer o futebol, a ter contato com as categorias de base. Por isso, o meu trabalho de conclusão de curso foi voltado para essa questão relacionada com o futebol.

Portanto, a minha relação profissional com o futebol vem desde a faculdade, desde esse momento particular com o Ronaldo, até hoje. Depois que entrei de verdade na modalidade, percebi que esse é um campo bastante amplo, que já existiam assistentes sociais em outros clubes como o Vitória, o Grêmio, o Internacional e o Vasco, por exemplo.

Para os atletas que já estão jogando em nível profissional, o trabalho do assistente social é importante, mas a atuação dessa pessoa é muito mais relevante nas categorias de base, porque os garotos ainda estão em formação e precisam muito mais de apoio.

Universidade do Futebol – Nas preleções, alguns profissionais trabalham com vídeos com imagens que buscam atingir os atletas emocionalmente. Porém, certos técnicos acreditam que esse tipo de produção seja prejudicial aos jogadores por fragilizá-los excessivamente. Como você analisa esse tipo de trabalho? Você participa da produção daquilo que é passado para os atletas nas preleções?

Regiane Ferreira – Eu penso que, desde que haja um acompanhamento pela comissão técnica e que o profissional responsável pela produção do que é passado para os atletas conheça o perfil do grupo, é válido.

No entanto, de repente, você pode imaginar que uma imagem seja boa para o elenco, mas os atletas recebem aquilo de outra forma. Aí, tem-se a situação contrária àquela que se buscava. Por isso, é importante que nesse trabalho de produção esteja integrado o trabalho do psicólogo. Eu fico com um pé atrás em relação a imagens muito emocionantes durante a preleção.

Quando trabalhei no Juventus, tive uma experiência parecida com essa das imagens com os garotos da categoria júnior, com algumas mensagens. Nessa ocasião, não foi positivo, porque nós da comissão técnica não conseguimos trabalhar em cima daquelas mensagens para que elas se tornassem motivacionais. Por isso, para se fazer a utilização desse tipo imagem ou de mensagem, precisa-se conhecer muito bem o grupo e prepará-lo para essa ação durante a preleção.

Algo que respeito muito é o momento do vestiário, em que os atletas falam bastante palavrão para motivarem-se. Prefiro não invadir esse momento, porque os próprios jogadores se
ntem-se inibidos em falar certas coisas perto de uma mulher e como sei que naquele instante eu sou a intrusa, não participo muito das preleções.

Universidade do Futebol – Existe algum tipo de trabalho com os jogadores das categorias de base que mostre o que representa ser um jogador de um clube grande, algo que conte a história do clube, sobre os seus principais ídolos et

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email
Share on pinterest

Deixe o seu comentário

Subscribe
Notify of
guest
1 Comentário
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
audrey Feminino de souza
audrey Feminino de souza
2 anos atrás

Parabéns! Achei super importante a entrevista com a Assistente Social, destaco de suma relevância para conhecermos novos espaços sócio-ocupacionais de atuação do profissional de Serviço Social. Que pena que em alguns clubes do nordeste esse profissional é desvalorizado e desconhecido nos clubes de futebol.

Mais conteúdo valioso