Universidade do Futebol

Geaf

15/08/2007

Resistência e treinamento tático

Atendendo a um dos princípios científicos do treinamento desportivo (especificidade) e considerando a importância desse componente para o rendimento tático no futebol, a resistência, definida como capacidade de resistência física e psíquica de um atleta de acordo com WEINECK (1999), precisa ser trabalhada considerando duas definições que deverão nortear seu treinamento.

Com isso, a resistência básica passa a ser responsável pela manutenção da performance atlética durante uma temporada ou um período com duração variável (seqüência de jogos) e a resistência específica é a capacidade de se manter a proposta de jogo ou modelo de jogo por uma partida inteira sem queda na intensidade ou velocidade.

A primeira, portanto, vai permitir à comissão técnica uma recuperação mais eficaz após jogos e treinos e permitir que um modelo de jogo com manobras intensas seja desenvolvido em cada sessão de treinamento. O segundo conceito de resistência está relacionado com o jogo em si, com a condição de se manter uma proposta de jogo durante uma partida, dentro de suas variações de intensidade em cada situação.

O maior equívoco para a prática profissional é confundir instrumentos auxiliares com instrumentos principais de treinamento. É importantíssimo que as formas escolhidas para se desenvolver cada capacidade física sejam organizadas em função na necessidade central da modalidade.

Assim, treinos intervalados e contínuos com velocidade programada ou variável são importantes no que diz respeito à resistência básica, mas como forma auxiliar para os grandes e pequenos jogos de posse de bola e manobras ofensivas e defensivas além de treinos técnicos de intensidade e recuperação incompleta.

Utilizar longas distâncias e métodos fracionados com muito volume considerando o planejamento anual de trabalho seria sobrecarregar o organismo com atividades sem sentido, desprovidas de eficiência, além de aumentar risco de lesões já que a exigência contrátil e as variações motoras da modalidade futebol se diferem das modalidades de corrida do atletismo. Se estivermos treinando basquete, o basquete deve ser o foco de trabalho e é assim com o vôlei, handebol ou qualquer modalidade. O futebol não pode ser diferente.

A resistência específica de jogo está mais relacionada à fadiga psíquica, ou seja, à manutenção de concentração na execução da manobras com eficiência tática e à eficiência tática propriamente dita.

Quando citamos resistência à fadiga psíquica, estamos abordando uma capacidade que está condicionada com a prática diária nos treinamentos, sendo essa uma organização dos treinos em atividades que permitam essa condição de vigilância constante em cada meio empregado para se preparar todos os aspectos do modelo de jogo definido.

A motivação, com isso, passa a ser aspecto importante para a manutenção da concentração em cada trabalho, e assim, a percepção de esforço é reduzida e o atleta treina sempre com boa intensidade. Cria-se, então, o modelo que é exigido no futebol moderno com alta velocidade de jogo e não do jogo, como Mourinho (2006) define em “Por que tantas vitórias”.

Outro aspecto importante, a eficiência tática, permite esse rendimento no alto nível competitivo, pois uma equipe mais equilibrada taticamente na defesa e no ataque possibilitará um desgaste menor principalmente se tiver melhor posse de bola.

Dessa forma, podemos definir que boa resistência não é resultado de trabalho apenas do preparador físico e sim de um acompanhamento interdisciplinar envolvendo também treinador e psicólogo do esporte.

Bibliografia

MOURINHO, José. Por que tantas vitórias? Oliveira, Amieiro, Resende, Barreto- Gradiva, 2006
WEINECK, Jurguen. Treinamento Ideal. Editora Manole, 1999

*Preparador Físico do clube Atlético Mineiro e Membro do GEAF

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