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16/08/2017

Retirada do setor de recuperação

Quais adaptações coletivas devem ser realizadas para tal ação?

O conceito de retirada do setor de recuperação vem de um meio tático de transição ofensiva, que consiste em o atleta ao recuperar a bola, dar o passe ou apenas retirar a bola de onde ele recuperou. Para exemplificar bem o conceito, vamos usar o gol desse fim de semana do Botafogo em cima do Grêmio pela 20ª Rodada do Brasileiro da Série A, como nosso Case Study da semana. Vamos à sequência do gol: primeira etapa – desarme no setor;

Roubada

Para uma boa ação de desarme deve-se ter em mente alguns pressupostos para se ter êxito na jogada. Primeiro, a diminuição de tempo e espaço do adversário com bola. O setor de recuperação e direcionamento para o desarme também são muito particulares do modelo de jogo do treinador. Portanto, definindo a diminuição de tempo e espaço (alguns treinadores de referências mundiais trabalham com 4” para recuperar a bola) e definindo o setor de recuperação é só estimular a atitude para se ter sucesso na jogada.

Dentro do conceito de desarme há muitas ramificações que tangem a jogada, como dobras, coberturas, equilíbrios defensivos, etc… Por isso o que deve ficar claro é que a ação por mais que seja individual, ela é composta por situações em grupo e coletivas, que levam ao ato da jogada. O próximo passo é o que fazer após desarmar; é o que veremos no próximo passo da jogada do gol do Botafogo, que inclusive é o nosso tema maior: segunda etapa – retirada da bola do setor de recuperação;

Retirada

Depois de feito um ótimo desarme, é o momento de saber o que fazer com a bola após a ação realizada. Lembrando que agora entramos no momento de transição ofensiva, onde o objetivo é sair de um momento defensivo e manter a bola sob controle da equipe para avançar ao gol de alguma forma. Existem dois tipos de retirada do setor de recuperação: retirada vertical e retirada horizontal. A retirada para trás também existe, mas independente do sentido, o que está em questão é a geometria do campo em relação a bola.

Quando pensamos em desarme, temos que ter em mente que após essa ação, o adversário passou do princípio de ataque para o princípio de defesa. Sendo assim, é de suma importância, o atleta que roubou a bola, entender que alguém vai querer recuperar a bola dele. Se ele demorar muito na ação de retirada, ele vai proporcionar uma facilitação no processo de pós perda do adversário. Isso pode ser um grande risco para sua equipe, haja vista que, estando em processo de ataque, sua equipe se desequilibrou defensivamente, e se o adversário em fração de segundos retomar essa bola poderá ser fatal para um “contra golpe” e pegar a equipe que acabou de recuperar a bola em uma possível desorganização defensiva. Claro que uma equipe norteada de conceitos, vai se preocupar em atacar marcando, estipulando geometria de balanços defensivos para não se expor ao contra ataque do adversário.

O mais importante é entender que tanto verticalmente quanto horizontalmente, a bola deve ser retirada rapidamente do setor, para que não haja riscos de perda de bola. Porém, há uma ação coletiva que chamamos de desmembramento ou desmarcações de transição, onde a equipe se posiciona para atacar, após ter feito parte de uma ação defensiva. É importante também uma equipe ter um bom balanço ofensivo (estrutura geométrica que está preparada para atacar, mesmo estando em processos defensivos), para que tenha ótimas linhas de passe e superioridade numérica para chegar até o gol do adversário. E este é o próximo passo do nosso case do jogo do Botafogo X Grêmio: vamos falar agora da 3ª etapa – verticalização ou progressão vertical;

Verticalização

O processo de verticalização ou progressão vertical consiste em dar sequência na retirada vertical e fazer a progressão ao gol com passes ou com conduções, a fim de atingir o gol de maneira mais rápida e aguda. Este termo de verticalização vem em encontro ao antagonismo da posse por posse de bola, sendo mais específico no que tange a chegar ao gol do adversário com uma quantidade reduzida de passes ou de tempo. Uma progressão rápida do meio campo até o gol dura em média 7” para ter a finalização (isso no case que estamos tratando, pois pode ser menos em outros casos).

E no caso da imagem vemos a proposta que foi dita nos parágrafos anteriores da importância das linhas de passe, para gerar superioridade numérica; observem que a equipe do Botafogo no momento de verticalização sai na frente em um 5×4 + o goleiro. Depois deste processo, é só a equipe ser “cirúrgica” no último terço de campo no momento de finalização, trata-se da 4ª e última etapa – ataque ao alvo;

Infiltração e gol

A última etapa de conclusão do tema retirada do setor de recuperação consiste em assinar a obra realizada. O processo final pode ser realizado de ambas as formas, no nosso case a imagem fica clara que houve uma infiltração e uma ótima assistência que levaram ao importante gol que levou a equipe do Botafogo à vitória nesse fim de semana. Sempre deve se ter em mente o porquê das coisas dentro de campo. Desarme, logo queira chegar ao gol. Não tem como querer recuperar a bola e ter em mente desperdiçar o momento precioso em que criou uma oportunidade de gol; claro, o futebol não é como o basquete que as chances de cesta são maiores que as chances de gol, pois do outro lado tem alguém efetivamente protegendo a meta. Mas que fique claro que em nossas equipes, devemos deixar claro para os nossos atacantes, a valorização de um esforço para recuperar a bola e finalizar com êxito ou pelo menos ser mais caprichosos nos momentos finais de uma progressão vertical.

Concluindo, podemos afirmar que um processo de desarme forte, com uma retirada do setor de recuperação rápida, com uma ótima verticalização e finalizando de forma caprichosa, obviamente seria sempre o cenário perfeito; sabemos que dentro de campo a complexidade das ações são grandes, porém a insistência deste conceito dentro do jogo, proporcionará mais chances para a equipe ganhar o jogo, dentro da lógica que é fazer mais gols que o adversário.

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