Universidade do Futebol

Entrevistas

01/03/2013

Rodrigo Gonçalves Dias, pesquisador do Instituto do Coração

“Quem realiza a detecção de talento com base em análise genômica no atual momento em que a ciência genética se aplica ao esporte está fazendo coisa errada”. A afirmação deve ser levada muito em conta, pois parte de alguém que é considerado hoje um dos maiores especialistas do país em genética, performance física humana e doping genético.

Doutor em biologia funcional e molecular pelo Instituto de Biologia (IB) da Unicamp e do Instituto do Coração (InCor) e pesquisador da área de genômica funcional do InCor, Rodrigo Gonçalves Dias é, antes de tudo, um profissional da Educação Física. O cientista, natural de Itajubá, sul de Minas Gerais, enaltece o fato de ter conquistado o primeiro lugar no Congresso Brasileiro de Cardiologia, com uma pesquisa envolvendo genética e cardiologia e exercício físico.

Encantado com o ambiente científico e integrado das faculdades na instituição de ensino superior paulista, Rodrigo aproveitou a possibilidade oferecida para atuar em outras unidades e desenvolver pesquisas no IB. Depois de quatro anos de iniciação científica no Departamento de Fisiologia e Biofísica no Laboratório de Estudos do Estresse, ele prestou prova para o mestrado, acabou selecionado diretamente para o doutorado, título obtido com a pesquisa desenvolvida desenvolvida em parceria entre Unicamp e InCor.

O principal prêmio da carreira, porém, viria em 2012. Rodrigo recebeu das mãos da presidente Dilma Rousseff o Prêmio Jovem Cientista, na categoria graduado, pela tese de doutorado sobre um gene mutante, que foi defendida no IB da Unicamp, sob orientação da professora Marta Helena Krieger, do Departamento de Fisiologia e Biofísica, e do professor Carlos Eduardo Negrão, diretor da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do InCor, da FMUSP.

O que chama a atenção no levantamento é o apontamento de que aproximadamente 8% das pessoas apresentam uma alteração no código de um dos genes mais importantes para o bom funcionamento do sistema cardiovascular – trata-se de uma mutação que resulta na alteração de uma enzima conhecida como eNOS (óxido nítrico sintase), impedindo-a de desempenhar sua função normal, que é de dilatar veias e artérias.

No pós-doutorado de Rodrigo, desenvolvido junto ao Departamento de Cardiopneumonologia do InCor, ele lidou não apenas com um gene específico, mas com o genoma humano completo, em um projeto temático envolvendo genética e hipertensão arterial. Em paralelo, o pesquisador aplicou tal técnica no projeto coordenado por ele e conhecido como Genes of High Performance. A Polícia Militar do Estado de São Paulo é parceira na iniciativa.

Nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol, no próprio laboratório do InCor, o pesquisador falou sobre análises, a relação entre a genética e a detecção de novos talentos e o passaporte biológico que será implementado pela Fifa.

Além disso, traçou características dos futebolistas, sinalizou de que modo a área de atuação específica dele pode contribuir para o prolongamento da carreira dos “veteranos” da bola e explicou por que o futebol é diferente de outras modalidades.

“O componente ambiental pesa mais do que o componente genético na modalidade futebol. O que determina o sucesso de um atleta? Se ele faz ganhar o jogo, ou não. Nem sempre um atleta de destaque é aquele que tem mais velocidade, força ou explosão. Muitas vezes aquele que possui um bom posicionamento e uma boa tomada de decisão é o que se destaca. A visibilidade prevista pelo atleta, às vezes, é mais relevante que a performance física”, elencou Rodrigo.

A genética na detecção de talentos esportivos

 

"Genes do Futebol" e Prolongamento de Carreira

 

 

O Doping e o Passaporte Biológico

 

A Genética e a Inteligência de Jogo


 

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