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01/08/2007

Saiba como surgiu o termo gandula

Uma das versões sobre o surgimento da função de pegador de bolas, o famoso gandula, é de que aconteceu após a construção do estádio do Maracanã. Por causa das bolas que caiam, freqüentemente, no grande fosso que circunda o gramado, e precisavam ser apanhadas por alguém.

A origem do nome também é bem curiosa e existem algumas versões. Um delas é de que esta atividade foi batizada de “gandula”, em homenagem ao atacante argentino Bernardo José Gandulla. O jogador do tradicional clube de Buenos Aires, Ferro Carril Oeste, havia sido contratado pelo Vasco da Gama em 1939.

Porém o argentino não se adaptou ao estilo de jogo da equipe carioca e jamais conseguiu ser escalado para jogar. Para mostrar utilidade ao grupo, o atacante corria atrás e devolvia as bolas, que saíam de jogo, aos seus companheiros. A atitude de Gandulla ganhou o carinho da torcida e após seu retorno para a Argentina, em 1940, seu nome virou referência para os apanhadores de bola.

A outra versão para o nome dado aos pegadores de bola é argentina e também tem o atacante Bernardo Gandulla como protagonista. Segundo ela, em uma jogada entre Gandulla e um adversário, a bola teria saído de campo. O jogador, que sempre fora muito educado, em um gesto de cavalheirismo, foi buscar a bola para o seu marcador.

Daí em diante, a imprensa e o público argentino teriam apelidado os pegadores de bola como gandulas, em homenagem ao belo ato de fair-play de Bernardo Gandulla. Na Argentina também há uma versão parecida com a ocorrida no Vasco da Gama.

Porém nesta, o atacante argentino, já no Boca Juniors, teria inspirado o batismo do termo gandula, porque em todos os jogos, ele mesmo corria atrás da bola para dar seqüência à partida.

A atitude simbolizou vontade de vencer e de jogar, conquistou a simpatia da enorme torcida do Boca, que mais tarde chamaria os repositores de bola de gandula.

Quem foi Bernardo José Gandulla

Bernardo José Gandulla se destacou como jogador e técnico no futebol argentino. Começou a carreira no Ferro Carril Oeste em 1934, cinco anos mais tarde foi transferido ao Vasco da Gama, em 1939. Por não ter se adaptado ao clube, voltou para à Argentina no ano seguinte, para jogar no popular Boca Juniors.

No clube de La Boca, conquistou o status de ídolo e craque, graças à qualidade de armar jogadas e de dar assistências aos companheiros, além da ótima capacidade para marcar gols. No seu primeiro ano no clube, anotou 18.

“Eu devia cumprir a dupla função, armar e definir as jogadas. Sempre gostei do futebol de toques e dribles”, declarou, Bernardo Gandulla, uma vez ao jornal argentino Clarín.

Em 1944, depois de se recuperar de uma grave contusão, Gandulla voltou ao seu clube de formação, o Ferro, e jogou mais dois anos. Pela seleção Argentina, atuou apenas uma vez, em 1940. Em toda sua carreira, disputou 249 partidas e fez 123 gols.

Como treinador das categorias amadoras, ganhou o apelido de Maestro, pela capacidade de revelar ótimos jogadores, entre eles: Rattin, Ponce e Mouzo. No profissional, comandou o Boca Juniors de 1957 a 58, e depois nas temporadas de 1967, 71 e 72.

Bernardo José Gandulla faleceu em 7 de julho de 1999, em Buenos Aires, Argentina.

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