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10/01/2019

Sampaoli e a metodologia de treinamento

A chegada do técnico Jorge Sampaoli ao Santos é um dos grandes fatos desse início de 2019. Não só por um treinador estrangeiro começar um trabalho desde o princípio da temporada e não chegar apenas para remendar o que já vinha sendo feito, mas também pela própria figura de Sampaoli: conhecedor de futebol, meticuloso e, principalmente, trazendo ideias diferentes das que temos.

No meio do modorrento, porém necessário noticiário dessa época do ano, duas coisas me chamaram a atenção: a primeira, divulgada pelo próprio Santos, é Sampaoli pedindo para conversar com a pessoa encarregada pela manutenção do gramado do CT Rei Pelé. Se o sucesso mora nos detalhes, um piso adequado para treinamentos me parece uma ótima pedida. E a outra, que é a principal, é que já no primeiro dia de trabalho, o elenco do Santos treinou com bola.

É verdade que aquela antiga mania de submeter os atletas a intensos trabalhos físicos nos primeiros dias da pré-temporada está morrendo gradativamente. Entretanto, com raras exceções no futebol brasileiro, ainda há no inconsciente coletivo da nossa cultura, de que para “aguentar” o ano os jogadores têm que fazer uma intensa (e física) pré-temporada. Como se jogadores mais bem condicionados fisicamente fossem necessariamente entender melhor as referências e princípios de jogo, tomar decisões mais sábias e resolverem de forma mais vantajosa os problemas imprevisíveis que naturalmente vão aparecer em campo.

Ao trabalhar com bola já no primeiro dia, Sampaoli deixa claro que quer dar uma identidade o quanto antes à equipe santista. E é através de uma metodologia de treinos – que é um objeto que cada vez mais me fascina e cada vez mais busco entender e estudar – pautada em jogos (sempre com bola) que se cria padrões de respostas coletivos nos quatro momentos do jogo, ataque, defesa, transição ofensiva e transição defensiva.

Como vamos construir um modelo de jogo se nossos jogadores correm em volta do gramado? Como vamos ter soluções coletivas se no nosso treino, por exemplo, treinamos o gesto técnico, separado do tático, do mental e do próprio físico? Treinar uma finalização recebendo um passe com as mãos e sem adversário, ou tendo que driblar cones, é algo que vai acontecer no jogo valendo três pontos? Claro que não.

Não quero dizer aqui que Sampaoli inventou a roda. Vários técnicos brasileiros conhecem o que há de mais moderno em metodologia de treinamentos e aplicam no seu dia a dia. Mas quando vi o Santos treinando com bola já na reapresentação de 2 de janeiro me enchi de esperança! Estou empolgado com a novidade que reside na Baixada Santista.

 

Comentários

  1. W Junior disse:

    Adorei seu comentário, e aprovo 100%. Trabalho no soccer americano com clubes de diferentes níveis masculino e feminino, além de trabalhar em um dos Colleges mais conceituados dos EUA no soccer feminino.
    Continuo sofrendo muito essa influência de mais físico do que jogo, mas já obtive muito sucesso com minha metodologia também.
    Tudo eé uma questão de tempo e ter alguém superior que tenha essa visão também e acredite que esse é o caminho. E graças a Deus eu tenho essas duas pessoas comigo no clube e no College. Estou a disposição para qualquer assunto, abraço.
    Junior

  2. Andres Britez disse:

    Estamos en formacion de un Centro Tecnologico do Futebol nu Paraguay .,muy contento lendo sus articulos muy interesante

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