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04/02/2019

Scouting (Observação) de Equipes

Inclui relatório de jogo da Primeira Liga Portuguesa - 2015/2016

A área de Scouting deve contemplar dois campos de atuação, um ligado à análise de jogadores, e outro relacionado com à análise de equipes. A análise de equipes deverá englobar a análise de vídeo, a coleta e cruzamento de informações que permitam conhecer detalhadamente a equipe com a qual se irá jogar. O objetivo é obter informações relevantes de aspetos individuais e grupais, tanto técnico-táticos (modelo de jogo e qualidade de execução de quem o interpreta), como de caráter descritivo-comportamental (como reações às faltas, reações sob pressão, qualidade de decisão sob pressão, tipo de personalidade, etc.) e de dinâmica social, (ações dos jogadores dentro do contexto de jogo, solidariedade, motivação coletiva, comunicação, etc.) da equipe que se quer analisar.

A análise de vídeo deve ter grande preponderância no processo, para permitir uma melhor apresentação e assimilação de conteúdo, tornando-se mais fácil transmitir uma ideia que se vê e sobre a qual se escuta do que uma sobre o qual apenas se escuta. No relatório que se pode encontrar como exemplo no final do documento, expomos imagens e não vídeo por uma questão de apresentação, mas o vídeo deve ter maior preponderância do que a imagem, pois mostra não apenas um ponto estático espácio-temporal, mas uma dinâmica com princípio, meio e fim.

O Scout (Observador) deve realizar, de preferência, um trabalho com a equipe técnica, incorporado na mesma como auxiliar técnico, proporcionando uma comunicação mais próxima e eficiente entre os seus integrantes, para facilitar a exposição das observações e associação à forma de jogar da sua equipe. Isso implicará uma abordagem eficaz das ideias e forma de pensar de maneira coletiva, interligando o modelo de jogo e os pontos fortes/fracos na aplicação deste. Da reunião da equipe técnica e apresentação do relatório, nascerá a estratégia para o jogo discutida por todos e aprovada pelo treinador, que será treinada desde o primeiro dia da semana de trabalho.

O relatório deve indicar dados gerais como a data do jogo, as equipes que jogaram, últimos resultados da equipe que se observa, dados sobre jogadores e treinadores, etc. No que diz respeito ao modelo de jogo, pode-se iniciar, por exemplo com organização ofensiva da equipe, naquilo que consideramos as três fases ofensivas de jogo, que podem ter diferentes nomes dependendo de quem as aplica, e ser mais ou menos, de acordo com os objetivos e interesses da equipe que faz a observação.

Imagine a divisão do campo em três partes iguais, com linhas paralelas à linha de fundo. A 1ª fase dá-se no primeiro terço do campo, referente à área onde o goleiro se encontra e normalmente os zagueiros, laterais e volantes. A análise nesta fase é normalmente correspondente às rotinas de reposição da bola em jogo por parte do goleiro. A 2ª fase corresponde ao terço médio e concentra-se normalmente na dinâmica do meio de campo e nas desmarcações dos atacantes, gerando situações de finalização com bolas lançadas nas costas da defesa adversária. Os zagueiros podem também participar ativamente nesta fase de jogo quando têm a bola nesta área do campo. A 3ª fase é relativa ao terceiro terço, onde ocorre a criação e o desenvolvimento das situações de finalização.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

 

*Treinador de Futebol UEFA B/Auxiliar Técnico e Observador do Profissional do F.C. Arouca na temporada 2015/2016/Mestrado em Educação Física pela Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa

**Treinador de Futebol UEFA A/Mestrado em Educação Física pela Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa.

***Preparador e Recuperador Físico/Sócio Diretor Estúdio Refit Reabilitação e Fitness/ Certificação Exos

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