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27/11/2018

Seleção (que não é) Brasileira

Ao ver o Brasil x Uruguai pela TV há alguns dias, a transmissão informou que Londres era a cidade que mais havia recebido jogos da seleção brasileira masculina no século XXI. E assim será cada vez mais: distante do Brasil

Londres é a cidade que mais recebeu jogos da seleção brasileira masculina adulta durante este século. Desde 2006, por exemplo, a capital inglesa sediou 12 partidas. Mais que qualquer cidade brasileira no mesmo período. Já foram apontados diversos motivos para isso, como país de origem dos futebolistas convocados, o que facilita a logística; o câmbio da Libra Esterlina em relação a outras moedas; o poder aquisitivo da população local e a paridade do poder de compra: os custos relativos a organizar um evento como este por lá que muito mais em conta do que no Brasil. 

Há um outro motivo que pode ser considerado. Talvez não tão valorizado quanto aos mencionados no parágrafo anterior, mas o futebol do Brasil é produto e a seleção brasileira, cinco vezes campeã do mundo e com muitos considerados os melhores do mundo na história, seus principais expoentes. Claro que a grande maioria do público daquele jogo era de sul-americanos, muito mais brasileiros do que uruguaios. Mas, sim, algo bacana para ser consumido independentemente do país de origem do torcedor.

Um jogo como este, com equipes que somam sete conquistas de Copas do Mundo, se fosse realizado na América do Sul como mero amistoso, não atrairia tanto público assim. Com a estrutura que precisam estas seleções, para treinamento e despesas com colaboradores, uma partida em Montevidéu ou no Rio de Janeiro, São Paulo, não garantiriam uma renda satisfatória. Salvo se realizadas em circunstâncias como Copa América ou apuramento para um mundial.

O futebol brasileiro é, há muito, “produto de exportação”. Um jogo do Brasil em Londres, depois nos Estados Unidos, outrora na Austrália, é uma “Disneylândia” itinerante Tupiniquim. Vamos nos acostumar a isso! Jogos na América do Sul, apenas aqueles organizados pela CONMEBOL. E olha lá, não se sabe até quando eles ainda serão realizados por estas bandas do planeta, que são as mais isoladas do globo.

Anúncio da digressão global da seleção brasileira masculina, auspiciada por marca parceira. (Foto: onefootball.com)

 

Portanto, é este o caminho natural. Não é de hoje que o futebol possui um alcance global. Aquele que vem do Brasil tem um grande potencial de consumo por um público espalhado por todo o mundo. A CBF percebeu isso e faz o seu trabalho com a seleção. Não há nada de errado nisso. É preciso agora que o futebol do nosso país, sobretudo o dos clubes, percebam isso a adquiram cada vez mais uma postura estratégica e mercadológica. No Brasil e no mundo.

 

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