Universidade do Futebol

Publif

19/08/2010

Selecionados responsáveis por externar o futebol-arte nos campos da África do Sul fizeram jus à ideia de futebol livre, solto e criativo?

Tal título nos força a pensar se realmente o esporte mais popular do mundo tem se tornado mecânico e previsível através, pegando como mote a lista dos 23 brasileiros convocados para a equipe nacional. É que não encontramos a resposta de tal indagação ao analisarmos o documento.

Entretanto, nós, meros professores de escolas de futebol e que não fomos à Copa do Mundo, ficamos perdidos no meio-campo ao receber uma pergunta de um aluno durante um treino em espaço reduzido com quatro jogadores de cada lado contendo mini traves como metas.

Diante de tal premissa, como responderíamos ao garoto?

Pois minutos antes de se iniciar o treino, os professores solicitam toque curto e rápido, movimentação contínua, ocupação de espaço vazio, ultrapassagem, dribles, fintas e criatividade nas tabelas. Ou melhor, teorizamos uma forma prática de jogar livremente.

Faz-se necessário citar que esses fundamentos técnicos e táticos são inerentes aos jogos em espaço reduzido, em que envolvem jovens futebolistas em nosso país. Logo, é bem verdade que nem todos garotos possuem capacidade cognitiva e motora para solucionar os problemas situacionais do jogo, porém, a forma livre de jogar nos traz belas jogadas.

Extasiado com o futebol apresentado por alguns jogadores brasileiros que atuam dentro e fora de nosso país, o professor a todo momento cita e exemplifica o malabarismo feito com a bola nos pés como fonte inesgotável de aprendizado.

“Lembra do fulano, ele pedala, aplica chapéu, tenta uma caneta… Lembra daquele atacante que se movimenta muito e não se contenta em ficar de fora das jogadas ofensivas? E aquele, pessoal, que dá apenas dois ou três toques na bola? Isso sem falar que eles se divertem jogando futebol…”, narra o professor enquanto os alunos jogam.

Pasmem, lá se vão jogadas, belas tabelas, dribles e muita criatividade, entretanto, um dos garotos indaga o professor: “Professor, você fala tanto deste futebol criativo, de dribles fantásticos e belas jogadas, mas os jogadores que fazem isso estiveram na Copa?”.

Apresenta-se neste momento o início de uma endossada discussão sobre exemplificar aulas de futebol através de atuações práticas dos nossos craques, porém com quais argumentos responderíamos aos garotos?

Seria uma bela alternativa dizer aos alunos que se contentem com esses lances apresentados em campeonatos nacionais e torneios internacionais.

*Augusto Moura de Oliveira é formado em Educação e Pós-graduado em Futebol pela UFV. Além disso, é coordenador técnico do Centro de Formação Esportiva em Maringá, no Paraná, e autor do livro “Escola de Futebol: dicas administrativas e pedagógicas para alcançar o sucesso”.

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