Sérgio Jorge Burihan, sociólogo e professor de educaçao física

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Como os grandes pensadores da humanidade e toda sua herança podem ajudar na melhora do rendimento esportivo? Que aspectos sociais e culturais podem auxiliar no trabalho de treinadores, preparadores físicos e tantos outros profissionais responsáveis pela formação de esportistas de alto rendimento?
 
Essas questões podem ser facilmente respondidas. O enriquecimento cultural, tanto de atletas como de profissionais ligados ao esporte, facilita a compreensão de treinamentos (táticos e técnicos) e expande a maneira de pensar desses profissionais.
 
Já está mais do que comprovado que atletas inteligentes, e quando este tema é abordado fala-se dos diversos tipos de inteligência possíveis, ganham destaque no cenário esportivo pela sua capacidade de resolver problemas. E para chegar a esse estágio é preciso que o intelecto seja tão trabalhado quanto o físico.
 
Essa é uma das bandeiras defendidas por Sérgio Jorge Burihan, professor de educação física e mestrando em antropologia pela PUC de São Paulo.
 
Burihan afirma que para desenvolver a correta construção corporal de atletas é preciso entender o porquê dos movimentos, e para isso o indicado é “trabalhar a mente dos atletas”.
 
Sérgio Jorge Burihan concedeu uma entrevista exclusiva à Cidade do Futebol, onde explica seu trabalho e a relação da educação física com as ciências sociais.
 
Cidade do Futebol – Você se formou em educação física e depois foi buscar nas ciências sociais (antropologia) um enriquecimento cultural. Por que esse processo?
Sérgio Jorge Burihan – Eu sempre gostei muito de trabalhar a questão dos movimentos corporais, mas dentro do curso de educação física você não aprende a pensar sobre eles. O porque deles serem executados desta ou daquela maneira. Além disso também sempre gostei de escrever sobre o futebol como cultura, como porta de entrada para outras culturas.
 
Cidade do Futebol – Como se dá o processo de criação de seus textos?
Sérgio Jorge Burihan – Procuro basear meus textos em histórias de personagens fictícios, como se fossem crônicas. Esses textos remetem na maioria das vezes a situações da minha infância, que aconteceu longe dos grandes centros. Quero incentivar a imaginação do leitor. Meu principal objetivo é despertar a vontade de pensar e assim alimentar a criatividade das pessoas.
 
Ao mesmo tempo esses personagens fazem um paralelo como os jovens de hoje em dia. Aqueles que treinam em escolinhas e seguem um roteiro pré-definido. O contraste que existe entre esses garotos e os do passado, que eram obrigados a ser mais criativos para se desenvolver no esporte.
 
Cidade do Futebol – Essas comparações com o passado também estão ligados ao seu trabalho de construção corporal?
Sérgio Jorge Burihan – Sim, sem dúvida. É muito importante analisar o movimento dos antigos craques, entender os objetivos deles com esses movimentos para direcionar a nossa construção corporal.
 
Cidade do Futebol – Você fez um comparativo sobre os garotos do passado e sua maior liberdade, e os de hoje em dia que treinam nas escolinhas. Pode falar um pouco mais sobre isso?
Sérgio Jorge Burihan – A construção corporal no processo de formação dos atletas deve incentivar que os garotos pensem. Que eles busquem respostas. Em algumas escolinhas de futebol, os treinadores têm um roteiro de treinos e não deixam que nada fuja daquilo. Isso prejudica sensivelmente a questão da liberdade de pensamento. Os garotos não pensam em alternativas para problemas, mas apenas nas soluções que são apresentadas pelos treinadores.
 
Quando eu era garoto gostava de jogar futebol na praia. Mas tinha o problema da maré encher. Nós, os meninos que lá jogavam, estipulávamos horários para as “peladas” e maneiras de contornar os problemas da maré. Não foi nenhum técnico que nos passou isso. Nós tivemos que pensar nas soluções. Isso faz com que o atleta tenha uma bagagem corporal e intelectual muito grande.
 
Cidade do Futebol – Mas você não vê importância nas escolinhas de futebol?
Sérgio Jorge Burihan – Muito pelo contrário. Elas têm um papel fundamental no desenvolvimento dos atletas. Eu sou contra algumas metodologias de ensino. Crianças que apenas cumprem ordens têm a liberdade tolhida e dificuldade de raciocínio.
 
Durante o processo de aprendizado é importante criar situações problemas e deixar que os garotos os resolvam. Não ficar copiando apenas modelos existentes, o que deixa o futebol mais chato, mais previsível e menos criativo.
 
Cidade do Futebol – Qual a relação que você faz sobre educação física e antropologia, ou as ciências sociais de um modo geral?
Sérgio Jorge Burihan – Nos dois campos o principal foco dos estudos é o homem. Eles se complementam em muitos aspectos. O movimento não passa despercebido no processo de construção social. A cultura lúdica e a antropologia ajudam a compreender o movimento humano dentro de um contexto social.
 
Cidade do Futebol – E que tipo de benefícios para o esporte você acredita que pode trazer essa associação?

Sérgio Jorge Burihan – Eu não diria apenas benefícios para o esporte, mas sim para a vida. Conseqüentemente, se você tem uma melhor qualidade de vida, vai render mais em qualquer área de atuação, inclusive no esporte. O ser humano passa a compreender melhor seu papel e sua importância dentro da sociedade. Não adianta doutrinar apenas o corpo e esquecer a mente.

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