Universidade do Futebol

Entrevistas

24/01/2014

Silvana Trevisan, assistente social do Santos

Stade de France, 7 de julho de 1998. Final da Copa do Mundo de Futebol. França e Brasil frente a frente na disputa do título do torneio mais importante de seleções. Poucas horas antes da derrota por 3 a 0 da equipe comandada por Zagallo, o atacante Ronaldo Fenômeno sofrera uma convulsão, e não teve um desempenho que nem de longe lembrou as atuações nas fases anteriores.

Um dos principais garotos propaganda da Nike, o craque foi colocado em xeque. Um ano antes do início da Copa da França, um enorme painel da multinacional, com a imagem de Ronaldo, tomava conta de toda a lateral de um prédio no centro de Paris.

Era um indicador da febre que giraria em torno do jogador durante o Mundial e que o acompanharia até a dramática decisão. O tratamento como um verdadeiro rei do futebol e do marketing ao brasileiro despertou a atenção de Silvana Gomes da Silva Trevisan.

Durante o curso na Faculdade de Serviço Social, ela e uma amiga começaram a conversar, a partir daquele episódio global, sobre a pressão a que os jovens são submetidos para manter um ritmo e conseguir um lugar no esporte de alto rendimento.

Primeira assistente social da capital paulista a falar sobre o tema ligado às categorias de base, ela desenvolveu uma tese, e o Juventus, da Mooca, abriu as portas para ela aplicar o projeto que já estava em mãos.

“Houve uma estranheza da comissão técnica. Eles não sabiam que a intervenção da assistência social pudesse interferir positivamente para o desempenho dos atletas. Mas eu era mais uma para agregar àquele grupo de trabalho”, relembra Silvana.

“Primeiro, estava entrando em um meio majoritariamente masculino. Um dos grandes desafios foi colocar a opinião de uma mulher naquele processo. Algo além das questões técnicas e táticas”, continua a profissional que hoje coordena o setor no departamento de formação do Santos.

Entre “Moleques Travessos” e “Meninos da Vila”, Silvana atuou também no Corinthians, rival do Santos na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2014. Vencedor da última edição, o time sub-20 da Baixada está preparado. E quem assegura isso é mais do que uma mulher de palavra – mas alguém que convive diária e intensamente com os futuros profissionais.

“Uma das coisas que mais gostei é que eles não estão deslumbrados por causa do título do ano passado. Eles entraram muito focados, cientes de que pegariam outros adversários, com outras características, e a dificuldade seria a mesma. Eles se blindaram e foram extremamente dedicados para alcançar os objetivos”, avalia.

Silvana tem consciência de quem nem todos os jovens vão se tornar ricos e famosos, ou sequer vão ingressar no grupo principal, comandado hoje por Oswaldo de Oliveira. Muito por conta disso, ela traça em todos os lugares um plano de alto rendimento para a vida.

“Ter talento, inteligência, visão de jogo e vontade de vencer. Atrás de tudo isso, há uma realidade. Procuro levantar temas, trabalhar com as famílias. O importante do trabalho do serviço social é poder estar estruturado. Quando eles percebem que você pode ser uma grande facilitadora, a liberdade e a integração aumentam”, acredita Silvana.

Nesta entrevista à Universidade do Futebol, a assistente social fala com mais detalhes sobre o seu trabalho e relembra o contato que teve com Neymar, hoje estrela do Barcelona.

“A educação é o melhor caminho para fazer o jogador sair da consciência ingênua para a consciência crítica. E ele deve saber qual é o papel social dele enquanto cidadão: o que quer hoje e o que quer no futuro?”, finaliza.

Ouça o bate-papo na íntegra:

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