Universidade do Futebol

Colunas

04/11/2017

Sistemas complexos no futebol

O jogo é um sistema sociobiológico, assim como os exemplos de comportamentos coletivos encontrados na natureza

Olá, sou Bruno Natale Pasquarelli, este é meu primeiro texto como colunista da Universidade do Futebol, portanto, antes de começar a discutir sobre futebol, vou apresentar para o leitor algumas informações sobre mim e sobre os temas que tratarei em colunas quinzenais.

Acompanho as publicações da Universidade do Futebol há quase uma década. Ao longo destes anos houve uma mudança de paradigma entre o modelo de ensino pelo qual fui estimulado enquanto jogador na infância e adolescência, que foi praticamente o mesmo que conheci quando me graduei em Educação Física na Uel em 2007, e o modelo de ensino o qual pratico enquanto treinador nos dias de hoje. O início desta mudança deu-se muito pela contribuição das colunas do professor Alcides Scaglia e, posteriormente, dos alunos que foram formados por ele. É meu objetivo, portanto, continuar essa reação em cadeia para a compreensão dos sistemas complexos aplicados à teoria e prática do futebol.

Mediante a experiência acadêmica como professor e pesquisador, compreendi a distância entre o que se estuda e o que se utiliza na prática. Mas percebi também o outro lado: que existem inovações que se realizam dentro dos clubes e que não passam pelos meios de divulgação científicos. Desde então, fico nesse “fogo cruzado”, tentando unir as duas coisas. Dois textos que publiquei na Universidade do Futebol a mais de cinco anos ainda permanecem atualizados (com algumas ressalvas) e discutem pontos de vista sobre a pesquisa científica no futebol:

Texto 1: Uma análise crítica sobre a pesquisa científica aplicada ao futebol (Parte I)

Texto 2: A pesquisa científica aplicada ao futebol: revoluções na concepção (Parte II)

Meu desafio, portanto, é mostrar a perspectiva da ciência para quem trabalha exclusivamente no campo e não entende, não gosta ou não percebe o que se discute em livros, congressos e artigos científicos. Também vou trazer discussões sobre situações vividas no campo que possam ajudar o treinador a tomar decisões no momento de preparar/aplicar os treinos e analisar os jogos. Espero que o leitor possa encontrar isso nestas colunas quinzenais.

Nas primeiras colunas vou tratar de um tema bem específico: os sistemas complexos e a construção de tarefas de treino no futebol.

Essa maneira de ver o futebol nos guia para o entendimento de que o jogo é um sistema sociobiológico, assim como os exemplos de comportamentos coletivos encontrados na natureza. Um sistema é composto por condições estruturais, que dão a forma da equipe no espaço de jogo e por processos que ocorrem dentro dessas estruturas através das redes de comunicação entre os jogadores, seja no momento ofensivo ou defensivo, e fazem com que a forma das equipes se modifiquem a todo momento. Acho que pode-se perceber nestes dois vídeos as analogias entre a organização coletiva na natureza e no jogo. Recomendo também o documentário “Football, l’intelligence collective” (2006) para ajudar nesta compreensão.

Enfim, nos próximos textos começo discutir a aplicação prática destes conceitos. Embora escreva para treinadores aqui na Universidade do Futebol, meu foco é sempre que estes consigam impactar a vida dos seus jogadores. Também quero descomplicar a teoria, espero que consiga. Até a próxima.

Comentários

  1. Maickel Bach Padilha disse:

    Parabéns, Bruno. Que continues a “desmitificar” e “descomplicar” a ligação da academia e do terreno. Grande abraço,

  2. Luiz Mendes de Lima disse:

    Curioso! Não é a primeira vez que alguém surge no Universidade…(ex-Cidade…) com a questão da teoria da complexidade e da possível abordagem sistêmica do jogo de futebol. Já li algo antes. Mas como faz muito tempo que não revisitava o site…
    Cerca de 3 ou 4 anos atrás andamos, o Prof Medina e eu, trocando algumas figurinhas(sic) sobre a intrigando questão da, digamos, tecitura do jogo. Mas fiquei doente e parei nosso colóquio. (Creio que o Prof. Medina achou que eu havia batido as botas(sic), naquela ocasião).
    Mas sobrevivi e continuei pesquisando -uma história pra contar, quem sabe?, em outra oportunidade- o exercício do jogo, precisamente à luz da sua abordagem enquanto um sistema complexo(complicado?), mas que tem finalidade, já que sabe o que faz quando produz um time vencedor e um perdedor.
    Nos estertores deste 2017, por fim encontrei um certo padrão que permite diferenciar o time “encaixado”(entrosado?) do time dissonante(apático?). E, por via desta consequência, o time vencedor do perdedor.
    Então, penso fazer o seguinte: acompanhar sua nova experiência como colunista aí do Universidade, rever mais alguns aspectos do meu trabalho(quem sabe até publicá-lo) e, possivelmente, intercambiarmos pontos de vista.
    Em tempo: assim como o Prof Medina ficou admirado, naquela época, que minha abordagem vinha de alguém que não era do meio(o “peixinho fora do aquário”, salvo engano) agora também me admira que esse seu despertar para a complexidade venha de alguém que é do “físico”. Ora -só para alfinetar- se “o físico representa 80% do futebol moderno” por que se preocupar com qualquer outro fator que tenha a ver com o exercício do jogo?
    Luiz Mendes de Lima.

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