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04/09/2018

Sistemática do futebol: sistemas ou esquemas táticos?

Existem no futebol algumas controvérsias a respeito do emprego das palavras “esquema” e “sistema” quando essas são utilizadas referentes à tática, ou à organização e posicionamento dos jogadores no campo durante os jogos e treinamentos de futebol.

No Brasil, os termos utilizados que se referem à organização tática coletiva de uma equipe, numa perspetiva geral da distribuição dos jogadores no campo no momento ofensivo e defensivo: 1-4-4-2, 1-4-3-3, 1-3-5-2, 1-4-2-4, etc., pode variar entre sistema tático (PARREIRA, 2005) e esquema tático (LEITÃO, 2009). Em Portugal, como podemos ver, por exemplo, em ALMEIDA (2014), os termos utilizados para definir o mesmo são sistema tático ou sistema de jogo.

O termo esquema tático, em Portugal, é referente as cobranças de faltas, laterais, escanteios e tiros de meta (ALMEIDA, 2014). No Brasil,podem-se encontrar algumas referências ao termo jogadas ensaiadas, para definir as mesmas situações (BARLETTA, 2009; FARINHA, 2010). Em ambos os países também se utiliza o termo bolas paradas.

No que diz respeito à definição de sistema, segundo PRIGOGINE (2002), numa perspectiva científica, deve estar relacionada com a sincronicidade de elementos do todo, com uma complexidade de ações coordenadas por uma lógica. Edgar Morin em SILVA (2008) refere que “um sistema que funciona em si mesmo gera a sua própria autonomia (…) organização ativa capaz de se auto-organizar e especialmente de se auto-reorganizar (…) princípio da auto-eco-organização (autonomia/dependência)”.

No futebol, o sistema deve ser aquilo que determina as ações, coordenação, organização e reorganização de uma equipe em campo, tendo em conta o seu adversário, a direção de ataque e de defesa e a posição da bola. O mesmo é subordinado a todos os seus intervenientes e relações dinâmicas que têm entre si dentro do contexto de jogo, e também fora de campo, num sistema maior, aquele que transcende as quatro linhas.

Corroborando com LEITÃO (2009), podemos afirmar que utilizar o termo sistema de jogo para designar as representações numéricas dos atletas de uma equipe em campo, reduz substancialmente o conteúdo que o envolve. O mesmo acontece com o termo sistema tático, que segundo DRUBSCKY (2003), é o conjunto das táticas que determinam as ações e características de uma equipe em campo. A questão é que simples representações não permitem ter uma ideia geral da organização das equipes nos seus processos defensivos e ofensivos.

No livro de PERARNAU (2015), Guardiola Confidencial, Pep Guardiola referiu o que pensa em relação as esquematizações táticas: “São apenas números de telefone, não importam, não têm relevância. Gosto de homens que sabem jogar e ocupar o meio de campo (…) cada jogador é diferente e deve ser tratado de forma distinta, o segredo está em afinar o diálogo com cada um”. Em conformidade, um dos seus mentores, Juanma Lillo declarou: “Os jogadores não ficam nessas posições nem no pontapé inicial”.

 

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