Universidade do Futebol

Mauro Beting

10/08/2008

Tabelinha entre pai e filho

Passou o campeonato estadual e a Copa do Brasil. A Libertadores também teve seu vencedor. O campeonato brasileiro segue a todo vapor com os melhores times do Brasil se alternando na liderança da competição em busca do tão cobiçado título.

Porém, se aproxima também o segundo domingo de agosto, ou melhor, o dia do jogo mais importante do ano. Importante para aqueles homens privilegiados e abençoados por receberem de Deus a oportunidade de compartilhar e usufruir da companhia de um filho por várias temporadas.

Nossa atenção se guia única e exclusivamente pelas laterais desta data que comemora o Dia dos Pais. Portanto, pouco importa se alguns as consideram apenas como mais uma data em que crianças, adolescentes e adultos saem apressados pelas ruas e shoppings em busca de presentes.

Neste dia a preleção será dada por nós, filhos, loucos por futebol e carinho dos pais, a fim de agradecer por esta oportunidade de participar deste jogo tão disputado, confuso, truncado, embolado que é a oportunidade de viver.

Nós, filhos, meros coadjuvantes desta partida tão linda, plástica, empolgante e suscetível a jogadas maravilhosas, queremos agradecer pela convocação feita com tanto carinho, expectativa, ansiedade, alegria, amor, paixão e cobrança quando pisamos pela primeira vez num estádio repleto de paredes com tonalidades e texturas suaves, alguns mascarados higienizados, enfermeiras e muitos familiares, além é claro, de meu técnico e professor: papai.

Realmente esta foi a primeira e mais emocionante jogada que fizemos nos primeiros minutos em campo, pois durante nove meses foi solicitada e esperada nossa chegada. Assim, comemore, papai!

Técnico, professor, treinador, pai e papai aqui estou eu, vestindo o uniforme de nossa família, calçando as chuteiras da sabedoria, meiões que vestem as pernas que ajudastes a dar os primeiros e desengonçados passos para lhe parabenizar pelo dia que todo e qualquer estádio ficaria lotado e de pé para aplaudir e reverenciar seu vigor físico quando chega cansado do trabalho e ainda brinca comigo, quando usa de sua habilidade técnica para lidar com minhas teimosias, dúvidas, curiosidades e crises infantis.

Sendo assim, papai, espero que este jogo nunca chegue na prorrogação para que eu lhe peça desculpas por meus erros, falhas e defeitos. Mas que eu saiba aproveitar o tempo normal para deixar minha marca de forma positiva, criativa, infantil, levada, ousada e com forte características do jeito de jogar que fora herdado deste seu estilo único e elegante de atuar no jogo da vida e ainda marcar um golaço a cada abraço e sorriso.

Para interagir com o autor: maurobeting@universidadedofutebol.com.br

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