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04/03/2010

Tecnologia como habilidade e competência do profissional

Diariamente, acontecem inovações tecnológicas ao redor do planeta. O futebol, sendo o esporte mais praticado, não poderia ficar para trás. Por isso, profissionais ligados à modalidade costumam buscar em recursos tecnológicos maneiras de aprimorarem os treinamentos, a prevenção e o tratamento de lesões, além de garantirem a máxima absorção de dados sobre a maneira como a equipe e como cada atleta joga.

Esteiras acopladas a computadores para avaliação aeróbica, dispositivos de GPS (Global Positioning System) para medições de velocidade, softwares para estudar cada lance de uma partida, scouts, ipods e scanners são apenas alguns poucos exemplos daquilo que um profissional (técnico, preparador físico, fisioterapeuta, médico, fisiologista, etc) precisa conhecer para estar inserido no ambiente do futebol moderno.

“Para fazer uma preparação física de alto nível não tem como você não começar através de avaliações. E, hoje, nós temos aparelhos moderníssimos para fazê-las, que envolvem várias qualidades físicas, como força, potência, velocidade, explosão”, contou Moraci Sant´anna, ex-preparador físico da seleção brasileira.

Por exemplo, avaliando a emissão de gases do atleta e sua pulsação – por meio de um relógio de pulso ligado ao computador – é possível saber a velocidade em que o jogador atinge seu máximo e a sua pulsação limiar. Se o jogador estiver correndo a 13 km/h, com a pulsação de 168 batimentos por minuto e o computador mostrar que aquele é o limite do atleta, significa que acima daquilo, ele entra em déficit de oxigênio, o que passa a ser um treinamento anaeróbico. Esse é apenas um dos métodos comumente utilizados para a avaliação do preparo físico dos atletas.

Existem muitas outras tecnologias que são empregadas no futebol: fotocélulas para testes de velocidade e agilidade, uso da realidade virtual na demonstração de esquemas táticos, ipods que ajudam goleiros a estudarem como cada adversário costuma bater o pênalti, crochetagem mio-apo-neurótica* para combater fibroses, ventosas para reduzir dores musculares, acupuntura no combate ao estresse e à ansiedade, eletro estimulação para acelerar a recuperação de lesões, etc.

“Antes você fazia um trabalho empírico, achava que o atleta podia dar isso, podia fazer aquilo e depois desse avanço da tecnologia começamos a ter dados individuais de cada atleta. O trabalho passou a ser mais científico. E isso ocorre até hoje”, comparou Moraci Sant´anna.

Uma das ferramentas tecnológicas que se tornou quase que obrigatória no futebol de alto rendimento é o scout, as estatísticas sobre passes certos e errados, lançamentos, cruzamentos, posse de bola, desarmes, interceptações, etc. Com esse sistema, os técnicos recebem muitas informações importantes, o que é essencial para que definam o melhor treino a ser realizado, além de garantir dados mais precisos sobre os adversários.

“O futebol não é uma ciência exata. Ainda é um esporte de habilidade, de técnica, de criatividade, de ousadia, mas você não pode prescindir do suporte tecnológico”, opinou Carlos Alberto Parreira, ex-técnico da seleção brasileira (tetra-campeã em 1994), e, atualmente, no comando da África do Sul.

Outro adepto ferrenho da utilização de inovações tecnológicas no futebol é Marcos Paquetá, bicampeão do Qatar pelo Al-Gharafa, atualmente no Al-Rayyan. “Além do GPS, minha comissão utiliza o Power Plate, um aparelho que está revolucionando a preparação muscular dos jogadores. O atleta faz vários exercícios sobre uma placa que emite vibrações que são absorvidas pelo corpo, que é obrigado a reagir com a mesma proporção da intensidade da vibração depositada. Isso previne lesões e faz com que o atleta aumente sua produção de força e a capacidade de reação, num tempo muito menor do que com atividades que eram empregadas anteriormente nesse tipo de trabalho”, contou.

Não só no que tange a preparação física e a análise de jogos existe a aplicação de recursos tecnológicos. Uma das áreas em que é marcante a presença desses meios é a da prevenção e tratamento de lesões.

“Hoje em dia, os clubes se atentam mais para o staff por trás dos jogadores. É um investimento muito alto. Se você investe em profissionais que dão condições para o atleta exercer bem sua função, o clube e o atleta ganham, e os profissionais aparecem. Estamos no país onde a medicina esportiva é a melhor do mundo, em termos de recuperação e preparação física”, afirmou Bruno Mazziotti, fisioterapeuta do Corinthians, em entrevista ao portal Lancenet.

Portanto, além dos conhecimentos específicos sobre as suas áreas de trabalho, é essencial que os profissionais que lidam com o futebol entendam como funcionam os equipamentos, softwares, métodos de análise, etc, e que estejam em constante reciclagem, uma vez que, assim como os próprios recursos tecnológicos, o futebol também evolui diariamente.

*Nota da Redação: Crochetagem Mio-Apo-Neurótica – tratamento externo indolor por meio de instrumentos semelhantes a agulhas de crochet. Com este método, é possível quebrar aderências ou fibroses dos músculos, tendões, ligamentos e nervos. A técnica ameniza a dor do jogador ou a retira completamente.

É indicada para combater tendinite, dor muscular e contratura muscular. Geralmente, é utilizada após os treinos físicos pesados ou após o uso de aparelhos de musculação na academia.

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