Universidade do Futebol

Eduardo Fantato

20/03/2012

Tecnologia não é só máquina. É também processo, planejamento…

Na última semana, o Ibope divulgou uma nota da intenção de mensurar a audiência do conteúdo televisivo que é assistido em plataformas móveis em gerais, como tablets e smartphones. Entretanto, não encontram ainda tecnologia compatível para realizar essa análise.

O amigo pode se questionar e o que é que isso tem de relação com futebol. Explico.

Por várias vezes escrevi que tecnologia é recurso e processo, isto é, estruturação de aparatos tecnológicos aliados a organização e sistematização de necessidades e objetivos.

E nesse aspecto mencionamos que um dos grandes focos de resistência que o futebol apresenta (embora já seja possível visualizarmos mudanças) é justamente no que se refere aos processos. Enfim, recursos e soluções tecnológicas existem aos montes e, ainda que não supram todas as necessidades, são subutilizados no esporte bretão.

A falta de organização e visão dificulta o desenvolvimento e, sobretudo, a implementação da tecnologia a serviço do futebol.

Pois bem. Voltemos ao problema informado pelo Ibope.

Embora muito criticado, o instituto informou que seguirá com esse projeto de mensurar conteúdos de plataformas móveis, mas enquanto não tem a tecnologia suficiente, adotará um método utilizado por diversas vezes e que, embora mais lento e susceptível a falhas, sempre funcionou ao longo dos tempos.

O ibope vai solicitar aos sujeitos que farão parte da pesquisa que anotem os conteúdos assistidos no dia, bem como o horário.

A solução adotada pode parecer bizarra para quem olha com os óculos modernos de um mundo que vive na era digital, porém, tem de se valorizar que o processo prevalece. Se por um lado a tecnologia vem para facilitar e otimizar nossos processos, estes só são válidos se podem viver sem ela, pois aí tem-se a certeza de que existe organização

A tecnologia tem de vir para ajudar e otimizar. A ausência ou a insuficiência dela não pode impedir as coisas de acontecerem, mas também temos de tomar cuidado para que isso não seja justificativa para que nunca seja adotada.

O futebol deve se organizar acerca de processos e planejamento, pois, assim, a excelência tão almejada pode ser vislumbrada e recheada de recursos e processos tecnológicos.

Mas não adianta trazer um aparelho de última geração, tampouco um excelente cientista que sabe manuseá-lo, se não existir planejamento, coerência e processo.

Do contrário, viraria show pirotécnico: encanta, fascina, mas serve apenas ”pra inglês ver”.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br
 

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