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13/02/2020

Tiago Nunes e seus dilemas corintianos

A dificuldade e a complexidade do trabalho de Tiago Nunes neste início de ano no Corinthians não são novidades. Tenho certeza que o dilema na mente dele começou ainda no ano passado, quando foi contratado. Ele foi o escolhido para substituir Fábio Carille para romper com uma ideia de jogo. Mas como fazer com que os jogadores assimilem e somatizem novos comportamentos rapidamente a ponto de darem resultados em um curtíssimo prazo?! Missão das mais desafiadoras…

Dos clubes grandes paulistas o Corinthians é o que tem a menor margem de erro. Ao passo que Palmeiras, São Paulo e Santos já estão na fase de grupos da Libertadores, a equipe de Tiago Nunes tem todo o planejamento do ano dependente dos confrontos iniciais e imprevisíveis da competição. Ilusão ainda acharmos que um Guarani do Paraguai ou um San José da Bolívia, ou o time que for em uma competição como essa, sejam presas fáceis porque não tem a “tradição” de um Corinthians. E, por mais que o departamento de inteligência do Timão seja um dos mais capacitados do país alguns ingredientes são aleatórios e da própria natureza do jogo.

Um mapa da preparação inicial do Corinthians já indicava as dificuldades atuais. Viagem desgastante para a Flórida Cup, jogadores saindo, jogadores chegando e, o principal, a necessária mudança nos conceitos com e sem a bola. Futebol não tem fórmula. Mas tem tendências. E romper com uma forma de um clube jogar demanda tempo. E é justamente tempo que Tiago Nunes não tem. O misto entre aproveitar algumas ideias já no inconsciente da equipe com algumas pitadas de ousadia com coisas novas pode ser a chave para Tiago Nunes sobreviver neste início. E falo em sobrevivência não levantando nenhuma questão de demissão. Mas sim em sobreviver nesse caos que é o futebol brasileiro da necessidade de mudar aliado, muitas vezes incoerentemente, com a necessidade resultado pra ontem.

 

Comentários

  1. José Luiz Correa disse:

    Olá amigo, acompanhei as ações do Tiago Nunes desde que foi contratado ano passado, e aqui estão algumas conclusões que tirei, no dia 15 de janeiro, inicio da Florida Cup, Infelizmente acompanhei os amigos comentaristas da imprensa, e não vi análises mais aprofundadas, sobre suas decisões. Segue minha opinião

    Esse é meu entendimento:
    Tiago Nunes. É certo que ele tem suas qualidades e méritos pelo que fez no CAP, porém, na minha opinião se demonstrou inexperiente e sem habilidade na decisão da dispensa de Ralf e Jadson. É óbvio que o tempo responderá se ele tinha razão. Parte da imprensa e torcedores também dizem que ele poderia ao menos vê-los treinando, dando oportunidades para mostrarem suas capacidades ou não, ou tentar Ralf na zaga depois sim, dispensar. Ele é professor/Treinador que deve ensinar. Há contradições nas decisões e discurso com o que se apresenta no contexto abaixo. Vejamos:
    Caso Ralf: Por 7 anos sempre foi a coluna e equilíbrio defensivo da equipe, quantos zagueiros e segundos volantes se destacaram porque ele sempre esteve lá protegendo o sistema. Ele tem limitações sim, assim como muitos jogadores, discordo da fala comum sobre qualidade do passe e saída de bola, tantos outros volantes também realizam essas mesmas funções, ou seja, jogo com passes curtos, ora para zagueiros, laterais ou para volante e meias (estamos querendo jogadores com características a qual não estão sendo formados como ex: jargões, box to box, boa saída de bola, etc.). Ele nunca comprometeu a equipe com suas saídas de bolas (vejamos seus scouts) . Incoerência de TN quando aposta nas saídas de bola de Cássio, e na improvisação de Avelar como zagueiro, ou seja uns podem se adaptar e melhorar outros não !!. Ralf Tem boas qualidades em jogadas aéreas, ocupação de espaço, leitura de jogo, liderança, respeito e experiência. Um jogador que sabe se posicionar bem, ganha tempo e espaço nas suas ações. Em 2019 Ralf era o segundo melhor preparo físico da equipe, jogou a maioria dos jogos (exceto quando se lesionou), as avaliações feitas sobre ele pela imprensa são contraditórias e sem bases: quando dizem que está velho com 35 anos e não tem a tal intensidade. A prática do tal futebol propositivo também deve ser equilibrado defensivamente, “O Coelho no final do ano, inclusive quando trocou Ralf por Gabriel (jogador faltoso e que não se firma) mostrou um sistema defensivo bagunçado. Mesmo nas vitórias contra Avaí e Ceará, essas equipes tiveram muitas oportunidades que se fizessem gols, o Corinthians poderia ter perdido esses jogos também. O que via era sempre o time voltando, correndo desesperadamente de forma desorganizada. Propor o jogo, ser protagonista, ter posse de bola são importantes assim como ajustar a parte defensiva que faz parte do todo. Camacho é segundo volante, e já sabemos como ele joga (não se firmou na primeira passagem pelo clube). Gabriel já citamos, e Richard que até então se mostrou inexperiente e limitado. Fábio Carille sempre dizia que precisava de jogadores organizadores e que pisavam na área, ele tentou de tudo e a equipe não dava resposta. O Corinthians sempre teve uma das melhores defesas mesmo com muitas trocas de zagueiros e laterais (ex. Fagner na seleção) em 2019 e que o problema era do Ralf pra frente (meio e ataque). TN teria a missão de ajustar o sistema ofensivo, já que o defensivo funcionava bem. O cenário que vejo é duvidoso, ou seja saíram Jadson, Ralf, Clayson, Junior Urso, Sornoza, chegaram Luan, Cantillo, Camacho, para compromissos importantes como Pré libertadores e a temporada em si, o elenco continua com necessidades e com vários jogadores que ainda não provaram seu potencial, sem contar com possíveis suspensões por cartões e lesões. Com a pressão que sempre existiu só que maior pelas decisões tomadas e da forma que foram conduzidas (que poderiam ter sido evitadas), dividindo torcida e opiniões, convivendo com as sombras de Ralf e Jadson a equipe terá que ir bem, convencer e ganhar títulos, só isso.
    Estamos falando de Corinthians e não Atlético Paranaense.
    10 jogos em 30 dias e tendo que classificar para libertadores, veremos !!!
    Por: José Luiz Correa 15/01/2020

    • Comentário muito lúcido e claro que você fez, acredito que o TN errou em simplesmente dispensar Ralf e Jadson, essa atitude aumentou a pressão externa que sofrerá caso não conquiste algum resultado positivo no primeiro semestre, pois como você disse a equipe já possuía um equilíbrio defensivo, e precisava de mais ousadia no setor de ataque, com a dispensa desses jogadores TN precisará de mais tempo para achar o equilíbrio.

  2. msbjj2019 disse:

    O trabalho sem Organização não tem resultado positivo, principalmente um trabalho de curta duração como fazem os times Brasileiros até mesmo para uma competição mundial.

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