Tipos de marcação no futebol: quantas são as possibilidades?

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Há muito tempo o futebol chama a atenção pela grande variedade de modelos, estratégia, táticas, plataformas e sistemas que o constroem. Na Itália, na Inglaterra, Espanha, Portugal, França, Argentina, México, Brasil muitas características fazem do mesmo jogo (o jogo de futebol) uma infinidade de possibilidades. Ataque, defesa, transição; muitas e ímpares são as discussões. Uma delas gira em torno do Sistema Defensivo, mais especificamente do sub-sistema “marcação” desse Sistema. Vejamos resumidamente pequenos detalhes de um grande contexto desse sub-sistema (chamemos esse sub-sistema de Sistema para facilitar o entendimento) .

Didaticamente, no jogo de futebol, podemos dividir o Sistema de Marcação em quatro formas predominantes de aplicação:

1 – Marcação Individual
2 – Marcação em Zona
3 – Marcação Mista
4 – Marcação Híbrida

A Marcação Individual tem como premissa a busca constante pelo “jogador a ser marcado” – o jogador “B” deve marcar o jogador “A” em todos os seus deslocamentos ofensivos; podendo ter como referencial não somente o jogador, mas também a “posição” do jogador (em outras palavras a marcação individual pode ser do tipo “homem a homem”, mas também pode ser do tipo “lateral pega lateral”, “volante pega meia” etc.).

A Marcação em Zona tem como premissa a otimização da ocupação dos espaços, impondo controle posicional regional e buscando obter vantagem numérica nos diversos setores do campo de jogo.

A Marcação Mista é aquela que tem como premissa a utilização da Marcação Individual e da Marcação Zona em situações diferentes e específicas do jogo, alternando-as de acordo com essas situações.

A Marcação Híbrida apresenta características da Marcação Individual e em Zona ao mesmo tempo, tendo como premissa a utilização da Marcação Individual e a Marcação Zona de acordo com estratégias bem definidas para a recuperação da posse da bola.

Para qualquer uma dessas marcações há ainda, de acordo com a forma de recuperação da posse da bola, a marcação ativa, a passiva e a mista; e para cada uma delas cinco linhas regionais (FIGURA 1) de referência para o início propriamente dito da estratégia de recuperação da bola.

A marcação ativa é aquela que busca “atacar” a bola na tentativa de recuperá-la mais rapidamente. A marcação passiva é aquela que busca “forçar” o adversário ao erro quando ele está de posse da bola.

Então dentro dessas subdivisões (meramente didáticas) poderíamos encontrar 60 combinações possíveis de modelos de marcação (Ex: Marcação Individual ativa na linha 1;Marcação Individual ativa na linha 2;Marcação Individual ativa na linha 3; Marcação Individual ativa na linha 4;Marcação Individual passiva na linha 1; Marcação Mista ativa linha 3; Marcação Híbrida passiva linha 4; etc.).

Para cada um desses modelos é possível que se defina diversas estratégias que, de acordo com sua lógica, podem modificar totalmente as dinâmicas do jogo.

Por exemplo, podemos ter uma Marcação Zona Passiva na linha 4 do tipo “Triângulo”, uma do tipo “Duas Linhas de Quatro” ou em “Cinco Faixas” (dentre tantas outras). Podemos ter, por exemplo, uma Marcação Individual Ativa na linha 1 do tipo “Pressão no Homem da Bola”, “Pressão Relativa” ou “Pressão Total” (dentre tantas outras). O mesmo vale para as Marcações Mistas ou Híbridas.

Com maior ou menor intensidade todas elas tem vantagens e desvantagens, exigindo mais ou menos intensidade de concentração; porém todas elas para não se tornarem reféns dos seus próprios problemas precisam ser discutidas, entendidas e bem estruturadas. É necessário porém de se destacar que a complexidade de uma Marcação Zona é maior do que a Individual; a Mista maior do que a Zona e a Híbrida maior que a Mista. A complexidade envolve todas as variáveis que interferem e/ou sofrem interferência do tipo de marcação adotada.

Infelizmente nossos atletas (no Brasil) são pouco estimulados a compreender as variações e implicações que surgem para cada tipo de sub-sistema de marcação que pode ser empregado em um modelo de jogo (e isso tem que começar com urgência nas categorias de base). Felizmente a inteligência dos nossos jogadores (seres humanos que são) dá a eles ferramentas para se adaptarem as novas situações estratégico-táticas quando vão para a Europa e quase na “marra” precisam apreender novas formas para o “jogar” (e felizmente para nós brasileiros, é possível que esse aprendizado fora do Brasil esteja colaborando e muito para nosso desempenho nas Copas do Mundo Fifa de Futebol).

Exemplos de exercícios para treinamentos específicos de marcação (devo lembrar que os exercícios que não representam momentos de um processo, de nada servirão se trabalhados isoladamente em um momento qualquer)

EXERCÍCIO: Protegendo a “zona de acesso” (prof. Rodrigo Leitão)

Exemplo de exercício de treinamento para um tipo de Marcação em Zona para linhas 3 e 4 que pode ser usada independente da Plataforma de Jogo utilizada. É uma marcação do tipo “Fechar o Meio” onde o objetivo principal é marcar a todo custo a faixa defensiva central do campo, levando o adversário para as laterais.

Versão 1.0:

Equipes jogam (7+Goleiro)x(7+Goleiro) (em posição). Marca ponto a equipe que conseguir receber a bola ou entrar conduzindo na região demarcada.

(se houver mais de duas equipes: sugestão = a cada 5 minutos sai a equipe que perdeu o jogo). Os goleiros defendem a “Zona de Acesso” dentro da grande área com as mãos. Quando a equipe conseguir marcar ponto, a bola recomeça com o goleiro.

Versão 2.0:

Mesmo jogo. Mas agora marcam pontos também ao fazer gols. Quando marcarem pontos, não mais o jogo recomeça com o goleiro. Agora segue normal.

Versão 3.0:

Mesmo jogo da v2.0, mas agora vale ponto também qualquer finalização da região delimitada.

Versão 4.0:

Agora a “Zona de Acesso” virou “Continente de Acesso”. Ela compreende a região demarcada + a grande área toda. Praticar primeiro com as regras da v1.0, depois v2.0 e por fim v3.0.

Para cada versão à sugestão processual : iniciar 7×7 (+goleiros); depois 8×7 (+goleiros); depois 8×8 (+goleiros); depois 10×10 (+goleiros) e por fim 10×9 (+goleiros).

Exercício: Passando a bola no campo inimigo – com pontuação e eliminação (prof. Rodrigo Leitão)

Exemplo de exercício para treinamento de Marcação Individual a partir da Linha 3.
Jogo em campo com dimensões normais. Equipe vermelha versus equipe amarela. Jogo normal onde se marcam pontos de duas formas:

Se uma equipe fizer gol marcará 1 ponto;

Se uma equipe conseguir dar 10 passes no campo de defesa do adversário também marcará 1 ponto.

Cada jogador de cada equipe deverá ter como tarefa marcar um atleta correspondente da equipe adversária (lateral direito marca o lateral esquerdo, zagueiro marca atacante, etc). Se um jogador permitir que o seu correspondente a ser marcado receba a bola no seu campo de defesa (da equipe que marca) por três vezes (na mesma seqüência de ataque)estará eliminado do jogo por “n” minutos.

O jogo deve ser realizado em 11 contra 11.

Cada jogador que for temporariamente “eliminado” deverá ser substituído por um atleta que estará de fora (fora do jogo) esperando (da mesma posição ou não).

Uma variação possível:

Ao invés de ter um jogador eliminado, o jogador que conseguir receber a bola três vezes no campo defensivo do adversário (na mesma seqüência de ataque) marcará ponto para a sua equipe.

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Flavio José Araujo
Flavio José Araujo
3 anos atrás

interessante texto

Tais
Tais
3 anos atrás

eu ñ teio nada pra reclamar ,
esse texto esta ótimo sem erro de portuguÊs e bem explicado

Vinicius Macedo
Vinicius Macedo
1 mês atrás

Ta faltando a figura

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