Universidade do Futebol

Entrevistas

30/11/2012

Tite, treinador do Corinthians

Atualmente, Tite é, talvez, o melhor exemplo dentro do futebol brasileiro de que como a manutenção de uma mesma linha de trabalho à frente de uma equipe pode ser benéfica.

Após alguns meses no comando do time do Parque São Jorge, o treinador gaúcho foi eliminado da Taça Libertadores pelo até então desconhecido Tolima, da Colômbia. Porém, foi mantido no cargo pelo ex-presidente Andrés Sanchez e conseguiu levar a equipe ao título do Campeonato Brasileiro e, posteriormente, ao troféu do principal torneio continental.

“Um ano, esse é o tempo, no mínimo, que pode dar ao técnico a possibilidade de desenvolver um trabalho com começo, meio e fim. Mas há a necessidade de qualificação profissional e de conduta pessoal. Isso gera uma relação de respeito”, aponta Tite, em entrevista exclusiva à Universidade do Futebol.

Ele começou sua carreira como volante no Caxias, em 1978 e ainda atuou pelo Esportivo de Bento Gonçalves, Portuguesa, e Guarani, com o qual foi vice-campeão no Campeonato Brasileiro de 1986 e na Copa União (respectivo Nacional) do ano seguinte.

Tite, no entanto, foi obrigado a encerrar a sua carreira com apenas 28 anos devido a uma série de lesões nos joelhos. Após isso, em 1990, decide tornar-se treinador e dirige o time do Guarany de Garibaldi antes de trabalhar em clubes como Caxias, Grêmio, Palmeiras e Corinthians, os mais marcantes na sua nova jornada.

Com experiência tanto como jogador quanto treinador, Tite não tem dúvidas sobre as discussões acerca da capacitação profissional para exercer a função de técnico de futebol.

Isso porque, de um lado, graduados em Educação Física prendem-se no conhecimento acadêmico para questionar treinadores que são ex-atletas profissionais da modalidade, enquanto estes, por sua vez, justificam a experiência prática adquirida como indispensável para o exercício da profissão.

“É fundamental que se tenha um técnico que seja um professor de Educação Física. Porque se a quantificação de carga, durante a semana, não for dosada, tantos em termos físicos quanto psicológicos, o atleta não ficará na sua plenitude e totalidade pronto para o jogo”, afirma.

Na entrevista em que concedeu no CT do clube alvinegro, em São Paulo, o treinador corintiano ainda falou de Chelsea, futebol brasileiro e quais métodos utiliza nos treinamentos para gerar nos atletas o comportamento que da equipe dentro de campo.

“Faço regras, reduzo o campo e diminuo o número de toques, quando eu quero uma intensidade maior, além de velocidade de raciocínio e execução. Eu crio formas alternativas, variando o tamanho do campo, variando o número de toques, para que possa acelerar ou diminuir a intensidade. Prefiro fazer um trabalho com volume menor, mas com uma intensidade maior. Não faço treinos prolongados”, explica.

Confira a entrevista que foi dividida em duas partes, em vídeo:


BLOCO 1

“A grande virtude que o profissional que atua na área de treinamento tem de ter é enxergar no atleta as qualidades técnicas, físicas e, inclusive, de inteligência de jogo. Para que o treinador possa dar a ele uma função que ele possa exercer. Assim, o conjunto da obra vai ficar harmônico desta forma” (Tite, treinador do Corinthians)

 

 

BLOCO 2

“A diferença significativa entre o futebol brasileiro e europeu é que poucas são as equipes do Brasil que jogam com linhas de quatro atletas montadas à frente do goleiro e que não quebram. O Corinthians é uma delas. Nenhum volante recua para marcar segundo atacante para que o lateral tenha uma função mais ofensiva. E isso acontece porque quase todos os trabalhos exercidos durante a semana visam essa organização e a rapidez de raciocínio e execução. Quase todos dos nossos trabalhos técnicos têm um componente tático. Isso condiciona os atletas”
(Tite, treinador do Corinthians)

 

 

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