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18/12/2010

Tornozeleira específica para prática de futebol de campo

A estrutura do futebol tem características específicas, já que o espaço de jogo é muito grande, exigindo grande capacidade física dos atletas, principalmente em corridas de diferentes velocidades. O fato de se jogar com os pés exige uma elevada capacidade técnica e tática e o baixo número de êxitos quantitativos (gols) conseguidos durante um jogo demandam elevado nível de estabilidade psíquica dos jogadores.

Mais da metade das atividades do jogador em uma partida ocorre sem a posse de bola, enquanto que as restantes são executadas com a posse de bola, sendo que, na maioria dos casos, as lesões tráumato-ortopédicas ocorrem durante a posse da bola, quando ocorre a marcação do adversário.

O futebol moderno requer qualidades físicas que são independentes da posição do jogador, a saber: aceleração rápida, velocidade de corrida, saltos e força explosiva dos músculos dos membros inferiores. Nos últimos anos, o treinamento dos jogadores de futebol de alto nível vem sofrendo modificação em relação ao que era feito nas últimas décadas. O número de jogos e as horas de treinamento aumentaram significativamente, desde então a dinâmica das cargas de treinamento também foi alterada.

Quanto às lesões músculo-esqueléticas propriamente ditas, o entorse de tornozelo é a lesão mais frequente no futebol de campo, com destaque também para as lesões musculares dos membros inferiores (isquiotibiais, adutores e gastrocnêmios), com alta incidência na prática do futebol de campo.

O tornozelo anatomicamente é uma articulação do tipo dobradiça, constituída pela tíbia, fíbula e tálus (ossos), pelas articulações tíbio-fibular distal (estabilizada pela membrana interóssea e pelo ligamento tíbio-fibular transverso) e pela articulação tíbio-társica (mais importante), estabilizada lateralmente pelos ligamentos fíbulo-talar anterior, fíbulo-calcâneo e fíbulo talar posterior e medialmente pelo ligamento deltóide (feixes superficial e profundo).

A maioria dos entorses de tornozelo ocorrem por mecanismo de inversão do tornozelo, com lesão dos ligamentos laterais supra citados, sendo o ligamento fíbulo-talar anterior o mais frequentemente lesado. Em alguns casos temos o mecanismo de eversão do tornozelo, com lesão do ligamento deltóide (medial do tornozelo). O tratamento vai depender dos ligamentos lesados, da intensidade de lesão dos mesmos (estiramento, rupturas parciais ou totais) e do perfil do paciente (grau de atividade física, doenças associadas, condições de pele) e pode variar desde medicação, repouso, crioterapia (na fase aguda), imobilização, fisioterapias e até cirurgia (reconstrução dos ligamentos lesados).

Visão medial em supinação

 

A tornozeleira por nós idealizada apresenta capacidade de estabilização dos movimentos de inversão e eversão do tornozelo, comprovada em testes de campo e biomecânicos. Além disso, adapta-se confortavelmente com o uso concomitante de meias esportivas, caneleiras e chuteiras inerentes à prática do futebol de campo. Os outros modelos existentes no mercado são eficientes para esportes de quadra (voleibol, basquetebol e handebol), porém não conseguem adaptar-se ao material esportivo do futebol de campo supra citado.

Além disso, nossa tornozeleira tem configuração anatômica, constituída por dois componentes de neoprene distintos, um fixado no médio-pé e outro na articulação tíbio-társica distal, fixados por tiras mediais e laterais ajustadas pelo atleta na posição mais conveniente ao mesmo, isso possibilita plena adaptação da órtese independentemente do tamanho do pé do atleta, deformidades eventualmente presentes (pés planos valgos-pronados ou pés cavos-supinados) e circunferência de musculatura de panturrilha. A tornozeleira tem ajuste perfeito, confortável, não se desprende com a ação da sudorese local e substitui os enfaixamentos e esparadrapagens, estes últimos ineficazes na estabilização do tornozelo.

Em suma, propomos um novo modelo de tornozeleira, projetado especificamente para prática de futebol de campo, a qual possuímos registro de patente e procuramos parceiros interessados em viabilizar tal projeto, que tem potencial de reduzir drasticamente a ocorrência de entorses de tornozelo no futebol.



Visão posterior

 

*Fernando Peres Amorim Gonçalves é ortopedista e traumatologista, membro das Sociedades Brasileiras de Ortopedia e Traumatologia SBOT, Medicina Desportiva SBME e Densitometria Óssea – SBDENS;

Carlos Tadeu Moreno é ortopedista e traumatologista, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia SBOT e da Sociedade Internacional de Artroscopia e Medicina Desportiva – ISAKOS

Bibliografia

Brown D.E., Neumann R.D. Segredos em ortopedia. Porto Alegre – RS. Editora Artes Médicas, 1996.

Fernandes, J. L. Futebol : ciência, arte ou sorte. São Paulo – SP. Editora Pedagógica e Universitária – EPU, 1994.

Gould III, J. ª Fisioterapia na ortopedia e na medicina do esporte. SAP Paulo – SP. Editora manole, 1993.

Hurwitz S., Ernst G. p., YI S. O pé e o tornozelo. Reabilitação em medicina esportiva: um guia abrangente. São Paulo – manole, cap. 13, 2001

Rodrigues, ª Lesões musculares e tendinosas no esporte. CEFESPAR , 1 edição, São Paulo, p 164, 1994.

Silva, P. R. S. O papel do fisiologista desportivo no futebol – para quê ? e por quê ? Reabilitar, 13 : 30 – 35, 2001.

Sundberg S. Retuming to sports after AM ankle injury. A pediatric perspective. St Paul, v. 12, n. 5, 2003.

Wolfe W. M., UHL T. L., Mattacola C. G. Managmente of ankle sprains. American family physician. Salem, v. 63, n.1, 2001

Comentários

  1. Pedro Coltro Estella disse:

    Está disponível para venda?

  2. Raphael disse:

    Já estão comercializando?

  3. Adriano disse:

    Como entro em contato para produzir? Pode mandar um Whatsapp para 47 988830832.

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