Universidade do Futebol

Ceaf

14/12/2007

Treino é jogo, jogo é treino

Quantas vezes já nos deparamos com os famosos treinos de “sombra”, que geralmente são elaborados na intenção de posicionar a equipe em eventuais situações que talvez aconteçam no jogo. Ou então, o recreativo feito um dia antes da partida. Até mesmo treinos tecnicistas que insistem em manter o padrão de fragmentar as partes do todo como: passe, finalização, entre outros. Todas estas vertentes se encaixam no antigo paradigma.

Ao falar em concentração tática, logo se pode ligar o fato da cobrança que está sendo feita em relação ao estímulo dado para a mesma. É preciso entender que a complexidade é saber o contexto que está em pauta, isto é, se uma partida de futebol é realizada com onze jogadores de um lado e onze do outro, não teria fundamento nenhum executar um coletivo de ensaio das jogadas “profetizadas”. Portanto, dentro da definição de concentração tática é preciso atentar ao fato que a execução de formas de jogar intensa taticamente está juntamente acoplada ao desgaste físico, mas acima de tudo psicológico, que a equipe vai adquirindo ao longo de treinos exigentes a esta proposta.

Para obter êxito nas três primícias do jogo (estruturação do espaço, comunicação das ações e relação com a bola) é necessário extrair o máximo de atenção dos atletas com jogos para a compreensão, fazendo o indivíduo pensar a todo o momento e formular hipóteses para a resolução dos problemas oferecidos. Com isto é preciso salientar a importância do treinador em passar as informações claras em uma lógica interacionista, onde o jogador deve expor suas idéias de modo a entrarem em um denominador comum nas ações propriamente ditas. Na lógica apoiada pela psicologia, ao ingressar na dimensão do olhar e da escuta seletiva (Atkinson, 2002), o atleta necessita de um comandante que o leve a uma concepção exata das dificuldades ocorridas em campo.

Destarte, na ótica do futebol moderno está cada vez mais complexo lidar com práticas antagônicas à concentração tática, pois o nível de intensidade estratégica adquirido pela tecnologia da preparação física, faz com que os desvios de atenção oferecidos por: treinos de posicionamento sem marcação, recreativo pré-jogo e bases tecnicistas, afastem as equipes de novas tendências deste esporte de rendimento. Assim, a idéia de treinar pensando no jogo e jogar treinando novas situações em campo é ingressar no novo modelo futebolístico.

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Referência Bibliográfica

– Atkinson, R. L. Introdução à Psicologia, artmed 13ª ed, 2002.

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