Universidade do Futebol

Geaf

26/09/2009

Treinos táticos pela ótica do preparador físico

Nos tempos atuais, ainda não é consenso, mais tudo encaminha para que treinadores e preparadores físicos unifiquem cada vez mais a parte física, técnica, tática e emocional durante o treinamento dos atletas.

Segundo Weineck (2000), os treinamentos recebem formas, execuções e intensidades diferenciadas, que serão distribuídas no decorrer da temporada. Para Araújo (2002), o modo como as competições são organizadas e distribuídas ao longo de cada época desportiva constitui fator decisivo para a obtenção e manutenção de um elevado nível de resultados.

Entretanto, devido ao alto número de competições durante o ano e com intervalos de tempo muito curtos, acaba dificultando e provocando novos problemas de organização e estruturação do treinamento, gerando um desgaste dos atletas, acrescentando a importância de aliar a parte física com a tática, para que cada sessão do treinamento seja aproveitada ao máximo.

Durante as sessões de treino são desenvolvidos exercícios, que constroem e aprimoram a forma de jogar, especificando algumas situações de acordo com o que o treinador ou o preparador físico tenha como meta para aquele treinamento. Uma das formas de treinamento que está crescendo cada vez mais nos clubes de futebol é o treinamento integrado – de acordo com (Chirosa Rios e Chirosa Rios, 2002) são exercícios que devem conter componentes técnicos, táticos, estratégias, físicas e até mesmo psicológicas que são encontrados durante uma partida de futebol.

Um exemplo de treinamento tático que pode ser integrado por treinadores e preparadores com o treinamento físico é o de marcação pressão, tanto por zona ou individualmente (menos comum no futebol brasileiro). Nele, pode ser treinado na parte física a resistência, velocidade e agilidade, enquanto na parte tática, o posicionamento de cada jogador em virtude dessa marcação.
Outra maneira bastante discutida de treinamento integrado são os jogos reduzidos. Puygnaire e col. (2003) já diziam que é possível também atingir um objetivo físico determinado durante a realização de um jogo reduzido, através da manipulação de variáveis. Essas variações devem ser controladas pelos preparadores físicos e podem ser, por exemplo, o tempo de duração, o número de jogadores, as regras impostas para induzir a ação e também o posicionamento dos atletas, além de outras a serem definidas pela comissão técnica.

Agora, fato é que para essa integração surtir o efeito esperado durante a temporada, necessita ser planejada e estruturada antes mesmo da pré-temporada, para que as etapas de treinamento não sejam queimadas.
 
Tubino e Moreira (2003) reforçam que, todavia, o planejamento, independentemente da área de trabalho, é fundamental para obter parâmetros para a planificação da próxima temporada e, ainda, inclusive, repensar algumas metas, ou alterar a metodologia de trabalho, objetivando corrigir os pontos falhos do treinamento.

Enfim, cabe a preparadores, fisiologistas e treinadores trabalhar de forma unificada e planejada para o melhor rendimento de todos os aspectos que envolvem o futebol.

*Thiago Bandeira de Mello é preparador físico e integrante do Grupo de Estudos Aplicados ao Futebol – Geaf

Bibliografia

ARAÚJO, M. Do modelo de jogo do treinador ao jogo praticado pela equipe. In: Júlio Garganta, Antonio Soares e Carlos Peños. A investigação em futebol. Estudos ibéricos, FCDEF – Universidade do Porto – Portugal, 2002.

BARBANTI, Valdir J. Formação de esportistas. Barueri: Manole, 2005.
Chirosa Rios, L. J.: Chirosa Rios, I. (2002). El trabajo integrado dentro del entrenamiento de un procedimiento de juego en Balomano. Asociacion de Entrenadores de Balomano. Revista Digital-http://www.aebm.com. Ref. Comunicação Técnica 176.

Puygnaire, A. R.; Sánchez, J. S.; Cabezón, J. M. Y. (2003). El entrenamiento aeróbio del futbolista. Educación Física y Deportes. Revista Digital-http://www.efdeportes.com, n. 58, ano 8.

TUBINO, Manoel J. Gomes; MOREIRA, Sergio B. Metodologia científica do treinamento desportivo. 13. ed. Rio de Janeiro: Editora Shape, 2003.

Weineck EJ. Futebol total – o treinamento físico no futebol. Guarulhos: Phorte; 2000.

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