Universidade do Futebol

Entrevistas

25/11/2011

Túlio Prado, autor do livro “A Ciência da Grande Area”

Uma inquietação de Túlio Gustavo do Prado Freitas compartilhada com alguns colegas acadêmicos. Esse foi o mote para que o professor mestre do curso de Educação Física da Universidade de Uberaba (Uniube), com a colaboração de diversos renomados pesquisadores de instituições como Unicamp, USP, UNESP, UFPR, entre outras, organizasse o livro “A Ciência da Grande Área: futebol e conhecimento interdisciplinar”.

A obra procura tornar públicas algumas das discussões e defesas de Túlio Prado a respeito da necessidade de se conduzir mais profissionalmente o futebol no Brasil. E nela são reunidas algumas das áreas mais relevantes da modalidade, tais como a psicologia, a fisiologia, o direito, o treinamento e a nutrição.

Ex-atleta de categorias de base, o gerente da FutArte Escola de Futebol e da TecnoSports Consultoria Esportiva sempre teve muito interesse pelos métodos utilizados pelos treinadores e preparadores físicos com quem conviveu. Assim, resolveu se graduar e, depois, especializar-se em treinamento esportivo.

Há 12 anos trabalhando como coordenador e treinador de escolas de futebol, paralelamente à carreira como docente universitário, Túlio Prado, que diz estar satisfeito com o retorno que tem recebido dos leitores, também mergulhou na área de gestão.

“Talvez a principal contribuição da Administração seja possibilitar uma visão mais sistêmica sobre o tema do futebol. Alguns conceitos extremamente importantes, como o planejamento e a gestão de projetos, são de grande valia para os profissionais do esporte”, revela nesta entrevista à Universidade do Futebol.

Para ele, o excesso das metodologias tecnicistas pode tolher a criatividade e inventividade que tanto se destacou nos craques brasileiros. Mas não se pode ser contra a existência das escolinhas que em alguns bairros são o único local onde a criança pode praticar o futebol.

O professor mineiro entende ser inconcebível que um clube que tenha em seu grupo principal um grande número de jogadores recebendo salários mensais astronômicos e alegue não ter dinheiro para implementar um departamento voltado à descoberta de talentos.

“Ora, se o clube não tem esse trabalho de captação, acaba ficando refém dos olheiros amadores e dos agentes que nem sempre têm interesses comuns aos seus”, completa.

Confira a agenda da Universidade do Futebol

 

Universidade do FutebolQual é a sua trajetória profissional, sua formação acadêmica e seu ingresso no ambiente do futebol?

Túlio Prado – Fui atleta de categorias de base e sempre tive muito interesse pelos métodos utilizados pelos treinadores e preparadores físicos com quem convivi. Assim, resolvi cursar a faculdade de Educação Física e, posteriormente, especializar-me em treinamento esportivo.

Em 2003, conclui o meu mestrado com uma pesquisa sobre futebol. Estou há 12 anos trabalhando como coordenador e treinador de escolas de futebol, paralelamente à carreira como docente universitário.

Universidade do FutebolQuando surgiu a ideia dessa obra e como foi delineada a produção?

Túlio Prado – O livro nasceu de uma inquietação minha e de alguns colegas acadêmicos, já que sempre discutimos e defendemos a necessidade de se conduzir mais profissionalmente o futebol no Brasil.

Temos excelentes profissionais atuando nesse mercado, mas a grande maioria não consegue desenvolver projetos que integrem diferentes saberes. Especialistas de diversas áreas atuam em um clube, mas, normalmente, cada um faz a sua parte, sem conseguir atuar de maneira realmente integrada.

Assim, surgiu a ideia de reunir em um livro os conhecimentos de algumas das áreas mais relevantes do futebol, tais como a psicologia, a fisiologia, o direito, o treinamento e a nutrição, entre outras. O passo seguinte foi convidar pesquisadores e profissionais que representassem cada uma dessas áreas para que pudessem contribuir com capítulos no livro.

Temos consciência de que muitas outras áreas poderiam ter sido abordadas, já que o futebol é um esporte extremamente amplo e dinâmico. De qualquer maneira, estamos satisfeitos com o retorno que temos recebido de nossos leitores.

Universidade do FutebolAlém de mestrado em Educação Física, você também cursa Administração. Como essas duas graduações se convergem em sua compreensão e capacidade analítica do futebol?

Túlio Prado – Talvez a principal contribuição da Administração seja possibilitar uma visão mais sistêmica sobre o tema do futebol. Alguns conceitos extremamente importantes, como o planejamento e a gestão de projetos, são de grande valia para os profissionais do esporte.

Infelizmente, no entanto, embora seja comum ouvirmos que “o treinador fez o planejamento para a temporada”, na realidade o que mais se faz é apenas um esboço que não considera detalhadamente aspectos como a análise de forças, fraquezas, oportunidades, ameaças, recursos e alternativas, entre outros.

As gestões de conhecimento e de pessoas também são áreas que enriqueceriam o trabalho de qualquer profissional do futebol.

Em suma, o futebol é encarado como um objeto de caráter eminentemente subjetivo e, com o auxílio da Administração, podemos enxergá-lo de uma maneira mais objetiva e concreta.

Universidade do FutebolNo segundo capítulo da obra organizada por você, é tratado o tema “Futebol de base e psicologia do esporte”. Quais as especificidades de um trabalho nessa área com jovens em formação, ainda mais em se tratando de uma competição tão midiática quanto a Copa São Paulo de Futebol Júnior?

Túlio Prado – Esse capítulo, sobre a psicologia do esporte, foi escrito pelo amigo Bruno José de Mattos, que além de psicólogo é profissional de Educação Física com mestrado na área.

Concordo com o Bruno quando ele afirma que um dos aspectos mais importantes é o controle da ansiedade. Os garotos vivenciam a Copa São Paulo como a ponte que separa o fracasso do sucesso. De acordo com essa visão, ao jogá-la pode-se ficar de vez no ostracismo ou, então, dar o primeiro passo rumo ao reconhecimento e ao sucesso.

Considerando que a maior parte desses jovens vem de famílias de baixo poder aquisitivo, a pressão para que consigam a ascensão econômica também representa um fator extremamente estressante.

E, a meu ver, mais importante ainda seria a preparação psicológica dos treinadores, que podem fazer a diferença pela maneira como conduzem o seu convívio com o grupo de jogadores. Um profissional que privilegie alguns em detrimento de outros pode ser o causador de uma série de problemas no curto prazo.

Em 2011, o Flamengo faturou uma das mais importantes competições das categorias de base; aspecto emocional condiciona a Copa SP

 

Universidade do FutebolAlém disso, em sua avaliação, qual a fronteira entre a participação do preparador físico no amparo psicológico aos atletas, e o trabalho propriamente dito de um profissional específico da área?

Túlio Prado – O preparador físico é quase sempre aquele que tem mais contato os atletas e essa condição deve ser usada como um recurso para se conhecer melhor o grupo e para desenvolver os comportamentos considerados positivos.

Ao ter acesso aos jogadores, esse profissional pode estimular situações e posturas que sejam favoráveis ao ambiente e ao progresso do trabalho. Neste sentido, é fundamental que não só o preparador físico, mas toda a comissão técnica trabalhe conjuntamente com o psicólogo do esporte a fim de identificar os objetivos e analisar a abordagem que será adotada.

Universidade do FutebolComo você vê, dentro do âmbito escolar e das próprias escolinhas de futebol, a possibilidade de instrumentalizar o futebol para integrar novos conhecimentos?

Túlio Prado – Esse é um dos grandes desafios da pedagogia do esporte. Estou certo de que essa instrumentalização seja possível e cada vez mais necessária. A questão é como implementá-la sem que tenhamos recursos humanos com o conhecimento, as habilidades e, sobretudo, a atitude para fazê-la.

Ou seja, é preciso ensinar os novos profissionais a pensar e a agir diferente. E esse é um papel que deveria ser cumprido pelas universidades brasileiras, mas que em minha análise está longe de ser efetivado.

Universidade do FutebolO fato de as crianças não brincarem mais tanto de futebol, desenvolvendo essa atividade majoritariamente em escolinhas ao comando de um professor muitas vezes tecnicista, pode acarretar em uma perda da identidade brasileira ao longo do tempo?

Túlio Prado – Não podemos ter dúvidas disso. Aliás, precisamos encarar essa realidade com a seriedade que ela exige.

O excesso das metodologias tecnicistas pode tolher a criatividade e inventividade que tanto se destacou nos craques brasileiros. Não se pode, no entanto, ser contra a existência das escolinhas que em alguns bairros são o único local onde a criança pode praticar o futebol, já que o processo de urbanização das cidades, assim como a violência crescente, tem forçado para a extinção das “peladas na rua”, que foram os grandes laboratórios da ginga brasileira.

Assim, penso que as escolas de futebol podem ter uma contribuição valiosa no processo formativo dos futuros atletas, desde que os professores saibam equilibrar o seu poder de comando com a liberdade de ação e a ludicidade de seus alunos.

Universidade do FutebolQual é a sua avaliação sobre a formação de atletas de futebol no Brasil? Os grandes clubes formadores sabem exatamente que jogador estão procurando para fazer parte desse contexto?

Túlio Prado – Após coordenar escolas de futebol vinculadas a dois grandes clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, tenho a convicção de que a resposta a essa questão não é a que gostaríamos que fosse.

No “país do futebol” ainda há uma grande dificuldade no estabelecimento das metas e nos procedimentos de seleção, detecção e promoção de talentos. Além dos problemas políticos internos, tais como a influência obscura dos interesses de diretores e agentes, os clubes parecem não entender que o departamento de base é o seu bem mais valioso e, como tal, deveria ser de gestão prioritária.

Especificamente em relação à área técnica, percebe-se a ausência de um padrão de trabalho, culminando para uma autonomia profissional que nem sempre é positiva ao clube. Um exemplo é um treinador da categoria sub-15 que monta o seu time de acordo apenas com as suas preferências e convicções pessoais, sem respeitar a filosofia de trabalho defendida pelo coordenador da base.

Os treinadores, às vezes, se esquecem de que mais importante que a vitória em um jogo ou um título de torneio, o seu papel é formar e promover os atletas para as categorias seguintes. Afinal, se essa promoção for bem sucedida, mais garotos formados na casa chegarão à equipe profissional, a um custo muito menor que a contratação de atletas formados fora.

Além disso, é inconcebível que um clube que tenha em seu grupo principal um grande número de jogadores recebendo salários mensais de 50, 100, 200 mil reais, alegue não ter dinheiro para implementar um departamento voltado à descoberta de talentos, com três ou quatro profissionais com conhecimento e recursos tecnológicos para percorrer as cidades em busca de jovens com alto potencial.

Ora, se o clube não tem esse trabalho de captação, acaba ficando refém dos olheiros amadores e dos agentes que nem sempre têm interesses comuns aos seus.

Para Túlio Prado, se o clube não tem um trabalho de captação profissional, acaba ficando refém de olheiros amadores e agentes nem sempre confiáveis

 

Universidade do FutebolNos fóruns de discussão sobre a modalidade, muito se fala sobre a importância da “dimensão técnica”. Sobre qual processo os profissionais devem se orientar: por aquele orientado por um “estereótipo” de gesto “perfeito”, em que se estabelece biomecanicamente o que é bom e o que não é, ou o que é a expressão da autonomia e criatividade do indivíduo, para resolver problemas do jogo quando ele está ou não de posse da bola? Em outras palavras, o treinamento técnico deve partir da técnica ao jogador ou do jogador à técnica?

Túlio Prado – Deve-se lembrar sempre que os atletas são diferentes entre si, tanto anatomicamente, com alavancas corporais distintas, como intelectual e emocionalmente. Assim, há uma diversidade de maneiras pelas quais um indivíduo pode aprender a uma tarefa, da mesma maneira que o gesto perfeito para um pode não sê-lo para outro.

Além disso, essa questão é um bom exemplo para discutirmos os conceitos de eficiência e eficácia. Ao se executar um gesto biomecanicamente perfeito, o atleta estará sendo eficiente, o que não significa que foi eficaz. Um atleta que bate na bola com estilo e classe não necessariamente estará acertando o passe ou fazendo o gol.

Por outro lado, um atleta que não tenha o movimento limpo e correto pode ter um excelente aproveitamento em suas ações técnicas.

Ou seja, acho que é importante estimularmos o gesto mais bonito, mais plástico e mais econômico do ponto de vista energético, mas é fundamental que respeitemos as características de cada atleta.

 “É importante estimularmos o gesto mais bonito, mais plástico e mais econômico do ponto de vista energético, mas é fundamental que respeitemos as características de cada atleta”.

 

Universidade do FutebolEm se considerando treinamentos mais complexos e integrados, como devem ser orientados os ensinamentos táticos nas categorias de base?

Túlio Prado – Isso depende muito da faixa etária, da experiência e do nível dos jogadores. A orientação dada a uma equipe sub-13 é totalmente diferente do trabalho realizado com a categoria sub-17, por exemplo.

Entretanto, de maneira geral, os jogos situacionais que proporcionem o maior número de ações específicas e realistas, possibilitam um grande aprendizado das questões táticas.

O erro mais comum nesse caso é quando o treinador conduz exaustivamente a atividade prática, cobrando o envolvimento e a intensidade das ações, mas peca na discussão e na análise do que foi aplicado. Ou seja, tão ou mais importante que fazer na prática, é discutir com os seus atletas o que foi realizado.

Deve-se reservar um tempo maior para o aprendizado teórico e para a reflexão sobre as movimentações que ocorrem no futebol. Importa ainda ressaltar que o hábito de analisar com os jogadores os vídeos de jogos da própria equipe e de times de referência, pode representar um grande diferencial no aprendizado tático.

Universidade do FutebolA partir de que faixa etária deve haver uma preocupação didática em explicar e discutir os treinos? Esses atletas jovens podem desenvolver um processo de autonomia e participar da construção de uma atividade?

Túlio Prado – Em minha experiência pude perceber que a partir de 7 anos já é possível e valiosa a discussão das atividades. É claro que o formato e a complexidade desse processo devem ser moldados às limitações de interpretação das crianças.

Quanto à autonomia, é sempre interessante deixar um espaço para que os jovens possam expressar os seus interesses e preferências. Evidentemente, o professor ou o treinador devem saber se o momento permite a flexibilização das atividades, tendo a preocupação de cuidar para que os objetivos de médio e longo prazo não sejam prejudicados.

Experiente no comando de escolas de futebol, Túlio Prado afirma que, a partir de 7 anos de idade, já é possível e valiosa a discussão das atividades com os alunos

 

Universidade do FutebolEm se pensando o futebol no aspecto humano e social, você acredita que a influência da cultura condiciona um determinado tipo de comportamento? É possível se falar em escolas regionais de futebol?

Túlio Prado – O futebol, como qualquer jogo esportivo, é uma manifestação da cultura. Assim, a nossa formação como seres sociais influencia a maneira como vimos e praticamos o futebol.

Por outro lado, embora eu respeite os colegas que acreditam nas escolas regionais, tenho uma dificuldade para aceitar que a globalização do futebol ainda permita a existência de estilos de jogos caracterizados geograficamente.

Acredito muito mais na determinação de estilos de treinadores, que têm mais relação com a sua experiência anterior como jogador profissional ou amador e com a sua formação intelectual, cultural e teórica, que com a região, estado ou país nos quais o clube esteja localizado.

Universidade do FutebolVocê participou da primeira turma do Curso Master em Técnica de Campo. Qual a sua avaliação geral sobre o projeto, quais foram as suas principais absorções e como enxerga o cenário para qualificação de profissionais de futebol no Brasil hoje?

Túlio Prado – Considero-me um felizardo por ter participado da primeira turma desse curso. Como resido em Uberaba, a 470 km de São Paulo, participar desse projeto exigiu uma grande dedicação, sobretudo pelas viagens semanais. E a minha análise é que o retorno que obtive foi extremamente positivo.

Quando se faz um curso na área de futebol, normalmente buscamos mais que a troca de informações e a aquisição de novos conhecimentos. Queremos também uma possibilidade de networking, de ter acesso real aos palestrantes e aos demais alunos. E esse foi uma grande característica desse curso.

Tive a oportunidade de conhecer o Prof. João Paulo Medina, idealizador do curso, e pude perceber que tão grande quanto a sua enorme experiência no futebol é a sua simplicidade e o seu comprometimento com os seus projetos.

Quanto à qualificação profissional no futebol, vejo que o mercado está sedento por iniciativas como o curso promovido pela FPF e pela Universidade do Futebol. Os novos profissionais sabem que a capacitação é um dos melhores recursos para quem quer entrar no mercado e os que já atuam na área estão cada vez mais conscientes que, ou abrem a cabeça para o conhecimento, ou correm o risco de perder o seu espaço.

Essa é a hora da verdade. O futebol brasileiro precisa lutar para manter-se no topo. E, para isso, precisamos cada vez mais da oferta de livros, eventos, congressos e cursos que possibilitem a discussão e o enriquecimento de nossa formação e de nossa atuação profissional.

Túlio Prado participou da primeira turma do Curso Master em Técnica de Campo; na segunda edição, realizada neste semestre, Carlos Alberto Parreira (foto) conferiu a aula magna

 

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