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25/02/2019

Um Novo Calendário para o Futebol Brasileiro Entrar no Século XXI

Se queremos que o futebol brasileiro evolua, este precisa ser melhor gerido. E, para haver melhor gestão, é preciso repensar o calendário.

Esse é o discurso que tem sido feito reiteradas vezes. É preciso que deixe de ser discurso, para se tornar realidade.

Um passo fundamental para isso é que se torna necessário tomar uma decisão corajosa, no futebol brasileiro: não é possível fazer futebol profissional para mais de 600 clubes, de acordo com o número de clubes que disputam Campeonatos Estaduais atualmente.

O que proponho, alternativamente, é o seguinte: tenha-se, no Brasil, 256 clubes profissionais, com os outros revertendo ao amadorismo e certames compatíveis.

Atualmente, o futebol brasileiro possui mais de 600 clubes em atividade. Já tive a ilusão que todos estes deveriam jogar a temporada inteira, como forma de prolongar vínculos profissionais ao longo de cerca de um ano de profissionais de futebol, “inundando” o mercado de empregos.

No entanto, hoje afirmo: isso não é viável.

Dos 600 e tantos clubes mencionados, muitos, a maioria deles, são modestíssimos, incapazes de gerar receitas com constância. Não existe condições para tantos clubes jogarem competições profissionais e, assim, boa parte deles devem aderir ao futebol amador.

Partindo do princípio que pouco mais de 100 clubes no Brasil tenham algum apelo comercial, mesmo que no caso de alguns deles seja um apelo relativo, elaborar um calendário em que mais de 600 clubes estão em atividade a temporada total significaria, das duas, uma:

  • Ou muitas centenas de clubes, de pequeníssimo porte, perderiam cada vez mais dinheiro a cada partida oficial.
  • Ou se precisaria de mega subsídios, um valor monetário exorbitante, para financiá-los, levando os diversos stakeholders da atividade futebolística à bancarrota (não sou contra subsídios aos clubes menores, mas estes devem ser corretamente direcionados).

Cabe ressaltar, contudo, que a antítese a esta ideia também não é salutar para o nosso futebol: ter-se uma estrutura em que de 40 a 60 clubes, apenas, jogam a temporada inteira é igualmente um erro. Seria uma verdadeira elitização do futebol brasileiro.

Elitizar o futebol é algo equivocado, que não é bom para o negócio, não condiz com nossa tradição, com nossa dimensão, com nossa vocação democrática.

Levando-se em consideração que nosso país tem 27 unidades federativas, e que cada uma delas tivesse três clubes profissionais, só aí se está contemplando 81 clubes.

Acrescente-se o seguinte: um estado como São Paulo, com tantos clubes de futebol tradicionalíssimos, pode ter menos de 30 clubes profissionais? E como um estado como o Rio de Janeiro pode ter menos de 20 clubes profissionais? E como estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul podem ter menos, cada um, de 15 clubes profissionais? E assim por diante.

Em suma: futebol profissional no Brasil com apenas dezenas de clubes não é algo condizente com o tamanho e a população do país.

Como costumam dizer que no meio é que está a virtude… nem tanto, nem tão pouco. Um calendário não para dezenas de clubes, mas para centenas. Mas não para muitas centenas, e sim para poucas centenas. Um calendário contemplando atividades para 256 clubes ao longo de toda a temporada parece uma solução que, por um lado, não é elitista e, por outro, não é populista.

Partindo-se dessa premissa, os clubes são divididos em duas categorias: os 256 profissionais, que jogam a temporada toda; as centenas de outros, que jogam certames amadores e locais.

Precisa-se, portanto, engendrar um calendário racional, pertinente, eficaz, para os 256 principais clubes do futebol brasileiro. É uma realidade que tem que ser refletida pela Confederação Brasileira de Futebol, pelas Federações, pelas Redes de Televisão, pelos Sindicatos e pelos próprios clubes.

 

*Luis Filipe Chateaubriand acompanha o futebol há 40 anos e é autor da obra “O Calendário dos 256 Principais Clubes do Futebol Brasileiro”

 

Comentários

  1. Vinicius disse:

    Mas como determinaríamos quais são os 256 principais clubes do Brasil? Existiriam Estados sem clubes profissionais?
    Fiz uma conta rápida por aqui, considerando a proporção populacional dos estados brasileiros, quantos clubes profissionais seriam “permitidos” por Estados.
    O resultado é o seguinte:
    SP: 56 clubes; MG: 26 Clubes; RJ: 21 Clubes; BA: 19 Clubes; PR: 14 Clubes; RS: 14 Clubes; PE: 12 Clubes; CE: 11 Clubes; PA: 10 Clubes; SC: 9 Clubes; MA: 9 Clubes; GO: 8 Clubes; Demais Estados: 47 Clubes. Nesse último caso, para facilitar a conta, aumentei para 60 clubes, a fim de serem permitidos 4 agremiações profissionais por Estado;
    Já vemos algumas distorções, como SC com apenas 9 clubes e estados tradicionais como o Rio Grande do Norte com apenas 4

    Vamos para o Caso particular, Estado do Paraná:
    Dentre os 14 Clubes poderíamos ter no máximo 2 divisões profissionais. Considerando todos os times da Primeira Divisão do Paranaense como profissionais teríamos:
    1 – Athletico; 2 – Coritiba; 3 – Paraná Clube; 4 – Londrina; 5 – Operário/PG; 6 – Toledo; 7 – Maringá; 8 – Foz do Iguaçu; 9 – FC Cascavel; 10 – Cianorte; 11 – Cascavel CR; 12 – Rio Branco de Paranaguá;

    Sobram 2 vagas;
    Somente na segunda divisão temos Clubes tradicionais como:
    Batel de Guarapuava; Iraty SC; Nacional de Rolândia; Atlético Paranavaí; Prudentópolis;

    Quem vira profissional? Quem fica de fora? Cidades com população, potencial econômico e tradições parecidas;

    Como contemplar estados com pouca representatividade?

    Minha proposta seria a criação de uma série E (ou D) nacional na qual todo e qualquer clube que deseje possa participar, bem como uma copa que contemple inclusive times amadores (como na Inglaterra); Para ser profissional, o clube deve ser sustentável, com legislação específica.

    • João Helmute Otto disse:

      Promover o futebol amador. Elaborar copas municipais e regionais com o patrocínio das empresas particulares de cada município dando incentivo fiscal as mesmas. Valor arrecadado dividir em partes iguais aos times. Alem disso, podendo cada qual aceitar doações de pessoas fisicas. Concomitante as copas, elaborar campeonatos entre várias categorias na modalidade futsal junto as escolas municipais. Ficaria a cargo de cada secretaria municipal, seja ela de esporte/lazer e educação respectivas a cada modalidade. Buscar “exigir” divulgação e cobertura dos jogos via imprensa local rádio/jornal/TV em benefício as concessões que esses meios de comunicações tem com o governo federal, abrindo espaço para arrecadação de mídia em promoção dos jogos.

      • Boa proposta de organização. Acredito que se deva fortalecer estruturas tipo “pirâmide” no futebol, incentivando o surgimento de ligas regionais, cada uma dentro de sua realidade e fortalecendo o futebol a nível local.

  2. Calebe disse:

    Legal a idéia … e deve ser levada em conta na discussao de um calendário novo mas o problema é que ela é sustentada apenas em um argumento… a quantidade de clubes… sendo que existem muitos outros a ser considerados… preparacao física, economia, marketing, categorias de base, desenvolvimento do futebol….

  3. Luiz Carlos Lula da Silva disse:

    Minha proposta para o calendário do futebol brasileiro é a seguinte: Três Ligas Nacionais (Ouro, Prata e Bronze), com 20 clubes cada uma, disputada em pontos corridos, em turno e returno, com jogos apenas nos finais de semana. Ascendendo 04 equipes entre as ligas, consequentemente são rebaixadas igual número. O quarto nível do futebol brasileiro será o Campeonato Nacional com 270 equipes, dividido em 27 Ligas Estaduais com 10 clubes, em 4 turnos (Dois de ida e 2 de volta), classificando o campeão de cada liga para a 2a fase. Os 27 clubes da 2a fase serão divididos em 9 grupos regionalizados de 3 clubes, em jogos apenas de ida, classificando o campeão de cada grupo para a fase seguinte. Na 3a fase, os 9 clubes serão divididos em 3 grupos, disputada em turno único. O campeão de cada grupo disputarão o triangular final em turno único para se apurar o Campeão do Campeonato Nacional. A quarta vaga para subir à Liga Bronze será apurada por um triangular formado pelos 2°s colocados dos grupos da 3a fase, jogado em turno único.

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