Universidade do Futebol

Geaf

29/02/2008

Uma concepção de funções ´preparador físico´ e treinamento no futebol

Sempre que ouvimos ou citamos algo a respeito de “treino físico” no futebol pensamos em tudo que existe a respeito de trabalho funcional, assim sendo, força, resistência ou velocidade.

O que devemos prestar mais atenção ao definir uma linha de trabalho baseado em visões multi, inter ou transdisciplinares é: existe treinamento não físico no futebol?

Qualquer objetivo tático ou técnico exige um desgaste e atua sobre uma ou mais capacidades motoras.

Com isso, como diferenciar um treinamento contínuo ou intervalado de um treinamento de posse de bola meio campo 8×8 ou 10×10? Como podemos tratar treinamento físico e tático de maneira diferente?

Assim, não existe treinamento não-físico no futebol.

Talvez o maior equívoco ao se almejar controlar cargas no futebol seja a fragmentação extensa dos conteúdos, perdendo de foco a modalidade em questão.

A partir do momento que classificamos os treinamentos em físico, técnico e tático estamos qualificando o treinamento tático, bem como o técnico, como não físico deixando de considerar as variáveis físicas embutidas em cada conteúdo, transformando em utopia o conceito de treinamento total.

Quando tentamos controlar a freqüência cardíaca em coletivos, jogos ou jogos dirigidos é preciso pensar que tipo de ação tática a equipe ou atletas vai exercer, pois a intensidade varia simplesmente por uma questão de mudança de função ou falhas e êxitos táticos.

Desta forma, ao considerarmos a carga cognitiva, pensamos no futebol como uma modalidade em que exige um determinado desgaste físico associado à tomada de decisão rápida e eficaz. Isso nos responde a questão de como diferenciarmos o treinamento físico puro e o treinamento situacional.

Ao definir o treinamento tático por sua vasta relação de conteúdos, é fundamental, portanto que o volume de treinamento seja direcionado para a solução de questões táticas deixando o treinamento funcional apenas para força e velocidade, sendo que estas também podem estar embutidas nos treinos com bola.

Os motivos para se trabalhar isoladamente apenas força e velocidade esta na necessidade de melhorar a eficiência do sistema contrátil muscular bem como prevenção de lesões.

Neste sentido chegamos num ponto importantíssimo: e qual a função do preparador físico neste contexto?

É fundamental que os preparadores se aprimorem e exercitem os conceitos inter e transdisciplinares. É importante também que consigam qualificar cada treinamento tático (pois é o componente tático que vai direcionar o trabalho) e que possa contribuir para a melhora da eficiência motora dos futebolistas dentro da especificidade da modalidade.

No que se refere a questões disciplinares é fundamental incorporar ao trabalho informações de todas as áreas possíveis evitando a chamada fragmentação do esporte e buscando sempre a síntese dos conhecimentos.

Acredito, com isso, que existe uma possibilidade deste profissional mudar de nome a se pensarmos na não existência do treinamento não físico e percepção real do atleta como ser indivisível e não um mero conjunto de partes isoladas.

* Especialista em treinamento esportivo pela UFMG e preparador físico do Clube Atlético Mineiro.

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