Universidade do Futebol

Ciefut

18/08/2010

Uma unidade de treino objetivando a montagem de um 1-4-4-2 com duas linhas de quatro jogadores, marcando em zona

Modelo de Unidade de Treino

Esse artigo tem por objetivo detalhar de forma um pouco mais aprofundada a Unidade de Treino disponível para download (abaixo), acrescentar algumas informações que não estão presentes ao lado dos exercícios. Mais uma vez cabe destacar que se trata de uma Unidade de Treino aplicada na segunda quinzena do terceiro mês de trabalho (portanto já durante a competição) e está integrada a um processo que se iniciou no primeiro dia do trabalho com a equipe.
 

 

Unidade de Treino
 

 

Como as possibilidades da estruturação do Modelo de Jogo são quase que infinitas e cada treinador irá se deparar com uma realidade, a ideia da apresentação dessa pequena parte do trabalho é sugerir alguns caminhos e iniciar alguns conflitos na forma de perspectivar o treinamento, para que cada um crie sua forma de trabalhar de acordo com as convicções que carrega.

– O Modelo de Jogo

Basicamente, nos quatro grandes momentos do jogo, esse é o comportamento a ser potencializado nas atividades:

– Organização defensiva: impedir a progressão do adversário;
– Transição ofensiva: tirar a bola da zona de pressão;
– Organização ofensiva: progredir de forma apoiada ao ataque;
– Transição defensiva: recompor-se rapidamente atrás da linha da bola

– O Aquecimento

Estão propostas três atividades para o aquecimento, para que uma delas seja escolhida para a preparação dos atletas nesta sessão. Cabe ressaltar que no momento do aquecimento, o grupo já está reunido há algum tempo, teve uma conversa inicial com o treinador e a sessão de treino está em andamento, por isso o enfoque no aquecimento é de uma atividade introdutória e que terá relação com o conteúdo a ser desenvolvido em seguida.

Note que nas três atividades, os atletas estão passando por situações problema similares às que serão propostas na seqüência. Somando-se o tempo que os atletas reúnem-se com o treinador, mais um tempo aproximado de 15 minutos para o aquecimento, tem-se em torno de meia hora destinada a este momento do treino.

– Exercício 1

Com o estreitamento do campo de jogo, a distribuição dos cones e a pontuação na “zona azul”, há uma tendência para a dinamização do jogo mais em profundidade do que em largura. Princípios estruturais como a profundidade (ataque) e o bloco (defesa) aparecem como meios devido à exigência da atividade.

– Exercícios 2 e 3

Essa atividade proporciona a utilização de toda a largura em meio campo, potencializando alguns princípios estruturais como a amplitude (para quem ataca) e o equilíbrio vertical (para quem defende). Inclusive, o posicionamento dos cones amarelos indica bem essa questão.

A “zona azul” inserida no “Exercício 3” cria novas problematizações para a atividade, pois a tentativa de invasão na mesma faz com que a gestão do espaço para ambas equipes se altere sensivelmente.

– Exercícios 4 e 5

Com a aproximação do desenho pretendido, o número de atletas bem próximo do jogo formal e o espaço pouco maior que meio campo, essa atividade visa à intensificação (não intensidade) do cumprimento dos objetivos obrigando as equipes a se ajustarem rapidamente aos estímulos do adversário.

No “Exercício 5” foi colocada uma regra que em princípio parece em desacordo com o Modelo de Jogo da equipe, porém esse tipo de alteração, numa perspectiva sistêmica, gerará alguns comportamentos que podem ser importantes para o desenvolvimento do jogar da equipe, inclusive com o aparecimento de novos problemas a serem resolvidos.

Algumas informações são importantes sobre a Unidade de Treino:

– o tempo total de treino foi de duas horas (conversa com o treinador + aquecimento + parte central);

– esse treinamento foi realizado numa quinta-feira em uma semana com jogos aos domingos;

– os deslocamentos de um dos atletas (escolhido aleatoriamente) foi mensurado com GPS e os dados apontam para uma especificidade excelente;

– a frequência cardíaca também foi aferida em alguns atletas (inclusive o atleta que portava o GPS) durante todo o treinamento;

– a quantidade de esforços anaeróbios láticos e aláticos durante a parte central (uma hora e meia) foi superior àquela referida por inúmeros autores que estudam as características do jogo de futebol, apontando para o fato de que com um processo bem estruturado, é possível manipular a performance dos jogadores no jogo.

*Leandro Calixto Zago é Bacharel em Educação Física pela Unicamp (CREF 038004-G / SP) e membro do Ciefut  - www.futeboltatico.com

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