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26/07/2007

Uso da cinesioterapia em lesões

Nesta matéria, destaco a importância da cinesioterapia na recuperação do atleta. A cinesioterapia é hoje um dos mais importantes recursos de que o fisioterapeuta dispõe. Nela são utilizadas técnicas específicas que progressivamente irão restaurar a condição funcional do atleta, retornando mais rapidamente para as atividades desportivas.

É importante lembrar que os exercícios cinesioterapêuticos devem ser incluídos tão logo o atleta tenha condição de iniciar, respeitando os limites que sua lesão impõe. São incorporadas etapas para o reestabelecimento funcional, que poderão ser utilizadas de acordo com a especificidade da lesão, que incluem:

1) amplitude total de movimento

Exercícios passivos: Executados com a ajuda do fisioterapeuta visa restaurar a amplitude de movimento de forma gradual.

Exercícios ativos: Executados pelo atleta em que, este,progressivamente, eleva o membro afetado procurando atingir sua amplitude total.

2)Alongamentos:

Balísticos: Movimentos vigorosos para alongar determinado músculo. Este tipo de alongamento produz forças descontroladas no músculo podendo causar microrupturas.

Estático: Músculo é mantido na posição por um determinado período. Ideal entre 15 a 30 segundos 3 a 4 vezes. Alongamentos mais de 30 segundos é desconfortável para o atleta.

FNP: Técnicas específicas da Fisioterapia (contrair-relaxar, sustentar e relaxar)

3)Restaurar ou aumentar a força, resistência e potência muscular:

Exercício Isométrico: É comumente realizado na fase inicial do tratamento. São aqueles onde se contrai o membro contra a resistência ( sem produzir movimento ). Os exercícios isométricos aumentam a força estática e ajudam a diminuir a atrofia, auxiliam também na diminuição do edema pelo mecanismo de ” bomba muscular”, que facilita a remoção dos fluídos do edema.

Exercício Resistido Progressivo : Pode ser realizada com pesos livres, em aparelhos de musculação ou tubos de borracha. São utilizadas contrações isotônicas (produzem movimento articular). Concêntricas (positivas) como por exemplo quando o joelho estende (sobe) e excêntrica (negativa) quando o joelho flexiona (desce). O exercício resistido progressivo tem se concentrado basicamente no componente concêntrico e , de certa forma, minimizando a importância do componente excêntrico.

Exercícios Isocinéticos: Os aparelhos isocinéticos usam velocidade fixa com resistência acomodativa para proporcionar resistência máxima em toda a amplitude de movimento. Encontrados apenas em locais de excelência em reabilitação, mas deve-se ter conhecimento da importância de se utilizar esta ferramenta a favor de um processo de recuperação.

Exercício Pliométrico : Incorporado no estágio final do programa de reabilitação. São úteis para restaurar ou desenvolver a capacidade do árbitro de produzir movimentos dinâmicos associados à potência muscular. É um trabalho integrado de saltos e deslocamentos contínuos.

4)Exercício em Cadeia Cinética Aberta X Exercício em Cadeia Cinética Fechada

Uma cadeia cinética aberta existe quando o pé ou a mão não estão em contato com o solo ou outra superfície qualquer. Na cadeia cinética fechada, o pé ou mão estão sustentando o peso. Os exercícios em cadeia cinética fechada deve ser o de primeira escolha num processo inicial de tratamento.

5)Restabelecer controle neuromuscular ( Propriocepção) :

A capacidade de perceber a posição de uma articulação no espaço é medida por mecanorreceptores encontrados nos músculos e nas articulações, além dos receptores cutâneos, visuais e vestibulares. O controle neuromuscular com o sistema nervoso central para interpretar e integrar as informações cinéstésicas e proprioceptivas e, em seguida, para controlar os músculos e as articulações individuais para produzir movimentos coordenados.

Após a lesão e subseqüentes repouso e imobilização, o sistema nervoso central “esquece” como juntar informações provenientes dos mecanorreceptores. O controle neuromuscular é a tentativa da mente de ensinar o corpo a controlar conscientemente um movimento específico. Neles, incluímos os exercícios de fortalecimento.

6)Melhorar o equilíibrio:

OEquilíbrio envolve a integração complexa das forças musculares, das informações sensoriais neurológicas recebidas. Atletas que demonstram um senso de equilíbrio diminuído após a lesão podem não possuir informações proprioceptivas suficientes e podem apresentar fraqueza muscular, que pode limitar a capacidade de gerar uma resposta de correção eficaz. O programa deve incluir exercícios funcionais que incorporem o equilíbrio, de forma a preparar para o retorno da atividade. Se os problemas de equilíbrio não forem abordados, o atleta pode ficar predisposto à reincidência da lesão.

7)Manter capacidade cardiorespiratória :

Dependendo da natureza da lesão, há uma série de atividades que podem ajudar a manter os níveis de condicionamento adquiridos, sem prejudicar o processo de tratamento. Atividades em piscina, com pesos e bicicleta podem ser incorporadas para preservar um nível mínimo de condicionamento, preparando seu retorno às atividades.

8)Incorporar progressões funcionais adequadas

As progressões funcionais ajudarão, gradativamente, o atleta lesado a recuperar a amplitude de movimento total e indolor, a restaurar os níveis de força apropriados e a readquirir o controle neuromuscular ao longo de todo o programa.

9)hidroterapia

A inclusão de um programa de hidroterapia pode oferecer muitas vantagens. O empuxo da água permite o exercício ativo ao mesmo tempo em que oferece a sensação de segurança e traz pouco desconforto. No início do processo a hidroterapia é útil para restaurar a amplitude de movimento e a flexibilidade. À medida que a função normal é reestabelecida, o treinamento de resistência e as atividades específicas podem ser incorporadas.

Marcelo Luiz de Souza é fisioterapeuta e profissional de educação física, com especialização em fisioterapia desportiva.

marceloluizsouza@globo.com

21 78223025 / 21 96275472 Id: 23*22144

Bibliografia

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