Universidade do Futebol

Gepeff

05/07/2013

Valores no esporte – o que estamos ensinando aos nossos atletas?

Muitas vezes, no ambiente onde o dinheiro impera, os valores pessoais são deixados em segundo plano.

Como sabemos, a competitividade está presente em nossas vidas. Somos educados e criados em uma sociedade na qual o primeiro lugar é extremamente valorizado e o segundo lugar é motivo de insatisfação.

Se partirmos do pressuposto de que os resultados são decididos nos detalhes como, por exemplo, em um jogo de basquete, em que muitas vezes o resultado é decidido no último segundo, não há lógica em desvalorizarmos e criticarmos o segundo colocado, pois um ponto a mais ou um ponto a menos não define a qualidade de sua equipe.

Na vida é assim, estamos sempre à procura de mais. Muitos esquecem de seus valores, de sua origem, e fazem tudo o que estiver ao alcance para conquistar o tão sonhado primeiro lugar.

Não estamos dizendo que é errado se dedicar ao máximo para conquistar a vitória, mas é errado se torturar por ter lutado com todas as forças e não ter atingido o objetivo principal, se considerando ou sendo considerado pela maioria como um perdedor. Os valores estão sendo distorcidos desde a nossa infância e esse é um fator extremamente preocupante, apesar de ser oculto.

Ganhar não pode ser considerado o objetivo principal do processo de crescimento de um jovem atleta, mas sim educar um profissional competente e dedicado, onde a busca pela melhora é constante, sempre desenvolvendo os valores mais importantes na vida, como: o respeito, a humildade, o saber trabalhar em grupo, confiança, entre outros que determinarão a personalidade de cada um.

Um grande exemplo de perda de valores nesse processo são os jogadores de futebol. Veja bem: jogadores e não atletas. Infelizmente, nesse esporte o termo atleta está distorcido. Existem poucos que podem ser considerados atletas e, esses sim, independente de títulos ou de dinheiro, teriam de ser reconhecidos como verdadeiros craques, não só no esporte mas na vida.

Se as crianças acompanhassem e seguissem esses exemplos positivos seriam motivo de orgulho. Com o aumento da visibilidade e com salários inimagináveis, a profissão de jogador de futebol é um verdadeiro sonho para os pequenos. Porém, esses não crescem sabendo da realidade, em que o Brasil, considerado o país do futebol, tem em torno de 200 mil jogadores profissionais e menos de 5% desses ganham mais de dois salários mínimos.

Realmente, os números impressionam e o assunto é sério. Convivi nesse meio durante toda a minha adolescência e a realidade é difícil. Os garotos que ingressam na categoria de base de algum clube profissional se iludem de uma tal maneira que deixam os estudos completamente de lado, sem pensar na possibilidade de não darem certo. São alienados pelos valores que a mídia impõe e esquecem dos verdadeiros valores que fazem a diferença na vida.

A culpa é deles? De forma alguma, mas, sim de quem comanda essas categorias de base, dos considerados "professores", que colocam na cabeça desses jovens que o verdadeiro vencedor será aquele que se tornará profissional, e os outros serão apenas atletas frustrados.

Novamente, não quero generalizar. Existem profissionais que podem realmente ser considerados como professores e muitos clubes que têm um projeto que se preocupa com os seres humanos jovens que estão ali. Mas infelizmente são minoria no cenário nacional.

Fica a reflexão: até onde vale vencer no jogo se a comemoração é feita com bebidas, mulheres e festas sem limites? Até onde vale ser um jogador reconhecido se não tem respeito pelo próximo, fidelidade à sua esposa e exemplos positivos para seus filhos?

Até quando a mídia vai valorizar mais qual time foi campeão do torneio juvenil do que qual time tem o melhor projeto para educar futuros pais de família e grandes atletas?

Novamente, dou ênfase a esse termo, pois jogadores são muitos e atletas, infelizmente, são poucos.

*Membro do GEPEFF – Grupo de Estudo e Pesquisa em Futebol e Futsal – Metrocamp

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