Universidade do Futebol

Entrevistas

04/06/2010

Vanessa Riche, jornalista do SporTV

O “boa noite” de Vanessa Riche aos telespectadores do SporTV está sendo saudado mais cedo desde o início de 2010. Após cinco anos comandando a bancada do SporTV News, jornal eletrônico noturno do canal de televisão por assinatura, a apresentadora se juntou ao antigo parceiro de Rádio Cidade, Luiz Carlos Júnior, no Tá na Área, um modelo mais leve e descontraído, no fim do período vespertino.

A informação dessa mudança de rota na carreira profissional foi dada pela própria Vanessa, em seu blog pessoal, o qual carrega muitas simbologias da personalidade da jornalista também formada em Publicidade e Propaganda e que despontou no rádio o seu talento: elucidativo, organizado e prezando pela estética. É naquela plataforma social que ela interage com críticos e admiradores, divulgando eventos, informações de bastidores e contando algumas histórias.

Seja para falar sobre o show da talentosa Maria Gadú na inauguração do novo prédio do SporTV na Barra da Tijuca, no Rio, homenagear o saudoso Armando Nogueira, com quem dividiu um programa na casa, ou relatar a experiência de ministrar um workshop para estudantes de comunicação social, Vanessa sempre se faz presente. E sempre com a demonstração de boa vontade e competência, assim como foi com a equipe da Universidade do Futebol, nesta entrevista concedida via e-mail.

Contratada do sistema Globosat desde 1999, integrou a equipe da Globo News, onde atuou como repórter, apresentadora de telejornais e do programa de variedades Via Brasil. Em 2004, a partir de um interesse pelas modalidades esportivas, passou a trabalhar no canal referência do grupo. Primeiro o dueto no “Papo com Armando”, para depois assumir o SporTV News, no ano seguinte.

No canal carioca, Vanessa participou da cobertura dos Jogos Olímpicos de Sidney, do Pan no Rio de Janeiro, e das Copas do Mundo do Japão e Coreia do Sul e da Alemanha. Hoje se prepara para o evento futebolístico em território sul-africano, amparada pelo repertório iniciado com as aulas de Bokão, locutor de cabine da TV Globo.

Com pouco mais de 21 anos, ingressou na profissão de radialista. Após curto estágio na Rádio Universidade da Faculdade Estácio de Sá, tornou-se locutora da instituição, permanecendo por um ano na emissora. Da Estácio de Sá, migrou para a Rádio Cidade (lá era companheira de Luiz Carlos Júnior) e depois para a Rádio Jovem Pan.

Encantada pelo ambiente radiofônico, teve seu interesse pelo jornalismo despertado: retornou à Universidade Gama Filho, por quem havia cursado Publicidade e Propaganda, para efetuar a nova graduação.

“A mulher não tem a mesma cultura de futebol que um homem, é algo cultural, mesmo. Mas o fato é que a mulher vê o esporte por outro prisma, é detalhista e essa é uma de nossas vantagens”, apontou Vanessa, que falou também sobre a importância da teoria e da prática para a capacitação profissional do jornalista esportivo, o que espera da cobertura da Copa-14 e as oportunidades de emprego na área para os mais jovens.


Em sentido horário: com Zico, no Tá na Área; ao lado de Eduardo Grillo e Cristiane Pelajo, na Globo News; e com o garoto Gustavo Zeitel, em experiência no SporTV News


Universidade do Futebol –
Você atuou na Globo News como repórter, apresentadora de telejornais e do programa de variedades Via Brasil. Como surge o interesse pelo esporte na sua trajetória profissional?

Vanessa Riche – Eu sempre tive vontade de trabalhar com esportes e pedi transferência da Globo News. Passei dois anos acompanhando as equipes do esporte da Globo, nos estádios e nos treinos. Em 2004 fui transferida para o SporTV com a proposta de narrar esportes olímpicos. A minha estreia como narradora foi no Pan do Rio.

Universidade do Futebol – Quais os principais desafios e oportunidades ao longo da sua trajetória no jornalismo esportivo, especialmente por ser mulher, e em um ambiente tradicionalmente masculino?

Vanessa Riche – A mulher não tem a mesma cultura de futebol que um homem, é cultural. Eles têm memória esportiva. Quem sabe as próximas gerações proporcionem uma mudança. Mas o fato é que a mulher vê o esporte por outro prisma, é detalhista e essa é uma de nossas vantagens.


Vanessa encontra profissionais do SporTV que trabalharam no Concurso Internacional de Hipismo Athina Onassis: peculiaridades do olhar feminino no jornalismo esportivo
 

A participação da mulher no jornalismo esportivo


Universidade do Futebol –
De que forma os jornalistas que não foram atletas fazem para compensar a falta de conhecimento prático? Qual é a importância da teoria e da prática para a capacitação profissional do jornalista esportivo?

Vanessa Riche – O atleta, ou ex-atleta, tem uma carga emocional forte. Ele vivenciou momentos que enriquecem uma cobertura. Sem dúvida traz uma visão próxima do esporte. Já o comentarista que não vivenciou o esporte se destaca pela visão global, a leitura do jogo.

Novo cenário muda perfil dos profissionais de imprensa

Universidade do Futebol – A presença de ex-atletas ancorando programas esportivos de rádio e TV, ou produzindo colunas em jornais e internet, mostra-se cada vez maior. Como você avalia essa situação? É importante uma regulamentação da profissão?

Vanessa Riche – Sem dúvidas, a internet ainda é uma ferramenta nova e que precisa de regulamentação, mas sem a exigência do diploma de jornalismo, o leque de profissionais que não são jornalistas aumenta muito. Uma diversidade interessante é proporcionada, entretanto.

Seja em trabalho de campo, como repórter, na bancada do SporTV News, ou agora, no Tá na Área, Vanessa desfila seu profissionalismo e sua graça
 

Universidade do Futebol – Há espaço e necessidade de o Jornalismo Esportivo tornar-se uma disciplina obrigatória dentro do curso de graduação em Jornalismo?

Vanessa Riche – Seria interessante a especialização em jornalismo esportivo. É uma área do jornalismo com abordagem muito peculiar.
 

Jornalismo Esportivo: uma nova disciplina para o curso de graduação em Jornalismo
 

Universidade do Futebol – A cobertura jornalística esportiva tem um formato predefinido, seja no rádio, TV ou internet, e geralmente temas mais complexos não são abordados no dia a dia. É possível quebrar esse paradigma para que o grande público tenha acesso a uma informação mais analítica e qualificada, ampliando, dessa forma, a cobertura tradicional?

Vanessa Riche – Não concordo. Em um canal fechado como o Sportv, temos a oportunidade e o tempo para aprofundar os assuntos. Além de abordar temas mais complexos.
 


 

Universidade do Futebol – Como você vê a produção cultural especializada sobre futebol, seja em relação à literatura de contos e romances, livros técnicos, filmes, documentários e peças de teatro?

Vanessa Riche – O futebol é uma paixão nacional e por conta disso temos uma literatura muito rica sobre o tema. O esporte está presente no dia-a-dia do brasileiro e está sempre presente, na cultura, nas artes.

Universidade do Futebol – Godard sempre se referiu ao cinema como um registro do patrimônio cultural de uma coletividade. E esse é um tema tocado em alguns de seus textos. Você acredita que caberia ao Brasil criar uma tradição do futebol brasileiro no cinema, assim como a Espanha possui em relação à tourada, e os Estados Unidos com o boxe?

Vanessa Riche – Temos alguns filmes, mas ainda vejo um longo caminho pela frente. É um processo natural, os filmes refletem a cultura.


Ao lado do “Mestre Armando Nogueira”, em seu primeiro ano no SporTV: experiência única e uma relação de amizade além das telas

Em seu blog, Vanessa Riche assinou um post sob o título “Saudades”, no qual exprimiu um pouco do seu contato com o jornalista falecido no dia 29 de março deste ano:

Quando fui transferida da Globo News para o SporTV, a primeira notícia que me chegou foi a de que eu faria um programa com o Armando Nogueira.

Confesso que fiquei um pouco ressabiada. Era muita responsabilidade. Sabia que iria ter uma aula de jornalismo e fiquei muito feliz com a oportunidade.

E como aprendi, principalmente no Papo (fora do ar) com Armando.

Interrompia as gravações para refazer o que considerava distante de sua poesia.

Sempre muito cuidadoso com todos os detalhes.

Um poeta, galanteador! Amável, doce, meu mestre.

Foi com ele que aprendi sobre jornalismo, vinhos, poesia, a vida. Nos almoços da confraria adorava degustar uma boa comida e o vinho que escolhia com cuidado. Que tardes!

Voar sempre foi a sua paixão e quando ele completou 78 anos, fui brindada com um belo vôo.

Asas para quem sempre teve uma cabeça que voava longe!

Aos 80, reuniu as oitenta mulheres que fizeram parte de sua vida. Reinou soberano!

Só tenho a agradecer pela oportunidade de ter convivido com você, Armando.

Agora você vai desbravar outros horizontes!

Saudades,

Vanessa

Armando Nogueira 83


Além de Armando, a “radialista Vanessa” também teve contato com outros grandes nomes, como Garotinho, Luiz Mendes e Cid Moreira

Universidade do Futebol – Qual a sua avaliação sobre o papel da imprensa esportiva na cobertura dos temas relacionados à Copa-2014 no que se refere a uma análise mais crítica e investigativa?

Vanessa Riche – Existe uma tendência à euforia e será um prazer receber um evento dessa magnitude. Mas é preciso cobrar das autoridades o andamento das obras e tudo que foi planejado precisa ser realizado.

Empirismo marca dia-a-dia de profissionais no jornalismo esportivo
 

Universidade do Futebol – Quais dicas você teria a passar para os estudantes interessados em ingressar no jornalismo esportivo, e em especial para as mulheres?

Vanessa Riche – Acredite nos seus sonhos. Por menor que seja o espaço que você tenha para mostrar o seu trabalho, faça dele o melhor. Esteja preparado para as oportunidades que a vida vai lhe oferecer.

Quanto às mulheres, eu vejo um crescimento muito grande no interesse pelo esporte. Isso é maravilhoso. O preconceito diminui a cada dia.

Em parceria com o portal Comunique-se, Vanessa Riche apresentou um making-off do Tá na Área, mostrando o trabalho dos editores, repórteres, produtores e equipe técnica
 

*Fotos retiradas de http://colunas.sportv.globo.com/vanessariche/

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