Universidade do Futebol

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05/11/2008

Velocidade no futebol: panorama geral

No futebol moderno há uma discussão entre especialistas sobre qual capacidade motora é a mais exigida. A grande maioria aponta a resistência como a mais importante, porém, vem aumentando o número de estudos sobre o treinamento da velocidade em desportos coletivos, inclusive no futebol.

Isso se deve ao aumento do número de sprints durante uma partida de futebol, o que exige do futebolista um melhor condicionamento físico e, portanto, a melhora da capacidade de velocidade e suas subdivisões.

Velocidade se entende como a capacidade de realizar ações motoras em um tempo mínimo e com a maior eficácia possível.

No futebol, velocidade é uma capacidade múltipla que depende da rápida reação, do manuseio da situação, da rapidez em iniciar o movimento e dar seqüência ao mesmo, da aptidão com a bola, do drible e também do rápido reconhecimento e utilização das respectivas situações.

Normalmente, distinguem-se duas formas principais da manifestação da velocidade:

Rapidez da reação motora: compreende reações motoras simples e complexas;
Rapidez dos movimentos: pode-se manifestar tanto no movimento isolado como no movimento repetido várias vezes (freqüência dos movimentos).

As principais subdivisões da velocidade são:

velocidade de reação: a capacidade de reação a um sinal no menor tempo possível;
velocidade de aceleração: está relacionada com a força muscular, para que haja uma boa velocidade de aceleração, o músculo tem que ser exigido até o seu limite;
resistência de velocidade: entende-se como a capacidade de manutenção da velocidade durante o maior tempo possível.

Também há as manifestações secundárias, tais como: velocidade de percepção, de antecipação, de decisão, de movimento com ou sem bola. Somente com manifestação de todas essas características, a velocidade pode ser integralmente desenvolvida como capacidade complexa.

A capacidade motora da velocidade necessária para a realização de ações técnicas e táticas de alta intensidade é manifestada, em grande parte, no futebol, não de forma isolada, mas combinada com outras capacidades.

O treinamento das capacidades de velocidade deve ser abordado em se considerando a especificidade de cada modalidade esportiva. Para o atleta de futebol, o treinamento deve seguir as mesmas características das atividades realizadas durante o jogo, ou seja, raramente os piques são superiores a 30 metros (m), a grande predominância é entre 5 e 15m, mais de 95% dos piques são sem bola e, normalmente, o pique termina com uma ação técnica (passe, chutes a gol, cruzamentos, etc.)

A velocidade é uma valência física menos “treinável” do que a força ou a resistência. Isso quer dizer que o indivíduo vai melhorar muito pouco essa capacidade com os treinamentos. No alto nível, os treinamentos são feitos mais com o objetivo de não perder do que ganhar propriamente dito.

Assim como os outros componentes da performance no futebol, a velocidade necessita de avaliação periódica, que é realizada na forma de testes gerais e específicos. Para esse controle, deve-se realizar um teste específico a cada quatro/seis semanas – tais testes devem ser parte do planejamento tanto para que se possa saber se o treinamento está produzindo o efeito desejado, quanto para que os próprios atletas saibam o seu nível em relação a essa valência física.

A velocidade do jogador de futebol representa uma qualidade muito complexa formada por capacidades espaciais, técnicas, cognitivas e psicológicas. As mais importantes dessas capacidades parciais complexas são: a velocidade de reação – resultante da velocidade de percepção, de antecipação e de decisão -, e a velocidade-habilidade – resultante da velocidade de reação, de movimento e de ação. O conhecimento de cada capacidade e de suas inter-relações possibilita reconhecer fraquezas parciais separadas e, com isso, melhorá-las de forma objetiva.

Nenhum treinamento separado ou vinculado à formação da capacidade de aceleração pode substituir o treinamento do jogo, os exercícios de jogo ou o próprio jogo. Esses elementos representam somente medidas adicionais para a melhoria do desempenho do atleta de futebol.

Comentários

  1. Joao silva disse:

    É facil falar em futebol ” moderno” e ignorar o passado. Como ignorar a velocidade espantosa de leonidas? Por ser em 1932? Ah. Não há provas. Facil ignorar.

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