Universidade do Futebol

Cézar Tegon

29/07/2011

Você tem um plano B na manga?

Saudações a todos!

No último domingo (24/07), estava assistindo ao GP de Fórmula 1 na Alemanha vencida brilhantemente por Lewis Hamilton, e um assunto veio a minha mente: quanta estratégia e quantos planos uma equipe de ponta deve ter para encarar uma corrida?

A estratégia para uma corrida começa muito antes da largada da semana seguinte. Esta se inicia na montagem dos carros no meio da semana e neste momento a equipe já deve ter todos os seus planos traçados.

Com certeza existe um plano principal, o plano A, aquele em que tudo deve acontecer conforme o planejado. Funciona mais ou menos assim: se nos classificarmos na primeira fila, nosso sistema de largada certamente será o melhor, passaremos a primeira volta na primeira colocação. Desta forma, abriremos em média meio segundo de vantagem por volta, trocaremos os pneus nas 23ª e 46ª voltas, em média gastaremos 25 segundos em cada troca para entrar e sair do boxe e cruzaremos a linha de chegada com folga de 9 segundos sobre o 2º colocado. Enfim, tudo perfeito!

Ótimo se fosse sempre assim, não é? Mas na vida real, assim como na corrida, não é sempre que tudo ocorre como conforme o plano A.

Em uma corrida, os imprevistos podem ocorrer por conta da temperatura estar diferente da média nos dias de treino. Também pode chover, furar um pneu, acontecer uma batida, aparecer um “safety car”. Ou mesmo a largada pode não ser das melhores, a troca de pneus pode demorar mais que o previsto, etc. Em casos como estes, com certeza as equipes, além do plano A, contam com o plano B, C, D … e Z.

Buscando prever cada uma dessas situações e o que fazer para cada combinação de fatores, e se algo não for como previsto, cabe ao líder tomar a frente e decidir, no momento de pressão para a equipe – mas esse é outro tema que já falamos um pouco aqui e que voltaremos a falar novamente em outras oportunidades.

No futebol, também existem planejamentos e estratégias, acredito que não na mesma dimensão e sofisticação da F-1, mas existem. Por exemplo, se o adversário vier com uma formação específica ou com um determinado jogador, atuamos no plano A; se eles vierem com outra formação ou sem determinado jogador, vamos de plano B; se no primeiro tempo virarmos em vantagem fazemos desta forma; se virarmos empatando ou perdendo, fazemos de outra, e assim por diante. Algumas variáveis podem acontecer e cabe sempre ao líder decidir se algo sair fora do planejado.

Atualmente, a maioria das empresas, independentemente do seu porte, também têm seus planejamentos e estratégias. Longe do que acontece na em uma F-1, toda empresa precisa trabalhar, pelo menos, com um plano A e um plano B. Ter planos é muito importante, mas sabemos que o fator decisivo, e que falta na maioria das corporações, são atitudes acabativas, cumprir o que foi planejado!

A dúvida que fica é: a maioria das pessoas traçam seus planos e estratégias profissionais e pessoais?

Vejo por aí que muitos profissionais já traçaram um plano. Até mesmo os mais jovens já planejam e montam estratégias a longo prazo. Quando pergunto sobre seus planos para o futuro, muitos me respondem imediatamente: “quero atuar em determinada função por mais dois anos, depois obter uma função sênior e dentro de três ou quatro anos quero gerenciar uma equipe. No máximo em seis anos pretendo ser diretor nesta empresa ou em outra do mesmo segmento e, para isso, estou terminando a faculdade e em seguida aprimorarei meus conhecimentos em língua inglesa e uma pós na minha área. Paralelamente às atividades profissionais, na minha vida pessoal, pretendo ter um carro novo a cada dois anos, comprar minha casa em quatro anos, me casar e ter filhos”.

Como consultor, costumo receber muitos planos de empresas diversas. Sempre estudo o material, elogio as iniciativas, o planejamento estruturado e as ações encadeadas, dou sugestões, lapido alguns pontos, faço pequenos questionamentos e em seguida lanço uma pergunta: e se seu planejamento não sair de acordo com o que você espera, você tem um plano B?

Acreditem, 90% das respostas que recebo são as mesmas, inclusive com a mesma entonação de voz e espanto demonstrando no rosto: “plano B? Não havia pensando nisto! Meu plano estava tão bem estruturado, que não imaginei algo pudesse dar errado”.

Assim como na F-1 ou como em qualquer outro esporte, e também nas empresas, é fundamental ter, pelo menos, um plano B. Além disso, cada um de nós precisa pensar em planos e rotas alternativas para na nossa vida profissional e vida pessoal.

Todos nós desejamos que o nosso barco navegue em águas tranquilas e siga em rota desenhada. No entanto, se uma tempestade cair pelo caminho, é importante ter o desvio da rota previamente conhecido, senão o risco de afundar será maior.

Portanto, quem ainda não tem um plano A, faço o seu, e rápido! Para os que já o têm, pense em um plano B. Procure traçar rotas alternativas para nortear o que fará se sua promoção ou se seu aumento salarial não vier no tempo em que deseja, se seu noivado não virar casamento ou se sua viagem for adiada. Aprendi que frustração e decepção estão intimamente ligadas a desejos versus realidade: portanto, pensar em planos e rotas alternativas em nossa vida é, sim, algo saudável!

É isto pessoal! Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos na próxima semana.

Abraços a todos!

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br

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