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Eduardo Barros
Colunista

Técnico de futebol CBF-Licença B, formado em Educação Física pela UNICAMP-SP e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP. Ex-atleta de futebol, também tem cursos e capacitações na área de Neurolinguística, Coaching e Liderança.

Trabalhou por quatro anos no Paulínia FC, exercendo as funções de técnico, auxiliar técnico e analista de desempenho, nas diferentes categorias, do sub-11 ao sub-17. Como membro do Departamento de Pedagogia participou da elaboração do “Currículo de Formação do Atleta”.

Em mais de duas temporadas no Grêmio Novorizontino, atuou como auxiliar técnico da equipe profissional e treinador das categorias sub-20 e 17. Exerceu também a função de Head Coach das Categorias de Base, coordenando as diretrizes técnicas da gestão de campo.

No Clube Atlético Paranaense, foi técnico da equipe sub-13, auxiliar técnico da equipe sub-17, Construtor Metodológico (sendo responsável pela criação didática do Modelo de Jogo do Clube) e Coach individual.

Atualmente, é auxiliar técnico da equipe sub-23 do Coritiba Foot Ball Club e consultor metodológico das categorias de base. Atua também como professor no curso de Gestão Técnica da Universidade do Futebol, além de ministrar outros cursos e palestras com os temas Categorias de Base e Metodologia de Treinamento.
 

Coluna
O tempo de jogo e a formação do elenco
Ferramenta técnico-administrativa pode favorecer adequada relação de custo x benefício da equipe
15/09/2012

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A formação de uma equipe para a disputa de uma competição ou temporada basicamente é feita da seguinte maneira:

• Detecção dos atletas remanescentes da temporada anterior;
• Promoção de atletas das categorias de base do clube;
• Contratações diversas (de jogadores de “peso”, de carências, de indicados por empresários, de indicados pela comissão ou de indicados pela diretoria).

Com o elenco formado, a expectativa administrativa é que a relação custo x benefício obtida para cada atleta seja favorável. Um controle de competição que pode servir como uma ferramenta para o desenvolvimento da referida relação é o Controle de Tempo de Jogo.

Nele, o departamento administrativo do clube tem dados interessantes para cruzar com as demais informações de cada jogador e, dessa forma, ser mais assertivo em decisões futuras relativas à formação do elenco.

No Controle de Tempo de Jogo, diversas classificações podem ser feitas por quem gerencia a planilha. Como sugestão, quatro classificações são estabelecidas de acordo com o percentual jogado referente ao tempo total da competição. São elas:

• De 0% a 25% - Participação pequena;
• De 25% a 50% - Participação média;
• De 50% a 75% - Participação alta;
• Acima de 75% - Participação muito alta.

No clube que trabalho atualmente, mais de 76% da competição já foi disputada, o que permite uma análise prévia dos dados. Dos 32 integrantes do elenco, a quantidade de atletas para cada uma das classificações segue indicada abaixo:

• Participação pequena – 15 atletas (46,8%);
• Participação média – 8 atletas (25%);
• Participação alta – 4 atletas (12,5%);
• Participação muito alta – 5 atletas (15,6%).

Para efeito de comparação, abaixo os dados de uma equipe sub-17 no ano 2011, com 34 atletas:

• Participação pequena – 19 atletas (55,8%);
• Participação média – 4 atletas (11,7%);
• Participação alta – 5 atletas (14,7%);
• Participação muito alta – 6 atletas (17,6%).

Como último exemplo, o Controle do Tempo de Jogo de uma equipe sub-15 no ano de 2010, com 29 atletas:

• Participação pequena – 15 atletas (51,7%);
• Participação média – 1 atleta (3,4%);
• Participação alta – 7 atletas (24,1%);
• Participação muito alta – 6 atletas (20,6%).

Estes dados interpretados isoladamente possibilitam algumas análises. Entre elas, que grande parte do elenco tem uma atuação inferior a ¼ da competição. Dado pobre se não for cruzado com outras informações.

Então, para um cruzamento que proporcione informações importantes à diretoria, mais uma sugestão é apresentada: a partir da quantidade de jogadores para cada classificação do Tempo de Jogo, a definição técnico-administrativa da expectativa de desempenho para cada atleta. Voltando para o elenco profissional que trabalho, na quarta divisão do futebol paulista (sub-23 com limite de três jogadores acima dos 23 anos, por jogo), os dados técnicos são os seguintes:

Dos 15 atletas com pequena participação:

• Oito atletas têm entre 18 e 19 anos e era sabido que o tempo de participação na competição seria bem reduzido. Desses oito atletas, cinco não atuaram, dois atuaram tempos insignificantes e um atuou por 262 minutos;
• Três atletas têm 20 anos, ou seja, idade de juniores. Desses, dois atletas têm potencial e estão se adaptando a filosofia de trabalho e um atleta operou de uma lesão crônica;
• Três atletas têm 21 anos. Com esta idade, podem jogar por mais dois anos esta divisão. Dos três atletas, dois são reservas imediatos de jogadores de linha que, hoje, compõem a “espinha dorsal do elenco” (cinco atletas com participação muito alta) e um é reserva imediato do goleiro. Os três atletas já atuaram por 297, 485 e 370 minutos;
• Um atleta tem 26 anos. Atleta acima da idade limite e contratado ao longo da competição para suprir uma carência da equipe. Há 11 jogos na competição, desde que foi contratado atuou por 401 minutos.

Dos oito atletas com participação média:

• Cinco atletas têm 20 anos. Desses, esperava-se maior atuação de um atleta, porém, por não ter se adaptado ao Modelo de Jogo perdeu a condição de titular. Dois são titulares atualmente e ganharam a posição ao longo da competição e os outros dois são reservas imediatos (um já foi titular) de um das meias e de um dos zagueiros. Dois atletas tem grande potencial de negociação, ou então, de ser parte da “espinha dorsal” na competição da próxima temporada;
• Dois atletas têm 21 anos. Atletas que sabidamente seriam suplentes. Atualmente, um deles tem condição de brigar pela titularidade. Conforme mencionado, ainda podem jogar por mais dois anos essa divisão;
• Um atleta com 39 anos. Atleta de prestígio local e próximo de encerrar a carreira no clube em que foi projetado para o cenário nacional. Está fazendo sua última temporada e, pela idade elevada, era sabido que seu tempo de atuação seria reduzido. Atuou por 630 minutos.

Dos quatro atletas com participação alta:

• Dois atletas têm 20 anos e ambos possuem grande potencial de negociação. O percentual de participação de um está bem próximo da classificação “muito alta”. O outro atingiu a condição de titular na 8ª rodada e é o artilheiro da equipe;
• Um atleta tem 21 anos e também possui grande potencial de negociação. Por opção tática tem sido frequentemente substituído, o que o exclui do grupo com maior participação;
• Um atleta de 23 anos. Idade limite para jogar a competição e sua permanência está diretamente relacionada ao acesso. Como estava disputando outra competição, assumiu a titularidade quando chegou, após a 5ª rodada.

E, para finalizar, dos cinco atletas com participação muito alta:

• Quatro atletas têm 21anos. Desses, um tem grande potencial de negociação e os outros três podem compor a equipe base da temporada seguinte. Esperava-se a regularidade de desempenho destes atletas;
• Um atleta tem 23 anos. Joga esta competição como titular pelo 4º ano consecutivo (2009-2012), é o capitão da equipe e também era esperada esta regularidade. Sua permanência, porém, também está relacionada ao acesso à série A-3.

Como pode ser observado, somente alguns detalhes escaparam do planejamento inicialmente traçado. Resumidamente, da grande parte do elenco que não tem atuado, muitos são jovens com períodos de 2 a 5 anos para jogarem somente essa divisão caso o acesso não ocorra em 2012. Além disso, mesmo os jogadores titulares (salvo os atletas em idade-limite) poderão jogar esta divisão nas próximas temporadas. Sem contar o bom número de atletas do elenco com potencial de negociação.

Enfim, como tudo no futebol, a formação de um elenco é complexa e exige um bom número de decisões acertadas para ser mais uma das variáveis que apontam a favor do resultado positivo. É uma pena que muitas vezes essas decisões são banalizadas por “achismos”, opiniões sem embasamento e falta de critérios.

Os resultados desses equívocos todos nós sabemos: elencos “inchados”, caros, péssima relação custo x benefício para muitos jogadores em virtude dos altos salários para pouco tempo de atuação e, consequentemente, a mazela que atinge a grande maioria dos clubes brasileiros: as dívidas trabalhistas.

Parafraseando o executivo Ferran Soriano, ex-FC Barcelona e recém-contratado pelo Manchester City:  “a bola não entra por acaso”...

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

Tags: Eduardo Barros , tempo , Jogo , formaçao , elenco , controle , detecçao , jogador , atleta

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