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Eduardo Barros
Colunista

Técnico de futebol CBF-Licença B, formado em Educação Física pela UNICAMP-SP e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP. Ex-atleta de futebol, também tem cursos e capacitações na área de Neurolinguística, Coaching e Liderança.

Trabalhou por quatro anos no Paulínia FC, exercendo as funções de técnico, auxiliar técnico e analista de desempenho, nas diferentes categorias, do sub-11 ao sub-17. Como membro do Departamento de Pedagogia participou da elaboração do “Currículo de Formação do Atleta”.

Em mais de duas temporadas no Grêmio Novorizontino, atuou como auxiliar técnico da equipe profissional e treinador das categorias sub-20 e 17. Exerceu também a função de Head Coach das Categorias de Base, coordenando as diretrizes técnicas da gestão de campo.

No Clube Atlético Paranaense, foi técnico da equipe sub-13, auxiliar técnico da equipe sub-17, Construtor Metodológico (sendo responsável pela criação didática do Modelo de Jogo do Clube) e Coach individual.

Atualmente, é auxiliar técnico da equipe sub-23 do Coritiba Foot Ball Club e consultor metodológico das categorias de base. Atua também como professor no curso de Gestão Técnica da Universidade do Futebol, além de ministrar outros cursos e palestras com os temas Categorias de Base e Metodologia de Treinamento.
 

Coluna
Entrevista Tática: Gilsinho, atacante do Corinthians
“Todos devem pensar no mesmo objetivo e acreditar no esquema tático do treinador”, diz o jogador de 27 anos
24/03/2012

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Com a ajuda de um preparador físico com experiência em muitos clubes do futebol brasileiro (Primavera-SP, São Bento-SP, Atlético-PR, São José-SP, Náutico-PE, Figueirense-SC, Ituano-SP, Americana-SP, Guaratinguetá-SP), Guilherme Bérgamo, publico a coluna desta semana que traz a opinião de Gilsinho, atacante do Corinthians de 27 anos, recém-contratado e que fez seu primeiro gol com a camisa corintiana na décima quarta rodada do Campeonato Paulista, contra o Comercial-SP.

Obrigado, Guilherme, pelo contato com o Gilsinho. Felizmente ainda é possível encontrarmos pessoas que se mantêm acessíveis mesmo com sucesso profissional.

Abaixo, a opinião do jogador:

1- Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Até aos 16 anos na escola de futebol do município de Américo Brasiliense-SP; dos 17 aos 18 anos no Marília-SP; no Ituano-SP dos 19 aos 22 anos; Paulista-SP com 23 anos; Júbilo Iwata-Jap, dos 24 aos 27 anos e atualmente estou no Corinthians-SP.

2- Para você, o que é um atleta inteligente?

Um atleta inteligente é aquele que tem um comportamento bom, dentro e fora de campo.

3- O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futebol de rua foi muito importante para minha formação, porque foi onde tudo começou e eu tive meus primeiros contatos com uma bola.

Quantas horas por dia você ficava na rua jogando futebol?

Jogava bola na parte da manhã, ia pra escola na parte da tarde e de noite jogava novamente. Acho que dava umas três ou quatro horas.

4- Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Jogar como equipe e ter obediência tática.

Como é possível fazer com que uma equipe crie obediência tática? Quais podem ser os problemas caso ela não ocorra?

No grupo, todos devem pensar no mesmo objetivo e acreditar no esquema tático do treinador. Acho que assim aumenta a chance de desenvolver. Se algum jogador não exercer a função pedida pelo treinador, fica difícil. Por exemplo: o treinador quer marcar pressão, a equipe sobe a marcação, mas tem um jogador que não. Aí já complica.

5- Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

Tem vários trabalhos que são importantes em minha opinião: trabalhos técnicos, força, velocidade e agilidade.

Quais são os tipos de treino que você mais gosta? Descreva-os:

Com bola ou sem bola?

O que você preferir.

De trabalho físico prefiro os curtos e não os longos. Tiros de 30 e 40 metros por causa da minha posição. Gosto também de trabalhos com bola, campo reduzido, joguinhos. Eu acho que condiciona.

Pode dar um exemplo de um treino que o Tite dá que te deixa bem preparado pra jogar?

Num espaço reduzido, ele divide o campo em duas partes. Na defesa só pode dar três toques e no ataque é livre. Acho que deixa o jogo rápido lá atrás e dá liberdade para jogar ofensivamente.

6- Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Com a bola, jogar com dribles e velocidade para criar situações de gol; sem a bola, recompor para esperar o adversário de frente.

7- Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Como pontos fortes táticos, jogar ofensivamente e fazer recomposição rápida; técnicos, as jogadas individuais; e psicológicos, um nível de concentração alto.

Consegue fazer alguma relação entre eles?

Acredito que, para render, tem que estar bem com a cabeça. Nunca sofri nada muito contínuo que afetasse minha concentração dentro de campo.

8- Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

Porque com ele jogava quem estava melhor e passava muita confiança para seus jogadores.

9- Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Sim, eu me lembro muito bem. No começo não gostei, mas depois me adaptei e vi que era importante desempenhar duas funções.



 

Você pode mencionar qual era a função e falar sobre a adaptação:

No Japão, os meias não estavam bem e tive que desempenhar esta função por uma temporada. Eu tinha que acompanhar o lateral quando a jogada estava do meu lado e fechar nas linhas dos volantes quando a bola estava do lado oposto. Não gostei porque exigia muito mais de mim na marcação e porque ficava mais longe do gol. Fisicamente, também exigia muito e me “abafava”. Depois me adaptei e fui bem.

Eram duas linhas de quatro?

Isso. Eu jogava de meia do lado esquerdo.

10- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

A importância é que o treinador passa as informações do time adversário, relembra o posicionamento da equipe, e aumenta o nível de concentração.

11- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

Eu acho que o esquema tático depende muito dos jogadores que o treinador tem em seu grupo, mas eu gosto do 4-4-2 porque o time fica mais consistente no meio campo.

12- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

• Com a posse de bola: jogar com trocas de passes e atacar pelos lados.
Assim que perde a posse de bola: assim que perde a posse de bola, tenta recuperar, se não conseguir, todos voltam atrás da linha da bola.
Sem a posse de bola: jogar compacto e todos marcam para roubar a bola sem falta.
Assim que recupera a posse de bola: se tiver oportunidade para fazer o contra-ataque, faz; senão, faz a posse.
Bolas paradas ofensivas e defensivas: nas bolas paradas ofensivas, deixar o espaço para atacar a bola e, nas defensivas, manter a linha e marcar por setor.

13- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Tento motivar meus companheiros, para conseguirmos reverter uma situação difícil.

14- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Eu fico relembrando os lances que aconteceram e pensando no que eu poderia ter feito naquela hora para que esses erros não venham a se repetir. Poder escutar a comissão técnica para um diálogo é muito importante.

15- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

A diferença é que o futebol brasileiro é mais cadenciado e o europeu é mais dinâmico.

Fale um pouco do Barça:

São jogadores com muita qualidade e que jogam muito tempo juntos. Todos atacam e todos defendem, inclusive o Messi, que é o melhor jogador do mundo. Tem também muita movimentação.

Você jogou entre 2008 e 2011 no futebol japonês. Compare-o com o brasileiro:

Tecnicamente o futebol brasileiro é superior. Só que futebol japonês é muito dinâmico, tem muita marcação, muita correria, tanto que alguns brasileiros não conseguem se adaptar lá. Quando eu cheguei, dominava a bola e em seguida tinha três ou quatro jogadores em cima.

16- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma comissão técnica, qual seria?

A comissão tem que ser amiga. Saber o que o grupo quer para tentar tirar o máximo de cada um dos jogadores, porém, sempre tem que ter autoridade.


Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Tags: Japao , Setor Técnico , treinamento esportivo , preparaçao física , preparaçao emocional , Gestao de carreira , atleta inteligente , Tomadas de decisao , atacantes , Tática

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