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Uma das grandes conquistas do vôlei brasileiro foi a medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles em 1984, nos Estados Unidos, sob o comando do então técnico Bebeto de Freitas, que contava com atletas excepcionais, como William, Xandó, Bernard, Amauri, Montanaro e Renan, entre outros.
 
Xandó em partida contra a Argentina, durante os Jogos Pan-Americanos de Indianápolis (1987)
 
 
Essa geração de jogadores fantásticos abriu caminho para o reconhecimento que hoje o vôlei brasileiro possui em todo o mundo. Bernardinho fez parte daquele elenco e soube como ninguém assimilar os aspectos mais importantes para formar um time vencedor.
 
Mario Xandó de Oliveira Neto, o Xandó, um dos destaques daquele time, começou no esporte em 1974, na equipe da Caldense, de Poços de Caldas (MG), cidade onde nasceu. De lá para cá, construiu uma carreira vitoriosa: foi pentacampeão brasileiro de clubes, bicampeão mundial (pela Pirelli) e pentacampeão sul-americano. Na seleção brasileira, entre as seis medalhas conquistadas, destaque para a de ouro nos Jogos Pan-Americanos da Venezuela (1983) e a famosa prata de Los Angeles.
 
Atualmente, o ex-atacante vive em Santos e coordena as oficinas de vôlei nas etapas do “Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia”, além de atuar como comentarista da TV Bandeirantes. Mas, como todo bom brasileiro que se preze, Xandó também gosta muito de futebol (é palmeirense).
 
Nesta entrevista concedida à Cidade do Futebol, Xandó não esconde que em termos de organização o vôlei está muito à frente do esporte bretão e que há muito amadorismo.
 
Cidade do Futebol – O vôlei é mesmo mais organizado que o futebol?
Xandó – Sim. Quando se trata de organização e profissionalismo, podemos considerar o voleibol anos à frente do futebol.
 
Cidade do Futebol – Quais as diferenças principais neste sentido e o que poderia ser aproveitado pelo futebol?
Xandó – Existe muito amadorismo no futebol. São poucos dirigentes no futebol que sabem trabalhar. Esta falta de profissionalismo reflete em toda equipe de trabalho. Outro problema grave no futebol é a falta de planejamento. O calendário está sempre confuso, não existe tempo para investir na formação do jogador. A cobrança por resultados e lucro rápido acabam atrapalhando o futebol.
 
Cidade do Futebol – Por que as equipes de vôlei possuem comissões técnicas com profissionais das mais variadas áreas e no futebol esta evolução caminha lentamente?
Xandó – Acho que ainda é um problema cultural, são poucos técnicos de futebol que entendem e acreditam no trabalho de uma comissão técnica formado por estatísticos, psicólogos, nutricionistas, fisiologistas, etc. Tem muitos técnicos centralizadores e se acham auto-suficientes, não aceitam informações e se acham patrões de seus auxiliares.
 
Cidade do Futebol – Por que o técnico Bernardinho faz tanto sucesso?
Xandó – Além de ser um apaixonado por voleibol, Bernardinho é inteligente, carismático, tem facilidade de passar para os atletas e comissão técnica seus objetivos. É profissional competente, pensa na equipe 24 horas por dia. É campeão por isso – profissionalismo e paixão pelo vôlei.
 
Cidade do Futebol – Você acha que ele se daria bem no futebol?
Xandó – Não sei se como técnico, mas como coordenador de um grande projeto de futebol tenho certeza que sim.
 
Cidade do Futebol – Por quê? Ser técnico de futebol é complicado?
XandóAcho que sim, principalmente no Brasil onde é uma bagunça danada. É dirigente mandando técnico calar a boca, escalando time, devendo salários, mudando estatutos da noite para dia, fraudando. Enfim, não é lugar para técnico de voleibol com a reserva de sucesso que tem o Bernardinho.
 
Cidade do Futebol – Pela sua vivência no vôlei e por tudo aquilo que você acompanha do futebol, o que poderia ser feito para melhorar os campeonatos e receber mais público nos estádios?
Xandó – Primeiro acho que está faltando ídolos de verdade no Brasil. Os craques estão todos fora do país. O time grande antigamente com ou sem um bom time sempre tinha um grande jogador. O craque enche os estádios. Outro fato e novamente repito é o calendário, muitos jogos, o torcedor não agüenta pagar duas ou três idas aos jogos na semana. O clube também poderia promover melhor os seus jogos, interagir com o torcedor, criar ações promocionais nos dias de jogos.
 
Cidade do Futebol – Se você fosse um jogador de futebol, o que você não faria?
Xandó – Ficar exposto em festinhas, baladas e confusões, acabam atrapalhando a carreira do jogador. Quando digo isto para a garotada parece que é coisa de velho. Não é. É pensar em um dia parar de jogar futebol e ser respeitado como um homem e não como um moleque. Tem muitos jogadores e ex-jogadores que ainda não acordaram para esta realidade.
 
Cidade do Futebol – Existe algo de que você se arrepende de ter feito e que hoje não faria?
Xandó – Na vida profissional não. Familiar, sim. Poderia ter dado mais atenção aos meus pais e filhos. Trabalhamos muito para o crescimento do voleibol e não tivemos tempo para nossa família
 
Cidade do Futebol – Você guarda alguma mágoa da época em que jogava? Para quem você não “tiraria o chapéu”?
Xandó – Tive problemas com alguns dirigentes. Minhas idéias er
am avançadas para época e isto incomodava. Passamos por um período onde a ditadura no esporte era clara. Hoje, direito de arena e de imagem fazem parte do negócio. Naquele tempo, falar sobre este assunto era coisa de bandido e mercenário. Palavras ditas por um grande dirigente e repetidas sem conhecimento de causa por um jornalista esportivo que trabalhava na maior rede de comunicação do Brasil. Só esta mágoa.
 
Cidade do Futebol – Quem era esse jornalista?
Xandó – Deixa pra lá, quando ele conheceu melhor estes dirigentes, reconheceu que falou bobagem.
 
Cidade do Futebol – Qual o conselho que você pode dar aos jovens atletas que estão em início de carreira?
Xandó – Muito trabalho, disciplina e respeito. Lembrar que o esporte é acima de tudo uma paixão e que se não fizer com amor e dedicação, não terá sucesso.

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