Universidade do Futebol

Rodrigo Barp

06/05/2013

Zé Roberto: da base ao topo

A reflexão sobre os modelos de formação de jogadores no Brasil passa pela Alemanha. E também passa pelos pés do jogador – esse, craque – Zé Roberto.

Zé Roberto foi formado nas categorias de base da Portuguesa de Desportos, clube que sempre revelava ótimos jogadores para o futebol brasileiro e, como consequência, era temido pelos adversários nas competições sub-20, sub-17.

Enfrentar a Portuguesa na Copa SP, por exemplo, era um tanto indesejável pelos maiores clubes do país. Um curioso espelho da lusa, no Estado do Paraná, era o Matsubara, clube do interior, administrado por uma família de japoneses. Dali, saíram bons e ótimos jogadores como uma linha de montagem.

E o que aconteceu com o processo formativo no Brasil? Portuguesa e Matsubara, às suas razões e circunstâncias, já não são mais temidos. O Matsubara, até, já fechou as portas há alguns anos.

Na Alemanha, apesar de o futebol de base não correr riscos de falir, há 13 anos, o fundo do poço foi avistado pelos dirigentes locais e se iniciou uma grande reestruturação.

No total, foram investidos o equivalente a R$ 1,3 bilhões de euros para voltar a formar bons jogadores, boas equipes e, naturalmente, boa performance em competições.

Além disso, nova regulamentação determinava que os clubes que integrassem a 1ª divisão deveriam ter academias de formação de jogadores. São 366 centros de excelência em todo o país, que atendem 14 mil jovens das escolas e, posteriormente, podem ser direcionados aos clubes de futebol.

Numa segunda onda, houve integração com escolas do país para que também se aplicasse o método de formação e ensino do futebol nesta nova configuração. Investiu-se, bastante, num sistema de capacitação e licenciamento de treinadores.

Não à toa, a final da Uefa Champions League será disputada entre Borussia Dortmund (clube insolvente há alguns anos) e Bayern de Munique.

A integração entre a DFB (federação alemã), a Bundesliga e os clubes fez com 57% dos jogadores da competição local fosse de alemães – embora, positivamente, multiétnicos e com a diversidade cultural favorecendo a formação.

Formação escolar também, que privilegia a integração entre escola formal e futebol. No futebol, uma iniciativa interessante é empoderar os jovens a testarem várias posições dentro de campo, que lhe ajuda a decidir em qual pode evoluir, bem como amplifica a visão sistêmica do esporte.

Zé Roberto atingiu seu esplendor na Alemanha, no Bayern, levando na bagagem bons fundamentos de base que foram muito bem lapidados na Europa.

Voltou ao Brasil, por duas vezes, para demonstrar e ensinar sobre como se joga um futebol "moderno", voluntarioso, técnico, de apuro tático e competitivo, no Santos e no Grêmio.

Muitos o querem na Seleção Brasileira, agora, aos seus 39 anos.
O futuro do futebol vem da Alemanha.

Porque o passado, esse, já está morando aqui no Brasil faz muito, muito tempo…

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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